«Dei aulas de natação, trabalhei com idosos... tenho um orgulho tremendo no meu percurso»

30 abr, 09:14
Luís Castro

Entrevista com Luís Castro, treinador que foi campeão da Youth League com o Benfica - Parte I

Luís Castro saltou para a ribalta com o título de campeão da Youth League, mas por detrás já tem um longo trajeto de quase vinte anos. Nascido em Moreira de Cónegos, há 41 anos, licenciou-se em Desporto, no Instituto Superior de Bragança, começou a trabalhar nos infantis do Vizela e durante vários anos teve um segundo trabalho para ganhar dinheiro: deu aulas de natação, foi professor de educação física, trabalhou com idosos.

Foi progredindo degrau a degrau, passou por V. Guimarães, Al Nassr, treinou juniores, foi coordenador da formação e na Hungria, onde já tinha estado a fazer Erasmus, recebeu a maior proposta da carreira dele. Como não estava feliz, e o dinheiro não é tudo, voltou a Portugal. Chegou ao Benfica e atingiu as manchetes dos jornais, mas garante não ter problemas em voltar a ter dois empregos para trabalhar com miúdos. 

Para já está feliz no Seixal e acredita que o Benfica esteja feliz com ele também. Mas é ambicioso e neste momento é o melhor treinador sub-19 da Europa. Numa longa entrevista, sempre com boa disposição e toques de bom humor, Luís Castro garante ainda que o futebol dele é um futebol de domínio e agressividade sobre a bola, mas admite que já foi mais romântico: hoje não precisa de fazer quarenta passes para chegar à baliza adversária.

Parte II - «Diego Moreira evoluiu muito, já não é só drible para a frente e para trás»
Parte III - «Roger Schmidt vai apostar em alguns da formação e é importante que esses se afirmem»

Como é que o futebol entrou na sua vida?

Sou natural de Moreira de Cónegos e vivo em Vizela já há vários anos. Desde novo que pratico do desporto, joguei várias modalidades, mas nunca pratiquei futebol de onze.

Que desportos praticava?

Andebol, futsal, karaté...

Isso logo desde criança?

Sim, desde muito novo. Joguei andebol no Callidas Clube, de Vizela, joguei futsal na Fundação Jorge Antunes, também de Vizela... Mas fui sempre apaixonado por futebol. No secundário, por exemplo, os meus melhores amigos jogavam no FC Vizela. Quando entrei na universidade, entrei em Desporto. Já tinha o bichinho e em Bragança esse bichinho cresceu ainda mais.

Tirou o curso em Bragança?

Tirei o curso em Bragança, sim. Tínhamos uma disciplina de futebol que era dada pelo o professor João Quina, que na altura, na minha opinião, já estava bem à frente do nosso tempo, e já foi há mais de vinte anos. Já tínhamos, por exemplo, aulas sempre com bola de futebol. Nunca era sem bola. O futebol para ele já era o jogo.

Portanto, quando chegou ao 12º ano não teve dúvidas que queria seguir Desporto.

Nenhuma dúvida. Depois de entrar na universidade, comecei a colaborar com as escolinhas do FC Vizela, que naquela altura era só ao sábado. Vinha da universidade ao fim de semana e dava treino às escolinhas ao sábado de manhã. Aquilo correu bem, aumentámos muito o número de miúdos a jogar, apesar de serem pagantes. Eu e mais três colegas dinamizámos aquilo e no ano seguinte o FC Vizela convidou-me para treinar a equipa de infantis, já no futebol de competição.

Mas isso ainda enquanto estudava?

Não, isso foi no primeiro ano após concluir a licenciatura. A época que correu bem e o Moreirense, que na altura não tinha uma formação tão forte quanto o Vizela, mas queria dinamizar aquilo e queria evoluir, convidou-me para ser coordenador de futebol de formação e treinador de sub-19. Tive a felicidade de apanhar jogadores com muita qualidade para aquela realidade, o Moreirense já queria há alguns anos subir ao Nacional e tive a felicidade de subir a equipa ao Nacional.

Correu bem a época.

Mas depois houve alterações na direção, o FC Vizela convidou-me para voltar e treinei mais alguns anos no Vizela. Treinei iniciados, juvenis B, juvenis A e então surgiu um convite para ir para o Al Nassr, da Arábia Saudita. Foi um treinador português que foi para lá e que eu não conhecia.

Como é que ele chama?

Luiz Felipe. Nós não nos conhecíamos e uma pessoa em comum que também entrou no projeto, o Tozé Mendes, sugeriu o meu nome. O Luiz tinha referências minhas e convidou-me. Aquilo correu bem, o Al Nassr tinha dois jogadores nas seleções jovens e nós numa época, principalmente através de muito trabalho de scouting, porque só o treino não faz milagres, tivemos um grupo com nove e outro com onze jogadores nas seleções.

Mas volta para Portugal...

No final da época o Luiz regressou a Portugal para treinar o V. Guimarães B, eu podia ter ficado, o Al Nassr fez-me uma proposta para continuar, mas queria voltar para casa e aceitei o convite para treinar o Vitória em iniciados. Conciliava o futebol com outras atividades, como professor de natação e professor de educação física em escolas primárias e em lares de idosos.

Nessa altura tinha outros trabalhos?

Sim, mas o que queria era o futebol. Tinha sido profissional no Al Nassr e tinha a ambição de voltar a sê-lo. A época de iniciados correu bem, a forma de jogar da equipa era muito boa e a direção convidou-me para coordenar a formação e treinar os juniores. A partir daí acho que a história é conhecida. Estive alguns anos no Vitória e depois fui um ano à Hungria.

Como é que se dá a ida para Hungria?

Eu fiz Erasmus na Hungria enquanto estudava e a minha esposa é húngara. Numa das viagens de férias à Hungria, um dos responsáveis do clube da cidade quis conhecer-me, porque sabia que eu treinava. Fui lá, falámos um bocado e eles convidaram-me para participar num programa de sete semanas de preleções sobre futebol. Expliquei a forma do treinador português trabalhar, correu bem e começaram a surgir propostas da Hungria. Uma delas interessante.

Do Debreceni.

Sim, que é o clube da cidade da minha esposa. Foi juntar o útil ao agradável, queria que a minha filha vivesse algum tempo na Hungria, queria que a minha esposa tivesse a oportunidade de estar perto da família e também acreditava que poderia ajudar o futebol húngaro.

Era coordenador da formação, certo?

Sim. Tive um ano de muito trabalho, tínhamos já muito bons jogadores contratados para época seguinte, mas depois chegou uma altura em que a filosofia era tão diferente que não valia mais a pena. Eu quis vir embora, o clube não me queria deixar, porque a formação do clube pertencia em 33 por cento ao clube, 33 por cento à Universidade e 33 por cento à Câmara Municipal.

E o que é que aconteceu?

Tive uma reunião em que me fizeram uma proposta financeiramente muito boa, aliás nunca mais voltei a ter uma proposta daquelas. Para ser o diretor desportivo e ser o chefe de todo o futebol na equipa principal. Mas eu não estava feliz, o dinheiro não é tudo na vida. O V. Guimarães ia falando comigo, sentiu que eu não estava feliz e eu regressei ao Vitória para coordenar a formação e treinar os sub-23. A partir daí as coisas correram muito bem.

Aliás, vários jogadores que treinou estão agora no plantel principal.

Sim, sim, sim. E estão lá muitos que eu segurei quando podiam sair do Vitória e outros que contratei, juntamente com o departamento de scouting, mas fui eu que liderei o processo. Jogadores que íamos buscar a custo zero e sem grandes contratos na altura, o Vitória gastava muito pouco dinheiro e tinha jogadores muito acima da média. Tanto assim que a maior parte deles estão agora sobretudo nos três grandes, e um ou outro no Sp. Braga. No ano seguinte tive três abordagens de clube de I Liga.

Todas de fora de Portugal?

Sim, todas de fora de Portugal. Em Portugal é mais difícil, já estão os lugares ocupados. [risos]

Talvez a partir de agora não...

Estou a brincar, eu foco-me naquilo que controlo e em dar o máximo. Quando as pessoas são positivas e dão tudo no futebol, acontecem coisas boas. Mas apareceram três propostas de fora e eu aceitei a da Grécia.

Do Panetolikos.

Sim. Mas o nível de organização do futebol grego não é muito alto, não estávamos habituados àquilo e aconteceram algumas coisas más. A equipa até começou muito bem, fizemos um excelente jogo em casa do PAOK, o Abel deu-nos os parabéns, o Vieirinha veio ao nosso balneário dizer que ninguém jogava assim lá. Com o Xanthi perdemos e o treinador disse que não mereciam sequer o empate, agradeci-lhe por essas palavras. Mas aquilo não correu como desejávamos. Chegámos a acordo e eu vim embora. Tudo a bem, felizmente, e mantenho uma excelente relação com eles. Aliás, agora quando fomos campeões o clube pôs uma mensagem nas redes sociais a dar-me os parabéns. O que é ótimo, quero estar bem com toda a gente, é assim que gosto de estar na vida.

Depois regressa a Portugal e surge o Benfica.

Havia outras hipóteses, do estrangeiro, mas quando estás tantos anos na formação e sabes o que é o Benfica, estar de fora e sempre com a curiosidade de como será por dentro, é aquela proposta que não podes recusar.

Mas quando saiu da Grécia foi já a pensar em ir para o Benfica?

Não, não, fui para casa. Estive muito tempo em casa, estava sem clube, depois passado algum tempo foi aparecendo uma coisa, aparecendo outra, nada de mais. Havia ali uma ou duas que me deixaram indeciso, porque já estava há algum tempo em casa. Depois surgiu um contacto do Benfica, porque o Jorge Maciel, que treinava os sub-23, saiu por opção dele. O Benfica é aquele clube que quando bate à porta, que dizer, ainda não bateu, nós vemos pela fechadura quem é e abrimos logo a porta antes de ele bater.

Mas como surgiu o Benfica? Já acompanhava o seu trabalho?

Eu joguei contra o Benfica algumas vezes, em sub-19 e sub-23. No ano dos sub-23 fizemos dois jogos excelentes. As pessoas já me conheciam, estavam interessadas em alguém que tivesse conhecimento da formação em Portugal, eu conhecia praticamente todos os jogadores do Benfica e dos outros clubes, porque tinha sido coordenador. Enfim, foi isso que me explicaram na entrevista, que o meu perfil se enquadrava com aquilo que o Benfica pretendia para um treinador de projeto.

Neste percurso desde lá do fundo nunca teve momentos de desânimo em que pensou deixar o futebol?

Não, nunca, nunca. Podia ter que trabalhar mais horas noutro sítios, podia ter que que trabalhar, como trabalhei, no ginásio ou na natação, mas fosse a ganhar 100 milhões ou a não ganhar nenhum, porque já trabalhei sem ganhar nada, o futebol é aquilo que eu amo e nunca pensei em desistir. No Vitória eu tinha mais do que uma função, saía de casa de manhã e chegava às dez da noite, onze, e às vezes duas e três da manhã, sem feriados nem fins de semana, porque trabalhava sete dias por semana, todas as semanas. Tinha uma semana de férias por ano, talvez. A minha esposa muitas vezes dizia-me ‘são dias a mais’ e ‘podes vir embora às seis horas ou às sete, não tens que ficar lá até às dez’. Eu, em brincadeira, mas também a sério, dizia-lhe: ‘Eles pegam-me salário para oito horas, a partir dali é hobby. Tu preferes que eu esteja lá como hobby ou preferes que vá beber umas cervejas ou vá para o casino jogar?’

E a sua mulher?

Ela ria-se. Dizia ‘tu és impossível’ e compreendia. Eu amo o futebol e adoro ver jogadores que treinei, e que ajudei a evoluir, agora estarem no futebol profissional, na I Liga ou no estrangeiro. Agora quando ganhámos a Youth League recebi muitas mensagens importantes, recebi uma especial, de uma pessoa especial, porque tocou no meu pai, que era tudo para mim. Mas com respeito por toda a gente, receber mensagens de jogadores que treinei há vinte anos a dizer ‘eu sabia’, ou ‘tu mereces’, ou ‘nós sempre soubemos’, ou ‘nós sempre falamos entre nós queria tu ias chegar longe’, jogadores que estiveram no meu primeiro título, foi especial.

Qual foi o seu primeiro título?

Foi no Moreirense, campeões de sub-19, quando subimos aos Nacionais. Até lhes disse para marcarem um jantar que eu vou. ‘Mister, diga quando estiver cá cima’. Jogadores que não estão no futebol profissional, têm os seus empregos normais. Sem esses jogadores do FC Vizela, do Moreirense, do Al Nassr, eu não estava aqui.

Deve ter um enorme orgulho no seu trajeto, que começou lá no fundo, licenciou-se em Bragança e teve de competir com outros formados no FCDEF ou na Faculdade de Motricidade Humana...

Tenho um orgulhlo tremendo no meu percurso, sobretudo porque eu não caí de paraquedas. Sem desprimor nenhum, porque cada um tem o seu percurso, mas sabemos que há pessoas que de um dia para outro estão num patamar muito alto. Ou porque jogaram e têm essas valias, e eu respeito, ou porque têm um empresário que os consegue colocar, ou porque o pai ou tio têm influência. O meu pai não queria que eu andasse no futebol. Aliás, eu era fanático pelo futebol e quando tinha 14, 15 e 16 anos o meu pai dizia-me para estudar que o futebol não me daria de comer. ‘Eu proíbo-te de ver futebol, isso é doentio’. Ou seja, orgulho-me muito do meu percurso, subi um degrau de cada vez. Espero atingir mais objetivos, mas aconteça o que acontecer vou continuar naquilo que amo que é o futebol. E se tiver que voltar a ter outro emprego, mas continuar ligado ao futebol e poder ajudar miúdos, sem problema nenhum. Ontem estivemos com crianças de dez e onze anos da Escola de Futebol Benfica, eu adorei ver o sorriso deles, a forma como brincam com a bola. Não teria problemas em voltar um dia a trabalhar com essas idades.

Disse que já foi mais romântico na sua forma de jogar. Porquê?

Porque todos na vida passamos por períodos de maturação. Havia jogos em que tinha 70 e 80 por cento de posse de bola. Gostava de fazer 40 passes até chegar à baliza, gostava de ver a minha equipa a dominar, tinha prazer nisso. O momento mais forte nas minhas equipas era sem dúvida nenhuma a organização ofensiva.

Isso era em que fase da sua carreira?

Nos sub-23 do V. Guimarães ainda era assim. Se calhar a Liga Grega também me ajudou a perceber que existem outras formas de ver o futebol. Eu próprio também fui percebendo outras coisas e tornando-me cada vez menos romântico. Este ano tivemos jogadas de mais de um minuto com posse de bola e a acabar com o golo, mas também tivemos outro tipo de jogadas. Tivemos bolas paradas, somos mais agressivos defensivamente. As grandes equipas a nível mundial neste momento têm que ser fortes em todos os momentos. Da mesma forma que já não há jogadores que não possam defender, e havia há uns anos, também já não há equipas que se possam dar ao luxo de não serem competentes em todos os momentos.

Por exemplo, o terceiro golo frente ao Sporting na Youth League foi uma transição rápida.

O primeiro rodámos a bola, circulámos, foi uma jogada elaborada. O segundo também foi uma jogada elaborada, que acaba até com o lateral esquerdo muito subido, porque já estávamos há algum tempo com bola. Mas o terceiro golo foi diferente e se calhar esse terceiro golo numa equipa minha de há quinze anos não ia acontecer.

Quais são as bases táticas do Luís Castro treinador?

Gosto de dominar o jogo, gosto que a minha equipa seja dominante, agressiva na pressão e que saiba ter bola, mas que seja uma posse que provoca alguma agressividade e que seja ofensiva. Ter bola quando temos que ter, mas se houver espaços para explorar temos que saber explorar esses espaços. É fundamental para mim que todos os jogadores estejam envolvidos no processo, que toda a gente se sinta útil, que toda a gente perceba que se trabalhar no limite terá a sua oportunidade. E podem falhar muitas coisas, podem falhar um golo, podem falhar um passe, mas não podem falha na atitude e no caráter dentro de campo.

É aquele treinador que pensa muito nos exercícios de treino?

Sim, todos os treinadores que pensam. Há exercícios básicos, que já me acompanham há algum tempo, mas todos os anos aparece mais um ou outro novo. O que acontece muitas vezes é quando vemos alguma coisa no jogo que está mal e queremos melhorar, tentamos de ir buscar um exercício que provoque algo positivo naquela situação do jogo. Também posso dizer-lhe, por exemplo, que eu tinha um exercício que já fazia há muito tempo, que acho que é ótimo e ainda continuo a fazer. Cheguei ao Benfica e quando estávamos a planificar treinos, eu expliquei aquele exercício, mostrei o exercício, e o Jorge Cordeiro, que felizmente continua a ser meu adjunto, disse-me: ‘Não achas que aqui podíamos fazer isto diferente neste aspeto, porque se o jogador sair assim era mais uma situação de jogo’. E atenção, é um exercício que já fazia se calhar há dez anos. Eu pus-me a olhar para o exercício e disse: ‘Fogo, tu só me apareceste agora... Já podias ter aparecido há mais tempo’. E aquele exercício que já era muito bom, agora está muito melhor. Eu penso em exercícios, discuto com eles e muitas vezes melhorámos o exercício.

Gosta de trabalhar em equipa?

Ninguém vence nada sozinho. Confio muito na minha equipa técnica. Dou muita liberdade e gosto de ouvir a opinião deles. Posso dizer, por exemplo, que eu não faço o onze titular sozinho. Eu tenho o meu onze, cada um dos meus adjuntos também faz o seu onze e nem sempre, embora na maior parte das vezes se calhar o seja, mas nem sempre o onze que escolho é o meu. Depois debatemos, porquê este e porquê aquele. Acho que isso é uma das maiores bases. Depois outra coisa importante para mim é ter o foco total naquilo que controlo. Não estar muito preocupado com as coisas que estão à volta, o que eles vão dizer e o que será que agora pensam de mim. Não penso nisso, porque muitas vezes perde-se o foco naquilo que podes fazer de bom.

Tem algum treinador modelo ou em quem goste de se inspirar?

Penso que para as pessoas da minha idade a referência número um era o Mourinho. Depois já estive muito apaixonado pelo Guardiola, sobretudo nos tempos do Barcelona. Neste momento acho que gosto de ver um bocadinho de cada um, gosto de ver de toda a gente um pouco e aprender com todos. Quando Veríssimo estava na equipa B, em primeiro lugar e a fazer um grande campeonato, fui ver um outro treino, houve uma outra questão e falámos sobre isso.

Sente que esta é a altura certa para dar o salto na sua carreira?

Eu não posso saltar muito, tenho um problema num ligamento cruzado do joelho. Mas não estou preocupado com isso. Se tiver que acontecer, vai acontecer. Eu sei que estou com uma visibilidade enorme, não posso deixar-me embebedar por isso. Sei também que todos os vencedores da Youth League melhoraram a sua carreira, porque é uma prova com uma visibilidade enorme, em que estão as melhores equipas do mundo e os melhores jogadores da Europa. Um diretor do Salzburgo veio ter comigo ao hotel e disse-me ‘nós já jogámos contra equipas de todo mundo, estamos em todos os torneios internacionais e nunca passámos por isto’. É claro que ouvir isto de alguém que está no processo é gratificante e é sinal de uma visibilidade enorme. Mas não sei se vou dar o salto e não estou preocupado com isso.

Mas já disse que nesta altura é o melhor treinador da Europa de sub-19. É normal o melhor treinador da Europa de sub-19 ter ambição…

Eu sou ambicioso e as coisas têm chegado até mim. Mas eu não vou andar atrás de ninguém, nem atrás de nada, nem atrás de contrato, nem atrás de clubes. Vou estar como sempre estive a trabalhar e acredito que as coisas vão chegar até mim. Se me perguntar se sou ambicioso? Sou. Se sou o melhor treinador da Europa do sub-19? É um facto. Neste momento é um facto. Assim como os meus jogadores neste momento são os melhores da Europa de sub-19. Por isso como treinador não posso estar com falsas modéstias. Sem nunca esquecer que este foi um trabalho do Benfica, de toda a gente desde o segurança que nos abre a porta às pessoas que nos servem as refeições. Tenho os melhores jogadores da Europa e posso dizer-lhe desde já que eu não contratei nenhum. Por isso alguém os observou, alguém os contratou e alguém os trabalhou antes de mim. Mas não posso ter falsa modéstia e, sim, acredito que fiz um excelente trabalho.

E onde fica o Benfica no meio da sua ambição?

O Benfica tem a melhor formação do mundo. É o clube com mais jogos na Youth League, é o clube com mais finais e é o clube com mais final-four. Só não é o clube com mais troféus. Por isso estou muito bem, tenho os melhores e trabalho com os melhores. Mas também tenho a noção que o Benfica é o clube com mais jogos na Youth League, mas em duas edições eu fui a duas finais. Por isso, também acho que acrescento ao Benfica e acho que Benfica acredita nisso. Eu gosto de estar cá, da parte do Benfica acredito que querem que continuemos e tudo a seu tempo.

 

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