Eslovénia poderá eleger uma mulher para a presidência nas eleições de domingo

Agência Lusa , DCT
11 nov, 14:16
Natasa Pirc Musar (AP Photo)

Na primeira volta, realizada há três semanas, Logar garantiu 34% dos votos, e Pirc Musar 27%.

A advogada e jornalista Natasa Pirc Musar surge como a provável vencedora da segunda volta das eleições presidenciais na Eslovénia que decorrem domingo, convertendo-se na primeira mulher a assumir o cargo nesta ex-república jugoslava, indicam as últimas sondagens.

A candidata independente de centro esquerda, 54 anos, poderá obter cerca de 60% dos votos enquanto o seu rival, o conservador ex-ministro dos Negócios Estrangeiros Anze Logar, está cotado com 40% das preferências.

Na primeira volta, realizada há três semanas, Logar garantiu 34% dos votos, e Pirc Musar 27%.

O pequeno país alpino, dois milhões de habitantes, membro da União Europeia (UE) e da NATO desde 2004, foi considerado um exemplo de transição democrática, apesar de entre 2020 e 2022 ter registado diversos recuos sob a liderança do ex-primeiro-ministro direitista Janez Jansa, recorda a agência noticiosa Efe.

Pirc Musar, considerada uma das mais prestigiosas advogadas do país, conhecida ex-jornalista e perita em questões de transparência, tem sublinhado que nunca pertenceu a qualquer partido, ao contrário do seu rival, que consolidou a sua carreira com o apoio de Jansa.

“Distingo-me de Logar porque sou apoiante do núcleo da Europa, que se construiu com base no império da lei e no respeito pelos direitos humanos fundamentais”, assegurou.

No decurso da campanha, a candidata acusou Logar de ter afastado a Eslovénia do “núcleo europeu” quando exerceu a pasta da política externa no Governo de Jansa, que em 2022 perdeu as eleições e foi substituído por um Governo entre liberais e ecologistas liderado por Robert Golob.

Logar, 46 anos, também se apresentou como “candidato independente”, distanciando-se de Jansa e do conservador Partido Democrata Esloveno (SDS), apesar de permanecer deputado eleito por esta formação política e ter ocupado altos cargos nos três governos de Jansa.

Sob o lema eleitoral “Cooperemos pelo futuro”, apresentou-se como um “unificador” num país profundamente dividido.

“Aposto no diálogo, sou alguém que escuta e compreende aqueles que não me apoiam. A tolerância é uma das minhas principais promessas”, assegurou durante a campanha para a segunda volta.

O atual primeiro-ministro, o liberal Robert Golob, que em abril passado derrotou Jansa com o seu Movimento Liberdade (GS), tem-se empenhado em denunciar a “independência” propalada por Logar.

“A subida do candidato do SDS ao palco presidencial significará o regresso da Eslovénia à época obscura dos dois últimos anos”, advertiu durante a campanha.

Apoiam Pirc Musar o GS, os sociais-democratas (SD) e o Esquerda (Levica), após os seus próprios candidatos não terem garantido passagem à segunda volta.

Por sua vez, Logar recebeu o apoio explícito do seu mentor Jansa, um aliado próximo do primeiro-ministro ultradireitista húngaro Viktor Orbán.

“Por um lado, temos os valores da independência e da constitucionalidade, e por outro lado os valores dos paraísos fiscais”, disse Jansa durante a campanha para o escrutínio de domingo.

O líder conservador fazia alusão ao patriotismo reivindicado pelo SDS, em oposição às acusações de diversos ‘media’ de que o marido de Natasa Pirc Musar, um empresário multimilionário, enriqueceu de forma suspeita durante o período de transição.

Apesar de diversos retrocessos nos índices de democracia em 2021, a Eslovénia permanece uma economia estável, com um crescimento de 5,4% em 2022, segundo previsões da Comissão Europeia de junho, e um nível de vida semelhante ao de Espanha.

Europa

Mais Europa

Patrocinados