Rui Rio não tem um governo "na cabeça", mas quando venceu as diretas recebeu "mais de 300 mensagens"

29 nov 2021, 22:07

Entrevista de Júlio Magalhães ao presidente do PSD. Rui Rio não tem fechado na sua cabeça o que vai fazer face aos diferentes cenários eleitorais que podem resultar das Legislativas, mas de uma coisa tem a certeza, “o Chega está automaticamente resolvido” e o pretende "um entendimento com o CDS"

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Rui Rio recebeu “mais de 300 mensagens pessoais” depois de vencer as eleições internas no sábado, algumas genuínas, outras “a ver se caem na simpatia”. Depois de vencer a liderança do PSD pela terceira vez, será Rui Rio o candidato a primeiro-ministro nas eleições legislativas de 30 de janeiro – e está pronto.

Faltam dois meses, e agora precisa de pensar num governo. “Não tenho o governo formado, mas tenho algumas coisas na cabeça”, assume Rui Rio em entrevista a Júlio Magalhães. “Não tenho tantos nomes assim na cabeça que possa dizer”, justificou, após insistência do jornalista da CNN Portugal.

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Rui Rio não tem fechado na sua cabeça o que vai fazer face aos diferentes cenários eleitorais que podem resultar das Legislativas, mas de uma coisa tem a certeza, “o Chega está automaticamente resolvido”: Rio não quer ter ministros do partido de André Ventura, opção contrária ao que aconteceu no governo regional dos Açores, em que o PSD se coligou com o Chega – numa aliança, entretanto, desfeita.

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“Se não ganhar com maioria absoluta, procurarei um entendimento com o CDS, se não formos já coligados a eleições”, sublinha. Os centristas são a primeira opção de coligação, mas ainda nada foi tratado com a direção do Largo do Caldas, até porque falta saber quem estará à frente do CDS nessa altura – Francisco Rodrigues dos Santos ou Nuno Melo.

No xadrez político de um resultado eleitoral sem maioria absoluta que permita ao PSD, se vencer as eleições, governar sozinho, Rui Rio não descarta também – “admito isso”  – uma aliança com a Iniciativa Liberal.

A hipótese de acordos ao centro, que não descartou antes das eleições diretas no seu partido, num dos pontos que mais o afastava de Paulo Rangel, não fizeram parte do seu discurso nesta entrevista. No entanto, defende que “o Partido Socialista tem de ter a responsabilidade, que muitas vezes já teve, de viabilizar a governabilidade do país”.

O líder do PSD não antecipa uma maioria absoluta de António Costa. Mas se o PS não for o mais votado, Rui Rio acha que não haverá nova geringonça com o Bloco de Esquerda e o PCP a unirem-se aos socialistas.  “Não vejo que o dr. António Costa tenha condições para reeditar uma geringonça como fez em 2015”, considera.

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“Limpeza étnica” nas listas? Não, mas…

O próximo desafio de Rui Rio passa por constituir listas de deputados para as eleições Legislativas. “Não vai haver uma limpeza étnica”, garante à CNN Portugal, mas fará muitas alterações: críticos podem ser chamados, quem fez "jogos" contra não. Quem decide, frisa, é o Conselho Nacional do PSD.

“Determinada pessoa que esteve sempre contra mim, mas discorda e quer estar?!”, exclama, recordando que o atual grupo parlamentar, já escolhido na sua presidência, está metade contra si. Sobre quem esteve a apoiá-lo: “As pessoas conhecem-me e sabem que eu não sou ingrato”.

Ficou desiludido com Paulo Rangel? Rui Rio não assume a desilusão, que o levou a repensar a sua recandidatura à liderança do PSD nesta disputa direta. “Não vale a pena agora desenterrar isso”, garante, apesar de reconhecer que o eurodeputado que queria ser candidato a primeiro-ministro “podia ter feito de forma diferente”.

E se sobre os críticos está tudo dito, sobre os apoiantes o caminho é o do perdão. “Ficou desiludido com Carlos Moedas?”, pergunta Júlio Magalhães. O presidente da Câmara Municipal de Lisboa (CML) optou inicialmente por não manifestar publicamente o seu apoio a nenhum dos candidatos às diretas do PSD, mas depois almoçou com Paulo Rangel, num sinal indireto de apoio. “Tinha sido mais prudente manter-se assim [sem manifestar apoio] até ao sábado. Ninguém se zanga. É evidente, é um elemento com que o PSD conta, está num lugar de muito relevo”. Até porque a conquista da CML pelos sociais-democratas “deu um impulso que vale por sete ou oito câmaras das outras”, reconhece.

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E sobre Marcelo Rebelo de Sousa, que recebeu o seu opositor interno Paulo Rangel durante o debate em que o Orçamento do Estado estava a ser chumbado no Parlamento, sem que tivesse tido conhecimento prévio sobre esse encontro? São águas passadas: “Tenho é de desconstruir e não destruir… Em termos institucionais, tivemos sempre uma relação correta e isso vai continuar”, garante, num discurso politicamente correto para com o social-democrata que já vai no segundo mandato como Presidente da República.

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