Na reta final da campanha, Janez Jansa, confesso admirador de Trump e grande apoiante de Israel, foi acusado de contratar uma empresa privada israelita para difamar o partido no poder
O governo liberal de Robert Golob na Eslovénia é desafiado nas eleições legislativas deste domingo por Janez Jansa, antigo primeiro-ministro e candidato da direita populista, confesso admirador de Donald Trump. Antes da ida às urnas na nação de 2 milhões de habitantes, as sondagens indicavam que nenhum deverá conseguir conquistar maioria parlamentar, pelo que a formação de governo deverá depender de partidos menores dispostos a coligar-se com o vencedor.
As urnas abriram às 7h (6h da manhã em Portugal continental) em todo o país alpino e vão fechar às 19h, antecipando-se que a comissão eleitoral anuncie os resultados preliminares após as 20h30 locais.
Segundo os últimos inquéritos de opinião, o Partido Democrático Esloveno (SDS) de Jansa e o Movimento pela Liberdade (GS) de Golob estão numa disputa acirrada marcada por alegações de corrupção e de interferência estrangeira.
Jansa, cuja derrota nas eleições de 2022 refreou a onda populista que vinha a espalhar-se na Europa, entrou na corrida a liderar as intenções de voto e com boas chances de voltar ao poder, mas perdeu força na reta final da campanha perante acusações de que o seu partido, o SDS, contratou uma agência privada de informações israelita, a Black Cube, para difamar o Movimento pela Liberdade de Golob.
A Reuters noticia que a Black Cube é a mesma empresa acusada em 2023 de estar por trás de uma campanha de câmaras ocultas que teve como alvo ativistas e jornalistas durante a campanha às legislativas de 2022 na Hungria.
As eleições deste domingo na Eslovénia foram marcadas por uma campanha focada em questões internas – como as reformas sociais e de saúde implementadas pelo atual governo vs. a promessa de Jansa de introduzir isenções fiscais para empresas e cortar o financiamento a programas da sociedade civil, Estado social e media.
Mas num “país minúsculo com um papel desproporcional enquanto indicador do clima político europeu”, nas palavras do New York Times, a agenda externa da Eslovénia não ficou esquecida, antecipando-se grandes mudanças nos negócios estrangeiros se Jansa – grande aliado de Israel e do atual primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán – for eleito.
De notar que, no contexto da guerra de Israel contra a Faixa de Gaza, iniciada em outubro de 2023, a Eslovénia foi um dos primeiros e poucos países europeus a reconhecer a independência do Estado da Palestina, impondo no ano passado um embargo de armas a Telavive.
Para os eleitores, a campanha foi toda ela “suja” e não é certo quem irá ganhar com isso, embora haja analistas a considerar que uma baixa participação eleitoral deverá beneficiar Jansa, que tem uma base fiel de eleitores.
À saída da sua estação de voto em Ljubljana esta manhã, Ifigenija Simonovic, uma escritora eslovena de 73 anos, disse à Reuters que não gostou da linguagem e da grosseria a que assistiu na campanha eleitoral.
"Nenhuma polidez, algumas mentiras que vieram de um lado ou do outro, então não senti que eles estavam a contar-nos, aos eleitores, a história toda, que pudéssemos acompanhar. Decidir hoje não foi nada fácil."
