Detetado buraco negro "adormecido" no universo "primitivo"

Agência Lusa , MJC
6 jun, 11:24
Buraco negro (Observatório Europeu do Sul)
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Durante décadas, os astrónomos localizaram buracos negros gigantes observando objetos muito brilhantes chamados quasares. São como faróis cósmicos alimentados por buracos negros muito ativos

Uma equipa internacional de astrónomos conseguiu medir a massa de um enorme buraco negro localizado numa galáxia muito distante, que teve origem quando o universo começava a formar-se.

Embora estes tipos de 'colossos' supermassivos sejam estudados por devorarem matéria e emitirem enormes quantidades de energia, este caso é diferente para os investigadores porque o buraco negro está 'adormecido', ou seja, não está a absorver grandes quantidades de matéria, explicou a Universidade da Cantábria (UC), na localidade espanhola de Santander, em comunicado.

Graças às capacidades do Telescópio Espacial James Webb, a equipa de investigação, liderada por Andrew Newman, da Carnegie Institution for Science (EUA), conseguiu calcular o seu tamanho observando como este afeta as estrelas que orbitam à sua volta.

Os resultados foram publicados na revista Science, noticiou na sexta-feira a agência Europa Press.

"Inicialmente, o modelo foi criado para explicar as supernovas Refsdal e Encore, mas, no final, ajudou-nos a saber que existe um objeto massivo no centro da galáxia", explicaram os cientistas espanhóis José María Diego e Ana Acebrón, do Grupo de Cosmologia Observacional e Instrumentação do Instituto de Física da Cantábria (IFCA, CSIC-UC).

Durante décadas, os astrónomos localizaram buracos negros gigantes observando objetos muito brilhantes chamados quasares. São como faróis cósmicos alimentados por buracos negros muito ativos.

No entanto, o objeto que foi estudado pertence a uma outra categoria, muito mais difícil de identificar, um buraco negro muito quieto e dormente.

Além disso, sabe-se que o colossal buraco negro reside numa grande galáxia chamada MRG-M0138, que formou a maior parte das suas estrelas há aproximadamente 13 mil milhões de anos.

Atualmente, esta galáxia praticamente não produz novas estrelas, e o seu buraco negro central também permanece inativo.

Até há alguns anos, medir a massa de buracos negros tão distantes era praticamente impossível.

Agora, nesta nova descoberta, a equipa analisou o movimento coletivo das estrelas na galáxia MRG-M0138.

Esta espécie de "dança estelar" permitiu calcular a massa do buraco negro, utilizando dados do Telescópio Espacial James Webb e aproveitando o fenómeno natural conhecido como lente gravitacional, que amplifica a luz de objetos muito distantes e facilita a sua observação.

"Agora podemos detetar este tipo de buracos negros inativos mesmo quando o universo tinha apenas 10 mil milhões de anos", explicou Newman.

"A combinação da nitidez proporcionada pelo telescópio James Webb e o efeito de ampliação das lentes gravitacionais torna isso possível", concluiu.

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