Envelhecer nem sempre significa perder desempenho cognitivo. As novas descobertas sobre o nosso cérebro

Agência Lusa , CV
27 mai, 12:57
Imagem de uma Tomografia por Emissão de Positrões (TAC) cerebral. (AP Photo/Matt York, File)

Os dois autores do estudo explicaram que o cérebro nunca para e que, mesmo em repouso, a atividade cerebral mostra grandes flutuações

Um estudo da Universidade de Coimbra (UC) revelou que “nem todas as mudanças produzidas no cérebro, em resultado do envelhecimento, alteram o desempenho cognitivo”.

O estudo, de acordo com a UC, concluiu que “o cérebro muda de forma significativa com o envelhecimento, mas, pelo menos, parte dessas alterações, poderão não ser relevantes do ponto de vista do seu funcionamento”.

O trabalho, já publicado na revista eLife, foi conduzido por Maria Ribeiro e Miguel Castelo-Branco, investigadores do Centro de Imagem Biomédica e Investigação Translacional (CIBIT), ICNAS, da Faculdade de Medicina da UC (FMUC).

“O cérebro mais velho apresenta uma dinâmica de atividade cerebral marcadamente diferente do cérebro jovem com uma diminuição das flutuações espontâneas de atividade neuronal, mas esta diferença não está associada a uma perda cognitiva”, garantiram os investigadores.

Os dois autores do estudo explicaram que o cérebro nunca para e que, mesmo em repouso, a atividade cerebral mostra grandes flutuações.

“Períodos de grande atividade cerebral são seguidos de períodos de atividade mais baixa, alternando de uma região ou rede neuronal para outra, em constante movimento. Chamamos a esta atividade cerebral, atividade espontânea”, sublinharam os dois autores do estudo.

Os dois investigadores concluíram que, “com o envelhecimento, atividade cerebral espontânea tende a tornar-se mais estável”.

“O padrão de atividade cerebral das pessoas mais velhas sugere flutuações de atividade neuronal de menor amplitude e uma redução da ativação espontânea das redes neuronais que abrangem regiões distantes do cérebro. Por outro lado, do ponto de vista comportamental, as pessoas mais velhas têm mais dificuldade em manter o desempenho constante, isto é, quando repetem a mesma tarefa ao longo do tempo as respostas são mais variáveis. Este aspeto parece estar associado a um pior desempenho cognitivo e é um preditor do declínio cognitivo e de patologia cerebral associada à demência”.

Os dois académicos procuraram perceber como é que a atividade cerebral mais estável nas pessoas mais velhas pode estar associada a um desempenho comportamental mais variável e, para isso, compararam os padrões de atividade cerebral de pessoas mais velhas com os padrões cerebrais de jovens adultos e estudaram a “associação entre a atividade cerebral espontânea e as respostas neuronais quando os participantes executavam tarefas cognitivas”.

Observaram então, de acordo com a UC, “uma dissociação entre a atividade cerebral espontânea, que serve de pano de fundo para tudo o que acontece no cérebro, e a atividade cerebral que é induzida durante o desempenho cognitivo”.

“Apesar de as pessoas mais velhas terem uma atividade cerebral espontânea menos variável, a sua atividade cerebral associada ao desempenho cognitivo mostra o mesmo nível de variabilidade dos jovens adultos”.

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