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“Há crianças que desconhecem a cara dos professores”. Pais e docentes acreditam que a máscara cai no final do mês

19 abr 2022, 07:00

Encarregados de educação apontam incoerências às decisões da DGS de manter a máscara obrigatória neste regresso às aulas e falam numa "mordaça" que traz dificuldades à aprendizagem dos alunos e ao trabalho de quem ensina. Mas todos acreditam que a medida não vai sobreviver até ao final do ano letivo

A expectativa era apenas uma: um terceiro período mais próximo da normalidade, sem máscara obrigatória dentro das salas de aulas. Esperávamos que o terceiro período fosse um período já normal. As crianças do primeiro ciclo passaram dois anos sem ver o rosto dos professores”, afirma Jorge Ascenção, da Confederação Nacional das Associações de Pais (CONFAP), à CNN Portugal. Uma escola próxima da realidade pré-covid-19 era também o desejo dos agrupamentos escolares. Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas, lembra que há alunos que só viveram a escola em pandemia: “Há crianças que desconhecem a cara dos professores”.

Os pais queriam outra decisão por parte da Direção-Geral da Saúde e as escolas têm recebido emails com queixas e desabafos sobre o assunto. “O que não é normal”, sublinha Filinto Lima. O responsável dos agrupamentos escolares destaca as dificuldades que a máscara traz para as crianças, nomeadamente ao nível da "leitura pelos lábios", "da aprendizagem de línguas" e os próprios “malefícios psicológicos” no que se refere à socialização. Por outro lado, frisa o quanto a máscara é prejudicial no dia a dia dos professores, que usam a voz como ferramenta de trabalho: "a máscara é uma mordaça", acrescenta.

Na mesma linha, a Associação de Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo (AEEP) diz não compreender a medida. 

“No estado em que estamos agora da pandemia parece inacreditável. Quando temos crianças de tenra idade que estão a tentar aprender a ler e a socializar sem verem a cara do educador", frisa o diretor da associação, Rodrigo Queiroz de Melo. 

O movimento de pais "Assim Não é Escola", que tem reclamado o levantamento das medidas restritivas nos estabelecimentos de ensino, aponta "incoerências" nas decisões da DGS, lembrando que os bares e as discotecas já estão livres de máscaras. "Não entendemos estas medidas. Toda a gente achava que a máscara ia cair", vinca Laura Sanches. 

Mas se é certo que a máscara ainda não caiu, a verdade é que tudo aponta para que isso aconteça ainda durante este período. Essa é, de resto, a convicção de Filinto Lima, que explica que, ao contrário do que aconteceu nos períodos anteriores, desta vez a Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares (DGESTE) deu indicação às escolas para comprarem apenas uma máscara para cada aluno e não três. Recorde-se que cada máscara só pode ser reutilizada durante 25 dias. "A minha convicção é que o uso obrigatório da máscara possa cair durante o terceiro período", sublinha.

A ideia é corroborada pela Associação de Médicos de Saúde Pública, que admite que isso possa acontecer já no final do mês. O presidente da associação, Gustavo Tato Borges, nota que Portugal está muito perto de controlar o indicador da mortalidade - que ainda é bastante elevado - e cuja redução vai permitir o levantamento da máscara obrigatória nos espaços fechados. "O indicador que nos falta é a mortalidade e nós estamos claramente no bom caminho. Até ao final do mês tudo indica que possamos ter esse indicador controlado", diz, acrescentando: "Vamos iniciar o terceiro período com máscara, mas isso não quer dizer que terminemos o período ainda com a máscara obrigatória."

Questionado sobre os constrangimentos criados pela máscara durante as aulas, o médico de saúde pública é perentório: "a capacidade de aprendizagem está afetada, mas é algo que é recuperável" e "não deverá deixar uma marca definitiva das nossas crianças nem na capacidade laboral dos nossos professores", enquanto as sequelas da covid-19, tanto em crianças como em adultos, podem perdurar no tempo. 

Plano de Recuperação de Aprendizagens: escolas pedem mais tempo ministério

Alunos e professores voltam à escola depois das férias da Páscoa e seis dias após a apresentação do Orçamento do Estado, que voltou a colocar o Plano de Recuperação de Aprendizagens como uma 'bandeira' na área da Educação.

O plano foi apresentado no ano passado e tem a duração prevista de dois anos, ou seja, até ao próximo ano letivo. No entanto, Filinto Lima explica que, por causa dos confinamentos sucessivos, os estabelecimentos de ensino tiveram muita dificuldade em aplicar o programa em janeiro e que o Governo deve ponderar prolongá-lo. “O Ministério da Educação deve refletir se deve dar mais tempo às escolas para aplicarem este plano ou se o próximo ano será mesmo o último, afirma.

Jorge Ascenção da CONFAP afirma que “um plano é algo que está escrito no papel, mas que é preciso que ele aconteça” e “se está a acontecer os pais não estão a perceber”. “Quando se faz um plano, depois é preciso executá-lo, monitorizá-lo. E é preciso que isso seja percepcionado e sentido”, aponta. 

E tal como as escolas, os pais também têm reservas quanto ao tempo previsto para esta recuperação de aprendizagens: “Não sabemos se em dois anos vamos recuperar, é preciso que isso seja percepcionado e sentido”. Mais, o responsável sublinha que “é difícil falar de um programa de aprendizagens quando ainda não estamos de forma natural na escola”.

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