Portugal não quer ser só "corredor de passagem" mas também "exportador de energia verde", diz ministro

Agência Lusa , AG
10 nov, 18:50
O ministro do Ambiente e Ação Climática, Duarte Cordeiro, participa na audição da Comissão de Ambiente e Energia sobre medidas para mitigar o preço da eletricidade no mercado Ibérico (Mário Cruz/ LUSA)

Duarte Cordeiro diz que o acordo "abre a porta a mais oportunidades de exportação"

O ministro do Ambiente afirmou esta quinta-feira que o país não será apenas um corredor de passagem, mas também um exportador de energia verde, no âmbito do acordo político alcançado entre Portugal, Espanha e França para o reforço das interconexões energéticas.

“Não seremos apenas um corredor de passagem. Seremos um país exportador de energia verde, produzida em Portugal e com elevado valor acrescentado”, afirmou o ministro do Ambiente e da Ação Climática, Duarte Cordeiro, numa audição parlamentar conjunta das comissões de Ambiente e Energia e de Assuntos Europeus, sobre as discussões e conclusões do Conselho de Energia de 25 de outubro.

Segundo o ministro, o acordo alcançado “abre a porta a mais oportunidades de exportação via gasoduto” e, assim, “Sines terá a sua importância reforçada”.

O governante acusou a direita política de “desinformação e demagogia” relativamente às interligações elétricas, cujo desenvolvimento, garantiu, não está bloqueado.

Duarte Cordeiro vincou que o acordo alcançado entre os três países “desbloqueou o que estava bloqueado, que era a interligação a gás”, mantendo-se o “compromisso do reforço das interligações elétricas”.

“Importa esclarecer que o acordo de 2015 era uma mão cheia de nada, no que respeita ao gás. Não tinha financiamento garantido e não iria avançar face à oposição da França quanto à interligação”, apontou o ministro, referindo-se ao anterior projeto denominado MidCat, que previa a construção de um gasoduto através dos Pirenéus.

O governante lembrou que está prevista, para 09 de dezembro, uma reunião em Alicante, Espanha, que juntará a presidente da Comissão Europeia, o primeiro-ministro António Costa, o Presidente de França e o presidente do Governo de Espanha, para serem tomadas decisões sobre calendarização e fontes de financiamento.

“O objetivo é apresentar estes projetos à Comissão Europeia até 15 de dezembro, com vista à elegibilidade para financiamento europeu”, disse Duarte Cordeiro.

O ministro afirmou que a concretização deste entendimento associa Portugal à iniciativa European Hydrogen Backbone, que defende que os “gasodutos de hidrogénio são a opção mais eficiente, em termos de custos, para o transporte de grandes volumes nas distâncias máximas médias expectáveis ao nível da União Europeia, relativamente às restantes opções de transporte”.

Face à insistência do PSD para conhecer o acordo alcançado entre os três países, Duarte Cordeiro explicou que o texto do acordo sairá da próxima reunião, em Alicante.

Conforme foi comunicado em outubro, o novo Corredor de Energia Verde prevê a conclusão das futuras interligações entre Portugal e Espanha, designadamente ligando Celorico da Beira e Zamora, um gasoduto marítimo entre Barcelona e Marselha e a preparação destas infraestruturas para transportar hidrogénio e biometano, ou seja, gases renováveis.

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