opinião
Presidente da Associação Portuguesa de Energias Renováveis

O mito da importação de eletricidade

12 dez 2024, 15:50

Em 2023, a produção de eletricidade a partir de fontes renováveis atingiu um máximo histórico em Portugal Continental: 70,7%. Apesar da elevada incorporação renovável, o saldo importador manteve-se na mesma ordem de grandeza de 2022. Aliás, registou até um aumento de cerca de 10%, que se traduziu num balanço de 10,2 TWh, isto é, 13,5 TWh de importações e 3,3 TWh de exportações.

Este volume de importações de eletricidade proveniente de Espanha, motivado por um aumento de consumo em Portugal, impediu que Portugal recorresse a produção de eletricidade nacional, de origem fóssil e mais cara. Apesar de nacional, teria um maior impacto nas emissões à escala nacional e aumentaria o preço de eletricidade para os consumidores portugueses

Ao suprir as necessidades de consumo recorrendo à importação de eletricidade, aproveitando as ofertas mais competitivas no mercado, é possível manter mais baixos os preços de eletricidade em Portugal.

Importa aqui salientar que este é o comportamento esperado do mercado. Os mercados elétricos de Portugal e Espanha estão unidos no chamado Mercado Ibérico de Eletricidade (MIBEL). Esta união foi criada para que cada um dos países tenha acesso às ofertas climática e economicamente mais vantajosas, independentemente do lado da fronteira onde estas se encontrem.

A importação de eletricidade em momentos-chave, quando os preços estão baixos, como forma de suprir as necessidades de consumo com recurso a renováveis, garante, assim, poupanças aos consumidores portugueses.

Ainda que esta importação seja vantajosa para o bolso dos portugueses, podemos compará-la com a importação de energia no geral (no qual se inclui a eletricidade, mas também petróleo, gás natural, entre outros combustíveis): as importações no caso da eletricidade são menos de um décimo dos 41 148 milhões de euros gastos na importação de gás natural entre 2021 e 2023.

Na verdade, a energia elétrica representa uma das fatias mais pequenas da estrutura de importação de produtos energéticos, segundo dados da Direção Geral de Energia e Geologia. Em 2023 teve uma expressão de apenas 10% face aos 15,3% do gás natural e aos 73,6% dos produtos de petróleo.

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