FENPROF garante que o 2.º período letivo termina com mais alunos sem professores do que no período homólogo do ano letivo passado
Há mais alunos sem aulas no final do 2.º período letivo deste ano do que no período homólogo do ano passado e o Porto ascendeu ao segundo lugar de regiões do país com maior falta de docentes. Quem o garante é a FENPROF, que fez as contas aos horários em contratação de escola e ao número total de horas referentes a esses mesmos horários.
De acordo com a estrutura sindical, o total de horários em contratação de escola no final deste segundo período letivo registou um aumento de 10% em relação ao mesmo período do ano letivo passado. Passou de 4 700 para 5 198. O número total de horas disparou de 87 175 para 96 022, um acréscimo de 10,15%.
Pelas contas da FENPROF, cerca de 40 mil alunos tiveram a falta de pelo menos um professor e o distrito do Porto subiu ao segundo lugar no ranking nacional da falta de docentes, com 579 horários em aberto, “mostrando que a carência já não é um problema localizado, mas uma realidade de alcance nacional”.
É no primeiro ciclo, Português e Educação Especial que a carência de professores é maior. Mas Francês, Inglês e Matemática não escapam à escassez. “Estes dados demonstram que a falta de professores não é episódica nem limitada a determinadas disciplinas, mas antes um problema estrutural e persistente”, nota a FENPROF, num comunicado enviado às redações.
A federação de sindicatos de docentes sublinha que o processo de revisão do Estatuto da Carreira Docente (ECD) é crucial para a atratividade da profissão e acusa a tutela de “arrastar” o processo. “A previsão do ministro é que a discussão do segundo de sete temas só termine em junho, empurrando a discussão de questões fundamentais e urgentes para um futuro incerto, mas deixa já no ar intenções de mudanças profundas e perigosas, incluindo o fim da mobilidade interna, da contratação inicial, das reservas de recrutamento e da contratação de escola”, escreve a FENPROF.
“Sem medidas urgentes e eficazes, a desvalorização da carreira docente continuará a afastar jovens da profissão e a desincentivar o regresso de milhares que a abandonaram. Como resultado de políticas desviadas do interesse nacional por parte de sucessivos governos, o país enfrenta hoje um fenómeno estrutural de falta de professores, que coloca em risco o direito à educação de milhares de alunos e exige intervenção imediata”, acrescenta ainda.
A FENPROF reclama assim uma valorização do ECD e antevê um “terceiro período de intensificação da luta, caso o Ministério da Educação, Ciência e Inovação continue a “arrastar” o processo de revisão.