Acidente causou 43 mortes e, entretanto, foi divulgada a comunicação entre a revisora do segundo comboio e a central
O comboio Iryo, que descarrilou no domingo em Adamuz (Córdoba) e provocou a colisão com o Alvia da Renfe, tem marcas de falhas nas rodas das cinco primeiras carruagens que circulavam antes do acidente, segundo a Comissão de Investigação de Acidentes Ferroviários (CIAF) citada pelo El País.
As marcas, do tamanho de uma moeda, podem estar relacionadas com uma possível rotura da via no quilómetro 318 da linha Madrid-Sevilha, ainda em investigação, revelou o ministro dos Transportes, Óscar Puente, em declarações à Telecinco.
Segundo o ministro, "os bogies das primeiras cinco carruagens apresentam uma marca e é possível (está em curso uma investigação) que os dois ou três comboios que passaram antes tenham marcas semelhantes. A questão agora é saber porque é que estas marcas foram produzidas. Se havia algo nos carris, se era a própria via que estava a começar a desfazer-se. Neste momento não é possível tirar uma conclusão sobre o que produziu estas marcas".
O foco da investigação está no primeiro segmento de via arrancado, onde pode ter ocorrido uma falha de soldadura. No local, técnicos da CIAF recolheram amostras das rodas para tentar relacionar as marcas com a soldadura do carril.
La @UMEgob continúa trabajando en la zona, en este caso, con tareas de estabilización de los vagones accidentados por parte del equipo de búsqueda y rescate urbano #USAR.
Gracias por estar ahí, siempre. pic.twitter.com/MhMvwtbazd
— Ministerio Defensa (@Defensagob) January 21, 2026
A investigação envolve Iryo, Hitachi, Adif e Renfe, com análises sobre a responsabilidade em caso de falha da via. O troço foi renovado entre 2022 e 2025, incluindo três inspeções específicas em outubro e novembro do ano passado.
"Também levei uma pancada na cabeça. Tenho sangue na cabeça"
O EL PAÍS teve ainda acesso à conversa entre o centro de controlo de Atocha e o comboio da Alvia após o descarrilamento do comboio Iryo em Adamuz (Córdoba).
O centro de controlo de Atocha tentou contactar o maquinista do Alvia por duas vezes assim que viu que o comboio tinha parado, mas este não respondeu porque já estava morto.
Depois, ligaram para a revisora do comboio que, de acordo com o jornal, parece desorientada e a conversa com o técnico é "particularmente dramática", uma vez que não sabe que o maquinista morreu e anda pelo comboio para o tentar encontrar.
No áudio, o jornal diz que é perceptível que o outro técnico na sala, que fala com o maquinista do comboio da Iryo, também não sabe do acidente e que é por isso que lhe diz que "não vem nenhum comboio".
Centro de comando: Olá, boa tarde, está a ouvir-me?
Revisora: Sim, estou a ouvir, diga-me.
Centro de comando: Ouve, estou a ligar do centro de comando de Atocha, estou a tentar telefonar ao maquinista e não consigo falar com ele, veja se consegue passar a chamada.
Revisora: Também levei uma pancada na cabeça. Tenho sangue na cabeça.
Centro de comando: O quê, desculpe?
Revisora: E não, sou a revisora e também levei uma pancada na cabeça, tenho sangue na cabeça, não sei se vou conseguir falar com o condutor. Vou falar com o condutor.
Centro de comando: Está bem, por acaso tem o telemóvel do condutor?
Revisora: Vou ver se consigo ver o motorista ou telefonar-lhe.
Centro de comando: Desculpe, diga-me, diga-me.
Revisora: Vou tentar ir à carruagem.
Centro de comando: Ok, como é que o... Como é que está... Como é que está o material?
Revisora: Tenho um galo na cabeça com sangue.
Centro de comando: Sim, sim, sim, sim, tu disseste-me.
Revisora: Como está o comboio? Como está?
Número de mortos sobe para 43
Segundo o El País, os socorristas que trabalham no local do acidente encontraram um novo corpo entre os destroços do comboio que fazia a ligação Madrid-Málaga Alvia.
O número de mortos no acidente, ocorrido na tarde de domingo, sobe assim para 43.