A engenharia atravessa um momento decisivo. A capacidade de competir e responder às exigências do mercado depende, em larga escala, da atração, retenção e desenvolvimento de talento. Se, por um lado, a procura por serviços nesta área cresce de forma sustentada, assente em projetos de conceção e gestão e impulsionada por investimentos em infraestruturas, habitação, turismo, indústria e descarbonização, por outro, regista-se uma escassez cada vez maior de mão-de-obra qualificada, sobretudo em domínios técnicos e de engenharia especializada.
É neste cenário que surge o aumento da integração de talento internacional em diversos setores da economia. Todos os anos, engenheiros e técnicos de excelência são formados em Portugal, mas em número insuficiente para as necessidades do mercado. A esta realidade junta-se ainda a procura destes profissionais por melhores condições salariais e de progressão de carreira fora do país.
Mais do que colmatar as falhas do mercado, os técnicos estrangeiros trazem um valor acrescentado incalculável, através de metodologias distintas, experiências diversificadas e formas de pensar que enriquecem o tecido empresarial português. O contacto entre culturas potencia a inovação e reforça a resiliência das equipas perante desafios crescentes.
Mas o sucesso destas contratações depende da forma como os profissionais são acolhidos e incorporados nas equipas. A adaptação à língua, à legislação e às normas técnicas nacionais é fundamental, mas não chega. O que faz a diferença é a capacidade de criar proximidade, promover a comunicação aberta e cultivar um sentimento de pertença. Só assim cada profissional estrangeiro se sentirá parte da organização e contribuirá de forma plena para o seu desenvolvimento e para o futuro da empresa.
Não olho para o acolhimento de engenheiros e técnicos internacionais como uma medida transitória, mas sim como um investimento estrutural. Acredito que o futuro da engenharia em Portugal passará pela conjugação de talentos nacionais e internacionais, pelo trabalho conjunto entre o talento jovem, mais tecnológico, e o talento mais experiente. No meu dia-a-dia, tenho vindo a implementar mecanismos que facilitam essa integração e a criar contextos onde a diversidade cultural e técnica é entendida como um ativo e não como um obstáculo.
Encaro também a integração de talento internacional não apenas como resposta a um défice de recursos, mas como uma oportunidade para diferenciar e fortalecer o setor. Num mercado global, as empresas que souberem gerir a diversidade estarão melhor preparadas para competir e inovar. Se assumirmos este movimento como estrutural e não conjuntural, não só mitigaremos as dificuldades atuais como criaremos condições para que Portugal se afirme como polo atrativo para profissionais de engenharia de todo o mundo.
O futuro da engenharia portuguesa dependerá desta visão. Mais do que recrutar, precisamos de integrar. Mais do que acolher, é necessário valorizar. Só assim construiremos equipas fortes, diversificadas e preparadas para os desafios que se avizinham. É esta a solução para o momento decisivo que atravessamos: preparar hoje um futuro em que a engenharia nacional se destaque pela qualidade, pela robustez e pela sua abertura ao mundo.
