Empresas chinesas acatam sanções contra Rússia por temerem danos colaterais

Agência Lusa
6 jul, 09:43
Evergrande (VCG/ Getty)

Entre janeiro e junho, as exportações da China para a Rússia caíram 38%, face ao semestre anterior

Uma análise do Peterson Institute for International Economics (PIIE) indica que, apesar do apoio tácito prestado por Pequim a Moscovo, os exportadores chineses parecem reconhecer os riscos de violar as sanções impostas contra a Rússia pelo Ocidente.

No relatório, o grupo de reflexão (think tank), com sede em Washington, apontou que as empresas chinesas temem ser alvos colaterais e perder o acesso a tecnologia, bens e moeda dos países ocidentais, caso violem a proibição de exportar bens sensíveis para a Rússia, nomeadamente componentes e alta tecnologia, como semicondutores, considerados cruciais para os esforços de guerra.

Entre janeiro e junho, as exportações da China para a Rússia caíram 38%, face ao semestre anterior. Em comparação, as vendas para a Rússia entre os países que impuseram sanções contra Moscovo - sobretudo as nações europeias e os Estados Unidos – caíram, em média, 60%.

A análise do PIIE indicou que o declínio das exportações chinesas para a Rússia está em linha com os dados de outros países que não impuseram sanções.

Em dois casos proeminentes, a China UnionPay, o sistema de pagamento chinês, equivalente aos serviços Visa ou Mastercard, recusou-se a trabalhar com bancos russos sancionados, e a tecnológica chinesa Huawei reduziu as operações no país.

Pequim não condena mas não vende

Isto sucede apesar de a China recusar condenar a Rússia pela invasão da Ucrânia e criticar a imposição de sanções contra Moscovo. Pequim considera a aliança com o país vizinho fundamental para contrapor a ordem democrática liberal, liderada pelos EUA.

Na semana passada, Washington puniu já cinco empresas chinesas por violarem as sanções contra a Rússia, adicionando-as à “lista negra” do Departamento de Comércio, o que interdita o acesso a alta tecnologia e componentes norte-americanos.

As autoridades disseram que estas empresas continuaram a fornecer apoio à base industrial militar e de Defesa da Rússia, em operações “contrárias aos interesses de segurança nacional e de política externa dos EUA”.

As compras à Rússia pela China aumentaram, no entanto, para níveis recorde. Quase 80% dessas importações são petróleo e gás. A construção de um gasoduto de 962 quilómetros entre os dois países está a progredir e uma ponte fronteiriça foi inaugurada no mês passado.

Sanções e o "efeito cumulativo"

No entanto, as restrições impostas à Rússia no acesso a componentes e alta tecnologia têm um efeito “cumulativo”, referiu o PIIE.

“A falta de um único componente pequeno pode encerrar uma linha de montagem”, descreveu o think tank, numa altura em que algumas das reservas de equipamento militar da Rússia se estão a esgotar.

O PIIE considerou, porém, que, “por si só, [as sanções] não podem forçar o fim da guerra”.

“Historicamente, apenas uma em cada três sanções projetadas para alcançar grandes mudanças políticas ou enfraquecer um alvo militarmente alcançam um sucesso moderado”, notou.

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