Malcolm Timbrell, britânico de 70 anos, vivia na aldeia de Bédar, na Andaluzia. Está destroçado: "Nunca se imagina que isto possa acontecer. E quando acontece, e se é o único sobrevivente, fica-se numa situação em que se pensa: o que posso fazer?"
À medida que as chamas, impulsionadas pelos ventos fortes, se aproximavam de Bédar, a aldeia onde moravam na região da Andaluzia espanhola, Malcolm Timbrell, a sua mulher, Anette, e os vizinhos, foram forçados a tomar uma decisão rápida: tinham de fugir. Entraram nos carros e puseram-se a caminho. Mas Malcolm decidiu voltar a casa para ir buscar os gatos, o Charlie e a Lilly.
"Se tivéssemos feito o que era sensato, seguido o caminho oposto e deixado os nossos gatos morrerem, estaríamos ambos vivos. Mas quando se tem animais, não se pensa assim", contou à BBC, destroçado.
Os britânicos Malcolm Timbrell, de 70 anos, e a sua esposa Annette Kilgore, de 69, estavam em casa na quinta-feira passada, quando o fogo avançou rapidamente em direção à sua propriedade. Treze pessoas morreram naquela localidade. Malcolm sobreviveu. "Nunca se imagina que isto possa acontecer. E quando acontece, e se é o único sobrevivente, fica-se numa situação em que se pensa: o que posso fazer?"
Nick Beake, o correspondente europeu da BBC, encontrou-o pouco depois de tudo ter acontecido. O homem contou-lhe como, depois de colocar os gatos em segurança, tentou alcançar o grupo, mas viu que eles já tinham saído dos veículos. "Apesar de eu lhes gritar para não o fazerem, a minha mulher e os nossos outros sete amigos e vizinhos decidiram que a única forma segura era sair a pé, à frente da parede de fogo."
Ao dar por si sozinho naquela situação , Malcolm tentou refugiar-se nos carros agora abandonados: "Dos seis carros, quatro entraram em combustão instantaneamente e, à medida que cada um começava a arder, eu recuava um carro. Por alguma razão do destino, os dois últimos carros, apesar de estarem muito, muito chamuscados, com a pintura a borbulhar e queimada, sobreviveram. E eu sobrevivi dentro do último, com um gato."
"Mais tarde, soube que aquela parede de fogo avançava a mais de 20 quilómetros por hora. Eles não tinham hipótese."
Malcolm e Anette estavam juntos há 17 anos. Mudaram-se para Espanha depois de muitos anos a navegar juntos. Ambos tinham perdido anteriormente os seus parceiros devido a doenças terminais e partilhavam o amor por viajar e por fazer novos amigos. O casal esperava passar os seus últimos anos na tranquilidade do campo andaluz.
As chamas acabaram por passar e Malcolm foi resgatado pelas equipas de emergência.
Os corpos de oito pessoas foram posteriormente encontrados num caminho que descia da casa do casal. Mais quatro corpos foram encontrados num veículo mais adiante. Uma mulher de 93 anos acabaria por morrer depois no hospital, elevando para 13 o número de vítimas mortais do incêndio.
Nem todas as vítimas mortais do incêndio florestal foram ainda identificadas, mas as autoridades espanholas afirmaram que entre as vítimas se contavam três britânicos e um cidadão de cada um dos seguintes países: França, Bélgica e Espanha. Um desses corpos deverá ser de Anette. "Estamos agora apenas à espera dos resultados do teste de ADN. E depois disso, provavelmente irei desmoronar."
"Ela era uma pessoa tão feliz e extrovertida", contou Malcolm sobre a sua companheira. "Tivemos uma vida incrível juntos. E agora acabou."
