Entrevista Maisfutebol com Miguel Moita, adjunto de Leonardo Jardim durante 16 anos
Licenciado em Educação Física pela Universidade do Porto, e com licença UEFA PRO, trabalhou durante 16 anos ao lado de Leonardo Jardim. Foi do Desp. Chaves ao Mónaco, passou pelo Beira-Mar, Sp. Braga e Olympiakos, esteve no Sporting e teve as últimas experiências no Al-Hilal, Al-Ahli e Al-Rayyan.
Fez, por isso, parte da conquista da Liga dos Campeões Asiática em 2021 e dos campeonatos da Grécia, França, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. Trabalhou de perto com estrelas como Mbappé ou Bernardo Silva, Falcão ou Fabinho, até com nomes grandes como Ruben Amorim e Nuno Gomes. Agora, aos 41 anos, assume o desejo de se tornar treinador principal.
Nesta quinta e última parte da entrevista ao Maisfutebol, Miguel Moita aborda o futuro e de que forma se vê a entrar no mercado, agora com a ambição de se tornar treinador principal.
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Dada a vasta experiência que tem como analista na carreira que construiu até ao momento, que importância dá a esse aspeto agora que pretende assumir um cargo como treinador principal?
O analista está atento a todos os pormenores, calcula tudo. Eu acho que isso me vai ajudar, porque me vai proporcionar mais atenção a todos os momentos do jogo. O analista faz um trabalho mais exaustivo na procura e na entrega da informação. O analista é a pessoa que mais pestanas queima. Depois ao treinador cabe-lhe saber filtrá-la e fornecê-la da melhor forma aos jogadores. O facto de já ter essa noção vai ajudar-me muito, com certeza, porque eu sei a importância que tem todo esse trabalho.
Como é que idealiza uma equipa? Que qualidades almeja, que mentalidade impõe, o que é que pensa para o melhor funcionamento do conjunto?
Eu gosto acima de tudo de equipas equilibradas, racionais. Uma equipa que ataque, mas que ataque com um sentido, com um propósito e que esteja equilibrada ofensivamente, já preparada para o processo defensivo. O equilíbrio é a chave. Não gosto de equipas que se focam demasiado no processo defensivo e que pensem apenas em defender. Uma equipa que passa o jogo todo a defender, é um massacre para todos. Eu gosto da agressividade, nos dois momentos do jogo. Gosto de equipas com cultura tática, que se saibam desdobrar e reagir às adversidades. Não sou adepto de que a construção seja sempre da mesma maneira, não precisa de ser necessariamente sempre de trás. Os jogadores têm de ser inteligentes e ler o jogo da melhor forma, independentemente do estilo. A nível da mentalidade tenho noção de que a união é o principal ponto e o trabalho do treinador passa muito por incutir e promover isso. Um bom grupo que não esteja dividido é essencial para a fluidez e para a filosofia de jogo da equipa.
Quais são os treinadores que tem como referência?
Tenho vários. O José Mourinho é sem dúvida uma referência, influenciou-me muito, nos anos de faculdade, a forma de trabalhar e a metodologia. Depois gosto bastante do Ancelloti, não tanto pela tática ou pela filosofia de jogo, mas sim pelo pragmatismo dele e pela forma de estar e de ser dele, que acho que é essencial para o sucesso que tem tido ao longo dos tempos. Pode parecer estranho, mas também olho bastante para o Roger Schmidt, desde os tempos do Leverkusen. Tudo o que diz respeito à pressão, aquele estilo de transição, gosto muito disso. Depois existe esta nova vaga de treinadores que me encanta muito, como o Xabi Alonso e o Ruben Amorim sobretudo. Do futebol apresentado, à forma simples e eficaz como comunicam.
Sendo assim, por onde passa a ambição neste momento?
Quero trabalhar em Portugal. Patamares como a Liga 3, equipas B, II Liga seriam cenários que eu gostava de tentar explorar. Quero evoluir como treinador principal, como pessoa, é nisto que eu estou a trabalhar neste momento. Gostava de encontrar um projeto estável, em que haja seriedade e profissionalismo para a boa execução do trabalho. Gosto muito do treino, do jogo e sinto que tenho a capacidade para assumir um novo desafio.
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