Carlos Vinícius: «Estava morto e enterrado para o futebol»

19 nov, 23:01

Entrevista exclusiva ao avançado brasileiro que está emprestado (com obrigação de compra) pelo Benfica ao PSV

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Carlos Vinícius quase desistiu do futebol. Depois de rodar por alguns clubes no Brasil, incluindo nas camadas jovens de Santos e Palmeiras, e experimentar várias posições em campo, como central e trinco, chegou mesmo a avisar os familiares e amigos mais próximos que estava decidido a deixar o sonho de criança de lado. Mas então surgiu a oportunidade de ouro na sofrida (e curta) carreira: o Real Sport Club, de Massmá.

Da Bom Jesus das Selvas, no Maranhão, para Portugal. Do Brasil para o mundo... da bola: Rio Ave, Benfica, Nápoles, Monaco, Tottenham e, agora, PSV, onde tem a complicadíssima missão de, depois dos ídolos Romário e Ronaldo Fenómeno, ser o novo brasileiro sensação do ataque.

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Ainda coloca as chuteiras para esquentar no micro-ondas?

[Risos] Essa história aí do micro-ondas é verdadeira. Não, já não coloco. Depois do que aconteceu da primeira vez, já não coloco e nem passo essa ideia para ninguém.

Já passou por Portugal, Itália, França, Inglaterra e, agora, está na Holanda. Aquele miúdo lá de trás, nascido na pequena Bom Jesus das Selvas, no Maranhão, imaginou viver tantas experiências em tão pouco tempo?

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Não, não. Sonhava em ser jogador de futebol, mas não com uma história desta. Muitas das vezes, paro e penso que tudo é um sonho. Na verdade, muitas das coisas que aconteceram na minha vida são melhores até do que nos meus sonhos. Sempre que vou para a minha cidade, passa um filme na minha cabeça. Para chegar onde cheguei, é algo mesmo... é de Deus.

Percebe-se perfeitamente que tem uma carreira de muitos sonhos realizados. Mas quantos «pesadelos» teve pelo caminho?

Sim. O primeiro pesadelo foi quando estava no Grêmio Anápolis, que tem um projeto top. É um projeto muito top, destaco sempre isso. É o clube brasileiro que mais envia jogadores para a Europa. Porém, do ponto de vista individual, a coisa não estava a correr bem. Ali, então, tive o primeiro pensamento de desistir. Não tinha dinheiro, já tinha um filho para criar, a minha esposa... a minha vida desportiva e financeira não tinha andamento. Pensei: 'Não, isto aqui não é para mim. Vou parar, é melhor parar'. Comecei a chorar e liguei para a minha esposa e para o meu empresário. Disse-lhes que ia parar. Aí, numa quinta-feira, participei num jogo-treino contra o Aparecidense e lá estava um diretor do Real Sport Clube. Fiz dois golos neste jogo. Depois da partida, ele veio e perguntou-me se queria ir para Portugal. Respondi: 'Meu Deus! Era tudo o que queria'. Tudo o que queria era uma oportunidade, então ela apareceu. No domingo, já estava a viajar para Portugal.

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Boa parte da sua formação foi como central e também trinco, demorou a tornar-se avançado. Ter atuado como defesa é uma vantagem para jogar hoje no ataque? Tem a leitura do defesa adversário.

É verdade. Muitas pessoas falam assim: 'Ah, ele deve ter feito só um ou dois jogos como central'. Não, não. Fiz mesmo duas épocas inteiras como central. Depois, fiz outra temporada como trinco. Ou seja, tenho um pouco de conhecimento nas duas posições, não é? Tenho o conhecimento da parte defensiva. Isto tudo facilita, com certeza. Parece que não, mas facilita em algumas coisas dentro de campo, perceber aquilo que o central está a pensar em determinados momentos.

Como surgiu o PSV e como é que as negociações se desenrolaram?

O PSV tem uma grande história, sobretudo para os brasileiros. O que me chamou primeiro a atenção no PSV foram os adeptos daqui, o estádio é assustador. Depois, vem a história que o jogador brasileiro tem aqui, em especial os avançados, como Romário e Ronaldo Fenómeno. Vim com esta convicção, de que era um grande clube, dono de um futebol ofensivo, um campeonato com muitos golos. O nosso encaixe foi rápido.

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E o encaixe com o Benfica?

Foi muito importante. Em nenhum momento o Benfica quis dificultar a minha vida e a minha vinda para cá. Sou muito grato ao Benfica, sempre esteve de acordo com aquilo que estava a acontecer.

Já sente o peso nas costas de ser brasileiro e ter que seguir os passos de Romário e Ronaldo?

É normal, não é? É normal por ser avançado, ser brasileiro, usar a camisa 9. A cobrança e a comparação são normais, é natural. Mas cada um tem a sua história. Estou aqui para escrever a minha, deixar a minha marca. Quero continuar esta história de sucesso dos avançados brasileiros no PSV.

O PSV levou a melhor na disputa, mas houve outros interessados e outras ofertas. Falou-se muito do Eintracht Frankfurt, do Nice, de clubes brasileiros.

Chegaram-me outras situações, outras propostas boas. A verdade é que o PSV, desde que entrou na disputa, sempre me quis mesmo. As partes pediam isso e eles chegaram lá. Não que os outros não me quisessem, mas o PSV 'botou a cara' e fez o esforço. Tive também clubes da Alemanha, da França, do Brasil e até mesmo alguns da Inglaterra. Fiquei muito feliz com a forma como o PSV liderou a situação, sabe? Foi um sinal de que eles realmente me queriam a todo custo.

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Esteve com o Falcao Garcia no Monaco e o Harry Kane no Tottenham.

Quando as pessoas falam destes nomes, fico até emocionado... porque estava morto, estava enterrado para o futebol. Quando começam a falar dos avançados e das pessoas com as quais já trabalhei até aqui.... estava 'zerado', cheguei a desistir de jogar futebol. Ter o privilégio de jogar com estes avançados, estas referências, e não digo apenas eles... é um privilégio muito grande para mim. Aprendi muito com eles, os 'caras' sabem muito, esta é a verdade, sabem muito da posição. Como também não sou bobo, observei-os muito. São jogadores que marcaram o futebol, com histórias consagradas. Então, para mim, é um feito muito grande.

Brinquei no começo da entrevista sobre o facto de já ter viajado muito na vida: Nápoles, Lisboa, Monaco, Londres, Eindhoven, entre outras. A viagem que falta é para Teresópolis (no Rio de Janeiro, onde treina a seleção brasileira)?

Essa é a grande viagem, para a qual tenho preparado as malas. Vai acontecer, acredito nisso. Creio que vai acontecer no momento certo. A gente vai chegar com tudo lá, para a honra de todos, para a honra daqueles que torcem por mim e que estão comigo. A seleção é o topo.

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