Megan Rathmell pensou que tinha falhado na sua entrevista de emprego no início deste ano, assumindo que o nervosismo e a falta de preparação lhe tinham custado a oportunidade.
A jovem de 20 anos descobriu mais tarde que tinha conseguido o emprego como assistente jurídica - e o que a fez destacar-se foi a sua capacidade de fazer duas coisas importantes: manter o contacto visual e manter uma conversa.
“O meu chefe disse-me que eu era uma comunicadora eficaz, capaz de estabelecer um contacto visual firme, algo que não tinha observado em muitos dos outros candidatos”, conta à CNN Rathmell, que vive na Virgínia, Estados Unidos. "Fiquei realmente surpreendida."
O que Rathmell aprendeu com o seu chefe reflete o que afirmam os gestores de recursos humanos: alguns licenciados da Geração Z não estão preparados para entrevistas de emprego ou apresentam comportamentos pouco profissionais durante o processo. Alguns trazem os pais para as entrevistas presenciais, recusam-se a ligar a câmara nas entrevistas virtuais, utilizam linguagem inapropriada, vestem-se de forma inadequada e têm dificuldade em manter contacto visual.
Embora sempre tenham existido pessoas que se saem mal em entrevistas de emprego, "parece que isso é mais comum atualmente", afirma Nathan Mondragon, diretor de inovação da plataforma de recrutamento norte-americana HireVue.
Vários fatores podem contribuir para este problema. A era digital tornou muitas pessoas menos experientes em interações pessoais, o que as torna menos confortáveis, especialmente em situações desafiadoras. As precauções de segurança durante a pandemia agravaram ainda mais esta situação, segundo Mondragon. E, embora alguns pais estejam excessivamente envolvidos nas atividades profissionais dos filhos, outros não conseguem navegar no mundo do trabalho sem a sua ajuda.
Algumas pessoas acreditam que podem improvisar durante uma entrevista de emprego, diz Stacie Haller, consultora-chefe de carreira da ResumeBuilder. No entanto, assim como em qualquer outra área em que se pretenda ter sucesso, conseguir um emprego também exige preparação.
Nos Estados Unidos, o número de pessoas empregadas cresceu 254.000 em setembro, e a taxa de desemprego desceu de 4,2% para 4,1%, de acordo com dados do Departamento de Estatísticas do Trabalho dos Estados Unidos (Bureau of Labor Statistics, na designação original) sobre o emprego em setores não agrícolas (estes dados excluem trabalhadores agrícolas, funcionários de organizações sem fins lucrativos e empregados em domicílios privados, entre outros).
Atualmente, cerca de 6,8 milhões de norte-americanos estão à procura de emprego. Por isso, aqui estão algumas dicas sobre o que deve fazer antes, durante e depois de uma entrevista para se destacar e conquistar o emprego que deseja.
Preparação antes da entrevista de emprego
Antes de conseguir uma entrevista, é fundamental destacar-se entre centenas de outros candidatos, e tem cerca de seis segundos para captar a atenção de um recrutador com o seu currículo, indica Haller. Por isso, o seu currículo deve claro, atrativo e bem organizado, adaptado ao cargo e que ressalte as razões pelas quais é o melhor candidato.
Cuidado com quem o aconselha, adverte Haller. Se conhece outras pessoas que trabalham na empresa ou em setores semelhantes, consultá-las pode ser benéfico. Embora os pais e outras pessoas da sua idade tenham boas intenções, é possível que não façam uma entrevista de emprego há décadas ou que nunca tenham trabalhado na sua área, e o mercado de trabalho atual é bastante diferente.
A menos que tenha frequentado uma escola especializada, o centro de carreiras da sua universidade pode não contar com funcionários experientes em recrutamento, por isso nem sempre é útil, sublinha Haller. Faça uma pesquisa online sobre os membros da equipa do centro de carreiras para verificar se possuem um historial relevante.
Faça a sua pesquisa
Um dos principais erros que alguns candidatos cometem é fazer perguntas sobre coisas que poderiam ter encontrado facilmente ao consultar o site da empresa, aponta Nicolas Roulin, professor de psicologia industrial/organizacional na Universidade de Saint Mary, no Canadá. Este tipo de atitude, assim como a falta de perguntas, demonstra ao entrevistador que o candidato não se preparou adequadamente e provavelmente não está muito interessado na vaga.
Os especialistas recomendam que se faça uma pesquisa aprofundada sobre a empresa. Deve estar preparado para responder à pergunta "porque deseja trabalhar aqui?" e demonstrar como pode contribuir para os valores, a cultura, as estratégias, os objetivos e outros aspetos da empresa.
Ao pesquisar sobre os entrevistadores - se souber os seus nomes - pode formular perguntas mais específicas sobre o trabalho, objetivos e experiências, e pode até mencionar uma conexão pessoal interessante, como terem frequentado a mesma escola.
Plataformas como LinkedIn e Glassdoor podem ser úteis para encontrar essas informações. As avaliações no Glassdoor são geralmente feitas por funcionários atuais ou antigos.
Elabore as suas respostas com antecedência
Durante a entrevista, terá também de mostrar como se encaixa nas funções descritas na oferta e como será capaz de as desempenhar.
Pode preparar-se escrevendo as suas histórias de sucesso relacionadas a cada requisito da descrição da função, utilizando a técnica STAR. Este acrónimo representa situação, tarefa, ação e resultado — comece por definir a situação, depois a tarefa que realizou, as ações que tomou, individualmente ou em equipa, e, por fim, quais foram os resultados.
Prepare as suas perguntas
As suas perguntas são tão importantes quanto as suas respostas e devem demonstrar interesse, motivação e atenção, além de refletir o que é importante para si, afirmam os especialistas. Aqui estão alguns exemplos que pode praticar sozinho ou em entrevistas simuladas com amigos ou familiares:
- O que envolve um dia típico de trabalho? E as primeiras semanas?
- Trata-se de uma nova função ou alguém saiu?
- Como avaliam o sucesso de um colaborador após três e seis meses?
- Quais são os benefícios e os desafios de trabalhar aqui?
- Que tipo de oportunidades de formação estão disponíveis?
- Qual é a possibilidade de promoção ao fim de um ano?
- Quais são os objetivos a curto e a longo prazo?
Se tem dificuldade em lidar com o nervosismo antes das entrevistas, técnicas de relaxamento ou exercícios de respiração podem ajudar, sugere Roulin. No entanto, uma ansiedade mais severa pode exigir terapia.
Como lidar com a entrevista de emprego
Vestir-se de forma profissional para entrevistas, sejam elas presenciais ou virtuais, é essencial, independentemente de se tratar de um restaurante de fast-food, uma loja de retalho ou um trabalho de escritório, garantem os especialistas. O estilo business casual é geralmente o mais apropriado — evite calças de ganga, calções, chinelos ou roupas excessivamente reveladoras.
Se a cultura da empresa for mais informal, isso não significa que você deva vestir-se da mesma forma para a entrevista, afirma Haller. Os funcionários já tiveram a oportunidade de provar, ao longo do tempo, que são competentes, independentemente do seu vestuário, mas eles ainda não o conhecem. É fundamental causar uma boa impressão que transmita respeito e seriedade.
Por outro lado, evite exageros, como usar um fato de três peças e parecer completamente fora de contexto, observa Haller, a menos que esse seja o código de vestuário da empresa.
Leve todos os apontamentos que preparou para a entrevista, mas não leve os seus pais. Isso pode transmitir imaturidade e falta de capacidade, e é importante que mostre que é capaz de realizar o trabalho sem a assistência deles.
O local onde se realiza a entrevista também é importante. O ambiente deve ser o mais livre possível de distrações e ruídos, por isso evite fazê-la em espaços públicos, como cafés. Desligar a câmara é geralmente visto como inadequado, dizem os especialistas, pois pode dar a impressão que está a esconder algo ou de que se sente desconfortável em interagir com pessoas — o que é, sem dúvida, um sinal de alerta, uma vez que a maioria dos empregos envolve interação com outros.
Se não souber como responder a uma pergunta, peça ao entrevistador para reformulá-la ou diga: “Não tenho muita experiência com essa questão em particular, mas posso partilhar uma situação em que X...” Também pode mencionar que gostaria de ter a oportunidade de refletir sobre a pergunta e que pode voltar a contactá-los mais tarde com uma resposta. Estas alternativas demonstram que é adaptável e permitem-lhe destacar-se de outras maneiras.
Quando tiver a oportunidade de fazer perguntas, questione sobre o que preparou. No entanto, reserve as questões relacionadas com o salário, expectativas de disponibilidade e benefícios de férias para o final da entrevista, conforme aconselha Mondragon. Estas questões são importantes para a sua sobrevivência e qualidade de vida, algo que a Geração Z valoriza mais do que as gerações anteriores – o que é uma coisa positiva, acrescentou. Nos Estados Unidos, alguns Estados, como o Colorado e Nova Iorque, exigem que as ofertas de emprego incluam informações sobre o salário. Contudo, é importante não dar a impressão de que está mais preocupado em não trabalhar do que em trabalhar.
A forma como coloca as perguntas também é relevante. "Pode falar-me sobre os pacotes de benefícios para funcionários deste nível?" soa melhor do que "quantos dias de férias tenho direito?"
No final, pergunte se há algo mais que possa fornecer para demonstrar que é um excelente candidato para o cargo, propõe Haller. "É importante ultrapassar quaisquer objeções. Depois disso, deve sempre questionar sobre os próximos passos e expressar o seu interesse na posição."
Após a entrevista
No prazo de 24 horas após a entrevista, envie um e-mail de agradecimento, expressando gratidão pelo tempo despendido pelo entrevistador e pela oportunidade, sugere Haller. No entanto, tenha em mente que a sua mensagem é mais do que um simples agradecimento — é também um lembrete indireto de que você é um candidato a considerar.
Se receber uma chamada para outra entrevista ou uma oferta de emprego, responda o mais rapidamente possível, afirmam os especialistas. Mesmo que já não esteja interessado, deve comunicar isso rapidamente também — essa é a atitude mais respeitosa a tomar, para não fechar portas que possa precisar de abrir novamente no futuro.
Não deve contactar o empregador para saber se há novidades antes do prazo que eles indicaram para o contacto, acrescenta Roulin. Após esse prazo, pode entrar em contacto uma vez por semana. Se passar um ou dois meses sem resposta, Haller diz que isso já é uma resposta — e não deve querer trabalhar para empresas que tratam as pessoas dessa maneira.
