REVISTA DE IMPRENSA || Estudo ouviu mais de 1400 participantes em nove escolas dos concelhos de Lisboa, Amadora e Sintra
Um em cada três alunos estrangeiros diz sentir-se discriminado por professores no contexto escolar, segundo um estudo da Universidade Nova de Lisboa apoiado pela EPIS - associação Empresários para a Inclusão Social que ouviu mais de 1400 participantes em nove escolas dos concelhos de Lisboa, Amadora e Sintra, citado pelo Diário de Notícias. A investigação indica que 55,7% dos alunos estrangeiros ou com origem imigrante afirmam já ter sido alvo de discriminação na escola, percentagem que sobe para 70,6% entre estudantes de primeira geração.
A maioria das situações relatadas ocorre entre alunos, mas os professores surgem envolvidos em 35% dos casos e os assistentes operacionais em 10,9%. A discriminação apontada está sobretudo relacionada com a cor da pele, a aparência física e o território de origem. Entre os episódios associados a docentes, destacam-se o país de origem, a cor da pele e situações de tratamento diferenciado ou exclusão.
O estudo revela ainda que mais de 38% dos alunos que se dizem discriminados por professores optam por não revelar os motivos, e que a maioria refere que essas situações ocorreram algumas vezes. Os resultados são considerados graves e potencialmente subestimados, tendo em conta as dificuldades emocionais associadas à denúncia e o contexto de aplicação do inquérito em sala de aula.
O trabalho identifica fragilidades institucionais em algumas escolas, incluindo falta de preparação para contextos multiculturais, interpretações desiguais da legislação e práticas que dificultam a inclusão, como a proibição do uso da língua materna dos alunos.