"Não me deixam entrar na minha escola". Talibãs ordenam que escolas no Afeganistão continuem encerradas para meninas

24 mar, 09:29
Talibãs ordenam encerramento de escolas a meninas acima do sexto ano no Afeganistão (Getty Images)

Imposição acontece para jovens que estão a frequentar o sexto ano ou os seguintes. Jovens veem direito à educação ser negado por mais 187 dias, altura em que alegadamente vão receber o que os talibãs consideram "roupa apropriada"

Os talibãs vão manter a interdição de acesso de raparigas ao ensino a partir do sexto ano, apesar da promessa do regime afegão de que as escolas voltariam a permitir, a partir desta quarta-feira, o regresso das crianças às aulas. As jovens veem, desta forma, o seu direito à educação ser negado por mais 187 dias.

Com a crescente pressão internacional, os talibãs disseram originalmente que as escolas abririam para todos os alunos - incluindo raparigas - após o ano novo afegão, que ocorre a 21 de março, sob a condição de separar meninos e meninas em escolas diferentes ou em distintos horários.

No entanto, esta quarta-feira, as jovens que frequentam o sexto ano ou anos acima desse foram obrigadas a ficar em casa, pelo menos até chegar um uniforme escolar que os talibãs consideram "apropriado" aos costumes e cultura afegãos, avançou a CNN, que cita a agência de notícias Bakhtar, administrada pelos talibãs.

Talibãs não cumpriram promessa e ordenaram que escolas no Afeganistão continuem encerradas para meninas

Este recuo na palavra ou "adiamento"  já está a provocar uma condenação internacional, com diplomatas americanos a considerar "dececionante" o comportamento dos talibãs.

Tamana, de 18 anos, usa o primeiro nome devido a problemas de segurança e relatou à CNN que lhe foi negada a entrada na escola quando se preparava para regressar para o seu último ano escolar, esta quarta-feira.

"Não consegui dormir ontem à noite porque estava animada para voltar à escola após oito meses a ser privada de educação, mas quando eu e muitas outras meninas chegámos ao portão da escola disseram-nos para voltar para casa e esperar", relatou, acrescentando que viu os seus sonhos serem destruídos mais uma vez. "Todas as minhas colegas voltaram para casa em lágrimas."

A BBC também registou o momento em que uma menina relata, a chorar, que não a deixaram entrar na escola. "Mãe, não me deixaram entrar na minha escola, estão a dizer que não é permitido entrarem meninas", disse em lágrimas. O vídeo foi partilhado no Twitter.

O Ministério da Educação anunciou, através de comunicado, que "assegura ao povo mais uma vez que está totalmente comprometido em garantir os direitos dos compatriotas à educação".

A missão da ONU no Afeganistão tomou uma posição no Twitter, avançando que é "deplorável" a decisão dos talibãs de manter a proibição a estudantes do sexo feminino

Jovens regressam para casa após lhes ser negada a entrada no estabelecimento de ensino

Recorde-se que, no mês passado, o Afeganistão reabriu algumas das universidades para estudantes do sexo masculino e feminino após o seu encerramento, em agosto de 2022, durante a tomada do poder pelos talibãs. No período em que já tinham estado no poder, entre 1996 e 2001, as meninas tinham sido privadas do ensino e as mulheres do setor do trabalho. 

Em dezembro, os talibãs também proibiram as mulheres de fazerem viagens de longa distância sozinhas, exigindo que esteja sempre presente um familiar homem para as acompanhar.

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