Conceição: «Não me passa pela cabeça ser presidente do FC Porto»

9 jun, 21:23
FC Porto-Boavista (Manuel Fernando Araújo/Lusa)
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Apesar da ligação «umbilical» aos dragões, o técnico não imagina esse cenário

Depois de sair do Futebol Clube do Porto, de forma atribulada, Sérgio Conceição guardou para si as palavras. Nunca comentou a forma como deixou o clube, na sequência das eleições que levaram ao fim do «reinado» de Pinto da Costa e à entrada de André Villas-Boas, muito menos a forma como foi substituído pelo seu antigo adjunto, Vítor Bruno.

Em sete temporadas nos Dragões tornou-se no treinador mais titulado da história do clube, cultivou uma imagem de técnico astuto, capaz de anular equipas teoricamente mais fortes, de montar equipas competitivas com poucos recursos, mas também de ser humano temperamental.

Sete temporadas em que não vestiu apenas a pele do FC Porto, vestiu mesmo a pele do clube. No fundo, garante, como fez em todos os clubes que representou. Mas a intensidade da passagem pelo Dragão foi tal, que dificilmente se imagina a treinar outro dos grandes em Portugal.

Esteve em Itália, no Milan, e na Arábia Saudita, no Al-Ittihad. Em ambos os casos, apanhou «o comboio em andamento», entrou a meio da época em momentos complicados. Ganhou e perdeu. Lutou. A sua imagem de marca.

Esta entrevista foi feita no dia em que passavam precisamente dois anos da saída do FC Porto. Revisitar o tema era obrigatório. Mas falou-se de muito mais: do ser humano, das origens, da família e do futuro. Que deve passar pelo estrangeiro.

Entrevista a Sérgio Conceição: parte VIII

A ligação ao Futebol Clube do Porto, que descreve como «umbilical», a forma como saiu do Dragão, há dois anos, faz com que surjam rumores de que poderá ser candidato a umas eleições do clube, que tenha a ambição de ser presidente da instituição.

Sérgio Conceição diz que não faz planos a longo prazo e que, no imediato, o cenário não lhe passa pela cabeça.

 

MF: Depois de tudo o que viveu… Costumo dizer que aos 50 anos é aquele momento da vida em que a campainha toca e diz «e agora o que é que vou fazer a seguir?»… Não pensa em ser presidente do Futebol Clube do Porto?

Sérgio Conceição: A Sandra tem aí uns trunfos na manga…

É uma pergunta que seguramente muita gente faz.

Mas eu, sinceramente, não penso… quer dizer, não tenho um pensamento a longo prazo.

Mas é uma ideia que nunca lhe passou pela cabeça?

Não, não me passou pela cabeça, sinceramente.

Mas também não diz nunca.

Não, mas eu ouço - e vamos ouvindo, não é? Porque hoje é fácil ouvir opiniões, com a dimensão que ganharam as redes sociais… Enfim, ouço determinadas situações, mas não, não pensei, não penso num futuro próximo, não.

E num futuro mais alargado?

Não sei, sinceramente, não sei. Eu vivo de tal forma intensa e apaixonada o meu dia-a-dia, a relação com a minha profissão é tão intensa, tão forte, com a minha família, com aquilo que é também o meu grupo de amigos, que pensar a médio prazo já me custa, imagine, a longo prazo.

Por isso, é algo que não me passou, nem me passa pela cabeça no momento.

Quando terminar a carreira, qual é a memória que quer que fique? Quer ser recordado como?

A palavra que me vem à cabeça quando me faz a pergunta é «lutador». Lutador. Eu lutei. Continuo a lutar muito. Muito! Na minha vida, na minha profissão, continuo a lutar muito.

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