REVISTA DE IMPRENSA | O problema está relacionado com a falta de aprovação dos planos de desenvolvimento organizacional (PDO) para 2026
Cerca de três mil enfermeiros recém-licenciados vão entrar no mercado de trabalho este verão, mas encontram pela frente um obstáculo: os hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) continuam sem autorização para avançar com contratos estáveis. Segundo o jornal Público, a Ordem dos Enfermeiros (OE) já atribuiu dois mil títulos profissionais desde julho e prevê entregar mais mil até ao final de agosto, permitindo a estes jovens exercer a profissão.
A situação preocupa a Ordem, sobretudo numa altura em que várias unidades de saúde enfrentam carências de profissionais. Sem capacidade de recrutamento no SNS, muitos dos novos enfermeiros começam a procurar alternativas no setor privado ou no estrangeiro, onde podem encontrar salários duas a três vezes superiores aos praticados em Portugal.
O problema está relacionado com a falta de aprovação dos planos de desenvolvimento organizacional (PDO) para 2026, documentos que estabelecem, entre outros aspetos, os recursos humanos de que as unidades locais de saúde e os institutos de oncologia podem dispor. Sem estes planos, os hospitais ficam condicionados nas decisões relativas à contratação de enfermeiros.
A Ordem considera que a situação representa um desperdício de recursos humanos num momento em que milhares de enfermeiros procuram uma oportunidade para iniciar a carreira. O atraso não é, contudo, novo: em 2025, os PDO só foram aprovados em dezembro, num atraso considerado inédito e que acabou por inviabilizar contratações. “Um desperdício”, resume o bastonário dos enfermeiros.
