90 mil alunos terão sido afetados pelas intempéries das últimas semanas

19 fev, 12:00
Mau tempo em Montemor-o-Velho (LUSA)

Um inquérito que a Missão Escola Pública levou junto dos diretores escolares recolheu 115 respostas em dois dias. Mais de 74% das escolas dizem ter sido afetadas

As tempestades que assolaram Portugal nas últimas semanas de janeiro e primeiras de fevereiro podem ter afetado o decurso do ano letivo de cerca de 90 mil alunos. É essa a estimativa do movimento Missão Escola Pública (MEP), que tem um inquérito a decorrer junto dos diretores de agrupamentos e escolas não agrupadas de todo o país. As questões foram enviadas aos diretores no último domingo e, em dois dias, a MEP obteve 115 respostas (14,2% do total dos agrupamentos e escolas não agrupadas do país).

O inquérito, que continua a decorrer, visa apurar a extensão dos danos registados nos estabelecimentos escolares públicos provocados pelas tempestades Kristin, Leonardo e Marta e pelas cheias.

Mais de 70% (70,4%) dos agrupamentos e escolas não agrupadas reportam terem sido afetados, com as regiões Centro (85,7%) e Lisboa e Vale do Tejo (82,9%) a registarem maior incidência. Trinta e dois por cento das escolas afetadas registaram encerramento total ou parcial (os 115 diretores que já responderam ao inquérito dizem ter sido obrigados a encerrar 157 escolas), afetando 32.700 alunos.

“Tendo em conta estes dados, a Missão Escola Pública estima que o impacto das intempéries possa ter atingido, no total da rede pública, cerca de 90 mil alunos”, contabiliza o movimento.

Foi nas regiões Centro e Lisboa e Vale do Tejo que se registaram os maiores constrangimentos. Em Leiria e Santarém, todas as escolas que responderam dizem ter sido afetadas pelo mau tempo. Em Coimbra, sete das oito escolas que responderam dizem ter sido afetadas e, em Aveiro, das seis escolas que responderam, cinco dão a mesma resposta. Em Lisboa, a resposta positiva é dada por 16 dos 20 agrupamentos que responderam e, em Setúbal, isso aconteceu com sete das nove respostas.

Quase 94% dos diretores que reportam problemas nas suas escolas dizem necessitar de intervenções, que, em muitos casos, ainda nem começaram. Muitas dessas escolas foram obrigadas a adotar medidas de mitigação da perda de aprendizagens, como ajustamento de planificações, reprogramação de avaliações e reforço do apoio educativo.

“Os dados indicam que as tempestades não provocaram apenas danos circunstanciais, mas expuseram vulnerabilidades estruturais acumuladas no parque escolar público”, diz a MEP, uma vez que 72,2% dizem que “já careciam de intervenção estrutural antes das intempéries, revelando fragilidades pré-existentes”.

Nas respostas avançadas à MEP até agora, 14,8% dos agrupamentos referem que a última intervenção significativa ocorreu há mais de 20 anos e 37,4% não recebem obras relevantes há mais de uma década.

Os danos mais frequentemente reportados foram infiltrações significativas (69,1%), queda de árvores ou muros (40,7%), danos em coberturas ou estruturas (38,3%) e inundações em salas ou outros espaços (35,8%). Registaram-se ainda danos elétricos, em equipamentos informáticos e constrangimentos nos acessos exteriores em cerca de 18% das escolas afetadas. Mais de 32% dos agrupamentos e escolas que dizem ter sido afetadas foram mesmo obrigadas a encerrar total ou parcialmente.

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