Espanha reabre a guerra pela água e vai reduzir em 40% o transvase do Tejo

27 set, 10:01
Rio Tejo entre Alentejo e Ribatejo

O executivo espanhol tem vindo a cortar o volume de água transferido com o objetivo de melhorar os fluxos ecológicos do Tejo no centro do país - ou seja, a quantidade mínima de água que o rio deve ter

Está reaberta a guerra pela água: o Governo espanhol vai dar luz verde ao novo Plano Hidrológico da Bacia do Tejo, que prevê cortar 105 hectómetros cúbicos de água por ano a partir de 2027, o que significa mais 40% da média anual para as regiões de Almería, Múrcia e Alicante -  e por consequência para Portugal.

Segundo avança o El Mundo esta terça-feira, o plano será aprovado no final de outubro ou início de novembro, para que o mapa hídrico de Espanha seja concluído em dezembro.

Espanha vive uma das piores secas da história, o que está a levar a situações desesperantes - os agricultores que trabalham perto da fronteira pedem que se trave o volume de água que está destinado a Portugal, e que foi acordado nos termos da Convenção de Albufeira.

O problema, dizem os especialistas à CNN Portugal, é que os níveis do acordo já estão ultrapassados. Quando foi assinada, em 1998, a Convenção de Albufeira previa um área de rega de 100 mil hectares em Leão. Hoje, em toda a Espanha, são já 3,8 milhões os hectares de regadio, o que contrasta com as capacidades das suas albufeiras: Guadalquivir está a 22%, Guadiana a 24,5%, Tejo a 37,7%, Douro a 37,8% e Ebro a 43,3%.

Mas importa referir que Portugal também está, desde há vários meses, em situação de seca. Atualmente, vivemos entre uma seca severa (60,4% do território) e seca extrema (39,6%), os dois únicos cenários que o país conhece desde julho, num ano que não teve valores considerados normais em nenhuma parte do território continental. 

Mas o executivo espanhol assegura agora à mesma publicação que a fixação de caudais ecológicos "é um requisito incontornável que temos de cumprir para dar cumprimento a várias medidas e exigências da União Europeia que chegaram à conclusão de que o Rio Tejo nas suas cabeceiras tem um grave problema de equilíbrio ambiental".

No período de transição do novo caudal ecológico do Tejo, “serão postas em prática todas as medidas necessárias para garantir o acesso à água das duas bacias, cedente e destinatária, a preços competitivos”. Acima de tudo, "já está a ser feito um trabalho de aumento da capacidade de três centrais de dessalinização" para fornecer essa água não transferida.

A reserva hídrica de Espanha está apenas a um terço da capacidade – tem 18.810 hectómetros cúbicos de água quando a capacidade de armazenamento chega aos 56.136, de acordo com o mais recente Boletim Hidrológico. Um sinal claro de agravamento, uma vez que esse valor era, na mesma altura de 2021, de 22.646, sendo que a média a 10 anos se fixa, ainda, nos 28.656 hectómetros. Já em Portugal, essa capacidade de armazenamento está mais controlada – cerca de 53%. 

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