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Cláudio Braga demolhou na terra do bacalhau e agora é ídolo no líder da Escócia

19 nov 2025, 23:50
Cláudio Braga (Paul Devlin/SNS Group via Getty Images)

Número 10 do Hearts está, aos 26 anos, a viver a primeira temporada numa primeira divisão e os adeptos do clube já lhe dedicaram um cântico que viralizou. Em 2022 trocou o quarto escalão de Portugal, o mais alto patamar que alcançou por cá como sénior, pela terceira divisão da Noruega, onde cresceu como jogador

O mundo do futebol é um lugar de incertezas, mas quando toca a antecipar campeões torna-se previsível. É assim com os três grandes em Portugal, com os gigantes Barça e Real Madrid em Espanha, com o Bayern Munique na Alemanha ou com o Paris Saint-Germain em França, com uma ou outra rara intromissão ousada pelo meio.

Na Escócia, então (!), nem se fala. Nas últimas 40 temporadas (sim, qua-ren-ta!), Celtic (22) e Rangers (18) dividiram entre eles todas as edições da Premiership. E desde 2017/18, quando o Rangers ainda se recuperava de uma falência que o obrigou a começar de novo desde as profundezas do futebol escocês e o Aberdeen foi segundo atrás do Celtic, que ninguém mete a colher entre católicos e protestantes.

Em Edimburgo, capital desta orgulhosa nação britânica, há uma equipa que desafia o Old Firm: o Hearts, equipa fundada em 1874 e que não conquista o título desde 1960, lidera o campeonato com sete pontos de vantagem sobre o tetracampeão Celtic e 12 sobre o Rangers.

E um dos jogadores mais valiosos do plantel é português: Cláudio Braga, que em 2022 deixou para trás um salário mínimo no Campeonato de Portugal e rumou à Noruega em busca de novas oportunidades num clube do terceiro escalão local. Subiu de divisão, mudou de equipa e foi lá que o Hearts, auxiliado por um programa de inteligência artificial ao serviço do scouting, o descobriu no Aalesund.

Cinco meses depois de aterrar na Escócia e três após o arranque da temporada, o avançado de 26 anos leva nove golos em 17 jogos e tornou-se num dos ídolos dos fãs do Hearts, que criaram para ele uma música inspirada em Radio Ga Ga, tema inconfundível dos Queen. A SPORTbible, comunidade com milhões de seguidores nas redes sociais (14 milhões no Facebook e quase 8M no Instagram), tratou de viralizar o tema que o número 10 ouve no Tynecastle Stadium e até nas ruas de Edimburgo quando é reconhecido.

Maisfutebol – O Hearts está na liderança com sete pontos de vantagem sobre o campeão Celtic quando na época passada não foi sequer à fase de apuramento do campeão. O que é que está a passar-se na Liga escocesa esta época?

Cláudio Braga – O Hearts tem muitos jogadores novos e a mistura de uma lufada de ar fresco com os que estavam cá, a chegada de um novo treinador e a definição de novos objetivos para o clube com a entrada de um novo acionista deu-nos, até pelo que os escoceses dizem, uma das melhores equipas que o Hearts teve nos últimos anos. Temos jogadores que entraram e que pegaram logo de estaca, outros que são suplentes nos jogos, mas que ajudam sempre, e os que já estavam cá ajudam a conhecer o que é o futebol escocês. Quando fomos jogar ao Rangers lembro-me de ter sido tema que o Hearts não ganhava em casa deles há muito tempo [n.d.r.: 18 jogos desde 2014] e os escoceses da nossa equipa estavam bastante mais preocupados com esse jogo do que os estrangeiros. Para nós, era sobretudo uma motivação jogar contra o Rangers e não uma preocupação. E nós, estrangeiros, trouxemos algo que faltava. Temos um grupo equilibrado, com pessoas cinco estrelas, e isso faz a diferença.

Esse novo acionista de que falou é o Tony Bloom, dono do Brighton & Hove Albion e acionista do St. Gilloise, que foi na última época campeão belga pela primeira vez em 90 anos. O Cláudio não estava aí no ano passado, mas pelo que lhe contam quais foram as grandes mudanças ao nível do projeto desportivo do Hearts?

Principalmente no scouting e nas contratações. O resto eu acredito que seja à base do mesmo, mas o trabalho de scouting mudou. As contratações são feitas através de um programa chamado Jamestown Analytics.

Foi assim que o Cláudio foi contratado?

Sim. Eu e todos os jogadores que foram contratados este ano. Aliás, os jogadores do Hearts só podem ser contratados assim. Tem de haver primeiro uma boa avaliação no programa, que dá pontos a cada jogador acima de 3 mil minutos e depois ele avalia, por posição, quem melhor se encaixaria. E depois veem, por exemplo, as nossas vidas pessoais, analisam se a nossa personalidade vai fazer bem ao grupo e olham não só para o nosso nível futebolístico, mas também para o potencial futuro. Acho que um olho humano não me iria buscar à segunda divisão norueguesa, mas tive a sorte de ter boa pontuação no programa.

Mas depois há sempre o olho humano para verificar todos esses dados, certo?

Sim, sim. Por exemplo: entre milhares de jogadores há um filtro que se transforma numa lista de quatro ou cinco e depois esses são analisados mais ao detalhe pelos elementos do scouting, que escolhem quem mais se adequa ao clube.

Quando é que soube do interesse do Hearts?

Marquei bastantes golos na segunda metade da época passada e o interesse do Hearts aparece em dezembro, que é quando acaba a época na Noruega. Mas não aconteceu nada até a janela fechar em janeiro.

Isso mexeu consigo?

Já estava a dar em louco [risos]. Mas como a época do Hearts não estava a correr tão bem, eles preferiram esperar pelo fim da época para começar do zero. Eu pensava mesmo que ia para lá em janeiro, mas o meu clube também não queria vender-me porque queria apostar para subir. Mas acabou por acontecer agora no mercado de verão, que na Noruega é o meio da época. Fiquei seis meses um bocado na expectativa, mas acabou por dar certo.

O que é que lhe disseram para o convencer e com que expectativas se transferiu?

Mal ouvi o nome do Hearts fiquei logo muito curioso e quis mesmo que o interesse fosse verdadeiro. Percebi que sim, mas não esperava que fosse tão grande e isso fez-me querer vir ainda mais, porque uma coisa é ir para uma equipa como mais um e outra é ir como uma aposta. E deixou-me muito feliz sair da segunda divisão da Noruega para uma equipa tão grande de uma primeira liga como aposta. Foi das coisas que mais vontade me despertou de vir para cá. Sempre que falavam comigo, e pelo esforço que fizeram ao alinharem sempre os valores com o que o Aalesund foi pedindo por mim, passaram claramente a mensagem de que havia um grande interesse e de que seria uma aposta.

No início da época, quais eram os objetivos do Hearts?

O objetivo principal era terminar no top-5, que permite jogar as competições europeias. Depois, houve também o objetivo de ficar em terceiro lugar, que é uma posição que o Hearts já ocupou muitas vezes. Raramente se separa a chamada Old Firm, do Rangers e do Celtic. Mas esse terceiro lugar era algo mais falado entre os jogadores.

E agora?

Agora o objetivo passa a ser um bocado diferente. Não estou a dizer que é ser campeão, porque não podemos ainda pensar tanto à frente.

E não querem pôr essa pressão em vocês, acredito.

Não faz sentido. Há muito barulho vindo de fora, dos jornais e nas conversas dos adeptos, sobre esse tema do título, mas dentro do balneário tentamos ao máximo deixar essa pressão para o Celtic e para o Rangers. Para já, é deixar as coisas fluírem jogo a jogo. É muito difícil, mas é muito importante para que tenhamos calma, os pés assentes no chão e que continuemos a jogar o nosso jogo.

Até porque o histórico dos últimos 40 anos prova a dificuldade que é lutar contra essas duas equipas. Desde o Aberdeen de Alex Ferguson ainda na década de 80 que não há outro campeão que não o Celtic ou o Rangers.

É mesmo isso. Desde ele que não aconteceu. É muito difícil porque são equipas que também por irem às competições europeias tiveram sempre capacidade para fazer um investimento muito maior do que as outras. Apesar de, agora que vim para cá, ver que realmente há competitividade, apesar desse “gap” a nível de investimento.

Mas sente que neste momento, além dos media e dos adeptos, o Celtic e o Rangers olham também para o Hearts de outra forma? Pelo que vi, as duas equipas já mudaram até de treinadores este ano, o que sugere que vocês estão a causar-lhes alguma preocupação.

E esses dois despedimentos foram praticamente a seguir aos jogos connosco, que ganhámos. Acredito que eles têm mesmo de olhar para nós de outra forma, porque estamos no primeiro lugar, mesmo que não pensemos em ser campeões. Mas de certeza que no veem com outros olhos mesmo que digam que não. E até as outras equipas olham. Por exemplo, jogam mais na expectativa contra nós, deixando-nos assumir os jogos.

Jogam contra o Hearts como jogam contra o Celtic ou o Rangers?

Um bocado. Nós já provámos o que podemos fazer e que podemos ser uma equipa muito boa. E isso faz com que todas as equipas do campeonato nos estudem um bocadinho mais.

Além das vitórias sobre o Rangers (2-0 fora) e sobre o Celtic (3-1 em casa), que são a prova de uma grande época, o Hearts também venceu o Hibernian, que não é um adversário qualquer. É o vosso grande rival de Edimburgo.

Sim. Ganhámos esse jogo por 1-0 com um golo aos 92 minutos. Foi sem dúvida a melhor atmosfera que já vivi num jogo de futebol. Aqui na Escócia, o Hearts e o Hibernian são as únicas equipas que dão uma bancada inteira uma à outra. O ambiente nos estádios fica fora do normal, porque a bancada toda atrás do guarda-redes é ocupada pelos visitantes. Isso dá um ambiente espetacular ao jogo. Eu não tinha noção da dimensão desta rivalidade entre o Hearts e o Hibernian, que também é visível também nas ruas, e agora vivo-a muito mais. Acho isso engraçado.

E o Cláudio é muito abordado na rua?

Cada vez mais. Na pré-época só às vezes, mas depois comecei a ser abordado com frequência. Gosto muito, mas é estranho [risos]. Já me acontecia isto no meu anterior clube na Noruega, mas numa escala diferente, porque estava numa cidade muito mais pequena. Aqui estou na capital de um país.

E já lhe aconteceu ir na rua e de repente começar a ouvir adeptos a entoarem o cântico que criaram para si?

Bastantes vezes [risos]. Acho que isso acontece mais vezes do que a primeira frase ser um «Olá Cláudio, tudo bem?» Até já pararam os carros. Acontece regularmente [mais risos]. Gosto muito disso, porque é gratificante sentir que valorizam o que eu estou a fazer. Por outro lado, não me sinto mais ou menos do que os outros. É estranho, mas é muito gratificante ver que as pessoas olham para mim com olhos diferentes e tento retribuir-lhes nesses momentos.

Nove golos em 19 jogos, melhor marcador do campeonato escocês só atrás de um companheiro de equipa, melhor jogador da prova em outubro. É escusado perguntar se está a viver a melhor fase da carreira?

Sem dúvida! Não só por ter cumprido o sonho de jogar numa primeira liga, que é o ponto mais alto em que estive até agora, mas também por estar a correr tão bem individualmente e coletivamente. Acredito que se coletivamente as coisas estivessem a correr mal, o individual também ficaria muito aquém. Mas, estando a correr tudo bem, é muito bom ir treinar e ir para os jogos. Torna-se tudo mais fácil. Até já há pessoas a falar na Seleção.

E o Cláudio?

Para mim é um objetivo claro, mas tento levar as coisas dia a dia. É estranho pensar que há pessoas que podem equacionar essa possibilidade. Chegar à Seleção é o meu maior sonho. Sempre trabalhei por isso, mas esta época, pelo que tenho estado a fazer, tornou-se um sonho muito mais presente. Tinha esse sonho, mas não era muito palpável. Hoje em dia, a Seleção tem jogadores do top-5 do Mundo naquela posição, mas se eu saí da segunda divisão da Noruega para aqui, que foi um salto enorme, por que não acontecer outra vez a mesma coisa? É para esses saltos que eu trabalho.

E como é que se define enquanto jogador?

Sou mais aquele «vagabundo». Nós jogamos com dois avançados. Temos o [Lawrence] Shankland, o capitão, que é um avançado mais fixo: um nove, muito bom de costas para a baliza e a finalizar. Eu sou muito mais móvel. Joguei grande parte da minha carreira a extremo e, por isso, sou mais de um para um, de vir buscar e ir embora, de esticar o jogo para a equipa e de procurar espaços no meio.

Antes do Hearts esteve três anos na Noruega, onde chegou para jogar no Moss, uma equipa da terceira divisão…

Muito resumidamente, eu estava no Vila Meã, uma equipa do Campeonato de Portugal. Já tinha feito algumas épocas boas a nível individual no Campeonato de Portugal – não tanto coletivamente, também porque nunca tinha estado numa equipa que lutasse para subir – e até sentia que estava a fazer épocas boas, mas nunca aparecia nada por exemplo ao nível de uma Liga 3. Apareciam interesses, mas nunca coisas concretas. Seis meses antes de eu ir para a Noruega, os meus empresários falaram-me de uma possível ida para um clube terceira liga da Noruega. Disseram que podia ser bom mudar de ares e arriscar. Ia fazer uns testes e nem sabia quanto ia receber.

E o Cláudio?

Olhei para eles e disse-lhes que eram malucos. Sair do Campeonato de Portugal e ir para uma terceira liga da Noruega não era uma grande diferença. Confesso que também não olhava para o país, em termos de futebol, com bons olhos. Não me fazia sentido e ainda menos fazia sem saber quanto ia receber, como eram as condições e se tinha ou não casa. Nos seis meses seguintes eles continuaram a dizer que eu ia conseguir destacar-me por ser um jogador diferente: «Tens o Fator-X, eles são muito robóticos e por isso as pessoas vão olhar mais para ti.»

E acabou por ir…

Em janeiro de 2022 acabei por aceitar. Estava a jogar no Vila Meã, as coisas estavam a correr-me bem individualmente, mas sentia-me um bocado frustrado por não acontecer nada para que mudasse de rumo. Decidi arriscar e a pior coisa que me podia acontecer era voltar para casa e arranjar outra equipa no Campeonato de Portugal. Fui, fiz testes, fiquei no Moss e fomos campeões no primeiro ano, o que nem estava previsto. Subimos à segunda liga e o segundo ano também correu super bem. Fiquei no onze da liga e tinha perspetivas de subir para uma primeira liga, o que não aconteceu. Apareceu o Aalesund, que foi a única equipa que apresentou o valor para pagar por mim. Era uma equipa que tinha descido da primeira. Eu não estava muito inclinado, porque queria jogar numa equipa da primeira liga, mas acabou por acontecer e fui muito feliz lá. O Aalesund era uma equipa muito profissional, com condições de primeira liga, mas a jogar na segunda. Os primeiros seis meses não correram tão bem coletivamente, mas a segunda, depois de uma mudança de treinador, correu super bem.

E como era o nível do futebol numa segunda divisão da Noruega?

Era bom. Acho que as pessoas podem como eles são pelos jogadores escandinavos que vieram para a Liga portuguesa. Há muitos jogadores com muita qualidade. São jogadores certinhos: o treinador diz para fazerem «isto» e eles fazem. São muito disciplinados. Em Portugal já é diferente. O treinador diz para se fazer de uma forma e faz-se só mais ou menos o que ele diz. E esse sempre foi o meu caso. Eles são muito bons no simples: no passe e na receção. No simples, eu sentia que eles eram bem melhores do que eu. Acabei também por crescer muito, porque o que me faltava mais era conseguir fazer bem o simples e perceber a eficácia do futebol. Juntei ao tal «fator-X a eficácia e a simplicidade.

Pelo Moss, equipa para a qual se transferiu em 2022 e que ajudou a subir à segunda divisão da Noruega (arquivo pessoal)

Foi por lhe faltar isso que não conseguiu dar o salto desejado em Portugal e subir a um patamar acima do quarto escalão?

Em Portugal há muitos bons jogadores em termos de qualidade técnica. Falando por mim, eu sentia-me frustrado, mas hoje, olhando para trás, reconheço que talvez não merecesse assim tanto ter essas oportunidades. Faltava-me eficiência e maturidade. Eu era um extremo que driblava muito e que fazia alguns golos, mas não havia grandes números e eficácia no que fazia. Era capaz de dar duas cuecas e depois perder a bola. E, para mim, estava top, incrível. Nunca conseguiria aprender em Portugal o que aprendi na Noruega.

E que foi?

Que o futebol é muito mais do que coisas bonitinhas e vídeos para os highlights de fim de ano. Acho horrível que se retire a beleza do futebol, mas é importante juntar essa parte à eficácia. Acredito que não aprenderia isso tão rapidamente em Portugal, onde é dada muita liberdade aos jogadores. Foi por isso que eu não subi tanto. Achava que era muito bom, mas se calhar não era assim tão bom, porque o futebol é números. Eles gostavam de mim e eu gostava muito deles, mas discuti muito com os meus treinadores na Noruega. Havia aquela faísca, porque estavam habituados a ter jogadores que faziam o que eles queriam e eu estava habituado a ter liberdade. Tive grandes lutas, mas cresci muito a levar esses raspanetes. Acredito que isso faz falta a muitos jogadores em Portugal.

Pelo Ideal, equipa açoriana da Ribeira Grande (arquivo pessoal)

Em Portugal, antes de sair para a Noruega, chegou a ter de conciliar o futebol com alguma outra profissão?

Não. Nos primeiros dois anos como sénior não dava para me sustentar, mas vivia em casa dos meus pais e isso ajudava. Depois passei a receber o ordenado mínimo. Continuava a viver em casa dos meus pais e conseguia ajudá-los, mas ia ser complicado receber o ordenado mínimo no futebol até ao fim da carreira.

E foi sempre assim até ao Vila Meã, o último clube que representou em Portugal?

Sim. No Vila Meã recebia 700 ou 800 euros. No Ideal, dos Açores, e no Fátima tinha casa incluída e almoço e jantar. Para um jovem de 20 anos, dava perfeitamente para viver.

Mas a frustração que reconheceu que chegou a sentir nunca o fez pensar em deixar o futebol? Ou em conciliá-lo com outra atividade?

Nunca pensei em desistir. Sempre acreditei que poderia viver a 100 por cento do futebol. O futebol sempre foi o meu plano A. Quando ainda estudava, lembro-me de ter dito aos meus pais que ia acabar a escola, mas não ia para a faculdade. Nunca tive um plano B. Ou ia ser futebolista ou ia ser trolha. Das duas, uma [risos]. Tive momentos muito frustrantes, mas nunca pensei em desistir. Graças a Deus, sempre tive um background de família que me fez ter os pés assentes na terra. Criticaram-me quando sentiram que assim tinha de ser e ajudaram-me quando sentiram que foi necessário. Sou muito grato por isso.

Quem é que lhe incutiu essa mentalidade de seguir em frente e de insistir mesmo quando as coisas não estavam a acontecer?

Toda a gente da minha família. O meu pai mais no futebol e a minha mãe na escola. Mas o meu pai levava-me aos treinos todos. Não me deixava falhar com nada no que tocasse ao futebol. Apesar de ter pouquíssimas posses, sempre deu tudo dele para eu seguir com o meu sonho. Às vezes fazia três golos num jogo e vinha no carro 30 ou 40 minutos a levar na cabeça porque havia momentos em que podia ter feito melhor as coisas ou não tinha dado 100 por cento. Mas também elogiava quando tinha estado bem. Tudo isso faz-me, hoje, dar sempre 100 por cento nos jogos mesmo quando as coisas estão a correr mal e a ter sempre os pés no chão. Aprendi isso com a minha família: pés no chão e humildade são a base de tudo, caso contrário não vamos a lado nenhum.

O facto de ter passado pelas formações de clubes como o Boavista, o Rio Ave e o Paços, clubes com história em Portugal, também contribuiu para a formação dessa mentalidade?

Acredito que sim. Apesar de num ou dois anos no Rio Ave, num em Paços de Ferreira e noutro no Boavista as coisas não terem corrido bem, porque quase não jogava. Mas foi sempre bom ter essa noção de que, estando a competir com os melhores, também podia dar para mim.

Cláudio Braga a celebrar um golo pelo Hearts com o icónico «siiiiuu» de Cristiano Ronaldo 

Quais são as suas grandes referências no futebol? Reparei que celebra os golos à Cristiano Ronaldo e que não é só de agora.

Sim. Desde que fui para a Noruega que o faço. Para representar Portugal e o expoente máximo da nossa Seleção. Metade do Mundo reconhece o Ronaldo como um português e Portugal por ser o país do Ronaldo. É claramente uma grande referência em termos de disciplina e foco. Não é por acaso que em 20 anos de carreira esteve sempre a alto nível e que nunca se lesionou gravemente: isso só é possível para quem se cuida. E ele e também o Messi conseguiram algo quase impossível e que será muito difícil voltar a acontecer.

O Cristiano é a sua grande referência no futebol?

Em termos de disciplina, sem dúvida.

Confessou acima o desejo de chegar à Seleção. E chegar lá ainda com Cristiano Ronaldo?

Claro! Por muito que as pessoas digam que já está velho, eu acho que é sempre diferente tê-lo na Seleção. Até para as pessoas novas que lá chegam, como por exemplo o Carlos Forbs, que foi agora chamado pela primeira vez: de certeza que ele pensou «está aqui o Ronaldo!». É óbvio que seria algo incrível. Ele já disse que vai jogar, no máximo, mais um ou dois anos. Vamos ver, mas com ele ou com outros representar o meu país seria algo fora do normal.

«I sit alone, and watch your light,

And dream about European nights,

And everything, we need to know, our number 10 … is Claudio

You remind me of those all-time stars and every hero to play for Hearts,

You make us laugh, you make us cry, you make us feel like we can fly,

And you fill us, with so much joy, scoring goals for the Gorgie boys,

And so you know, we’ll always care and we’ll complain when you’re not there,

You have the pace, you have the power,

You’re yet to have … your finest hour… CLAUDIOOO

All we need is CLAUDIO BRAGA,

CLAUDIO BRAGA

CLAUDIO BRAGA

All we need is CLAUDIO BRAGA»

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