Mortos num carro ou a tentar fugir por uma zona não recomendada: incêndio "muito rápido" já é o pior da história na Andaluzia

10 jul, 17:11
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Mais de 20 pessoas continuam desaparecidas em Almería

Um cadáver encontrado na mesma zona onde outras sete pessoas já tinham sido dadas como mortas elevou para 12 o número de vítimas mortais em Los Gallardos, na zona de Almería, onde arde aquele que já é o pior incêndio da Andaluzia.

Esse grupo de oito pessoas soma-se aos quatro cadáveres encontrados no interior de um carro que foi apanhado pelas chamas quando as vítimas tentavam fugir ao incêndio.

De acordo com o conselheiro para a Saúde e Emergências da região da Andaluzia, Antonio Sanz, estas pessoas foram surpreendidas por “um incêndio muito rápido de uma altíssima velocidade de propagação”, ainda para mais numa zona complicada em termos de terreno, onde as casas se espalham pelos montes.

As autoridades ainda não deram muito mais informações, mas as suspeitas apontam que 11 das vítimas mortais são estrangeiros - um morto já foi confirmado como sendo cidadão espanhol - e estavam a tentar sair “por uma rota diferente da de evacuação”.

Antonio Sanz disse que algumas vítimas tentaram escapar ao incêndio através de um leito de rio seco, que se revelou uma "armadilha" mortal.

Além das centenas de desalojados e feridos, falta ainda localizar 23 pessoas que estavam na zona.

“Não podemos indicar a identidade ou nacionalidade de nenhum dos mortos”, confirmou o Centro Integrado de Dados, que já recebeu corpos para realizar autópsias e proceder às identificações.

“Os médicos forenses continuam a trabalhar, em conjunto com a Guardia Civil, no levantamento de outros seis cadáveres, uma tarefa difícil pela inacessibilidade do terreno”, indicou aquele organismo.

Em declarações à imprensa, Antonio Sanz admitiu que o que Espanha enfrenta é uma “tragédia”, com as mortes a aparecerem como consequência de uma fuga “tardia” por parte das vítimas, que, ainda por cima, não seguiram a rota de evacuação indicada pelas autoridades.

Ainda que sem certezas, Antonio Sanz indicou que as quatro pessoas encontradas no carro serão de nacionalidade britânica, pelo menos a julgar pela posição do volante do veículo, no caso colocado à direita.

Quanto às sete pessoas encontradas numa casa, que estavam num grupo de nove do qual duas escaparam com vida, “parece que um deles é de nacionalidade espanhola e o resto podem ser estrangeiros”, provavelmente britânicos ou belgas.

De acordo com o autarca de Bédar, este grupo terá recusado cumprir as ordens de evacuação. “Fomos tocando de porta em porta, a tirar as pessoas. As que não queriam, insistimos”, referiu Ángel Francisco Collado, citado pelo jornal El País.

Só que houve quem entendesse que a melhor solução era fugir, sim, mas por uma rota alternativa, o que acabou por ser uma opção fatal. “Alguns não quiseram [sair], ficaram nas suas casas e estão com vida”, acrescentou o autarca, sublinhando que as autoridades aconselharam o grupo de nove pessoas a fazer o mesmo, “mas não fizeram caso”.

“Entre eles havia sete mortos e dois estão a caminho [do hospital] de Sevilha com queimaduras graves”, acrescentou Antonio Sanz.

O balanço provisório de 12 mortos já torna o incêndio de Los Gallardos o mais mortal na Andaluzia, sendo que o maior fogo de sempre de Espanha em termos de vítimas mortais foi registado em 1979, em Lloret de Mar, onde morreram 21 pessoas.

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