Ucrânia: Putin mostra "abertura" a “garantias concretas de segurança” de Macron

Agência Lusa , BMA
8 fev, 00:02

Macron evocou “termos de convergência” entre a Rússia e a França, sem detalhar quais

O presidente francês Emmanuel Macron revelou que propôs esta segunda-feira a Vladimir Putin, durante uma reunião de cinco horas, “criar garantias concretas de segurança” para todos os estados envolvidos na crise ucraniana, plano recebido com “disponibilidade” pelo homólogo russo.

“O Presidente Putin assegurou-me a sua disponibilidade para se comprometer com esta lógica e o seu desejo em manter a estabilidade e integridade territorial da Ucrânia”, referiu o chefe de Estado da França, durante uma conferência de imprensa ao lado de Vladimir Putin.

Macron evocou “termos de convergência” entre a Rússia e a França, sem detalhar quais.

Se Putin sublinhou as suas divergências com a NATO, o chefe de Estado francês voltou a frisar os seus objetivos: "a estabilidade militar a curto prazo e que o diálogo que se estabeleceu entre a Rússia, os Estados Unidos, os europeus continue a construir soluções com o objetivo de segurança".

"Não há segurança para os europeus se não há segurança para a Rússia", admitiu Emmanuel Macron ao seu anfitrião, com o qual esteve reunido em Moscovo durante cinco horas.

Mas o francês lembrou a Vladimir Putin que os países bálticos e outros países europeus fronteiriços têm "os mesmos medos" de segurança que os mencionados pela Rússia.

"Devemos reconstruir juntos essas soluções concretas, porque vivemos dos dois lados das fronteiras comuns", defendeu o Presidente francês que se comprometeu ainda a “intensificar os contactos” com todos os parceiros para "construir novas soluções".

O Presidente russo referiu que algumas das ideias do seu homólogo francês para neutralizar a crise russo-ocidental relativamente à Ucrânia podem avançar.

"Algumas das suas ideias, das suas propostas (...) são possíveis para lançar as bases para o progresso comum", vincou Putin, durante a conferência de imprensa conjunta, embora tenha considerado prematuro expô-las publicamente.

Putin assegurou que está preparado para fazer tudo para encontrar compromissos e evitar uma escalada militar.

"Do nosso lado, tudo faremos para encontrar compromissos que satisfaçam todos", garantiu, afirmando que nem ele nem Macron querem uma guerra Rússia-NATO que "não teria vencedor".

Os dois chefes de Estado vão conversar novamente após Emmanuel Macron reunir com o homólogo ucraniano Volodymyr Zelensky, encontro agendado para terça-feira em Kiev, acrescentou Vladimir Putin.

O chefe de Estado russo voltou a dirigir uma acusação contra a NATO, que critica por se ter expandido nos últimos trinta anos ao ponto de ameaçar a Rússia.

"Eles estão a tentar acalmar-nos com as garantias de que a NATO é uma organização pacífica e de defesa”, explicou, antes de citar “Iraque, Líbia, Belgrado" como exemplos contrários.

Putin denunciou novamente a ajuda militar ocidental à Ucrânia, nação que acusa de ser a única responsável pelo impasse das negociações de paz no conflito entre Kiev e os separatistas pró-russos, que se acredita amplamente serem ‘patrocinados’ por Moscovo.

“Kiev continua a rejeitar todas as oportunidades para uma restauração pacífica da sua integridade territorial”, apontou Putin.

Após a conferência de imprensa, a presidência francesa voltou a realçar que os dois chefes de Estado têm vários pontos de acordo, apesar de não especificados.

Segundo o Eliseu, Moscovo concordou em retirar os seus militares no final do treino militar Zapad, entre a Rússia e a Bielorrússia.

As duas partes estabeleceram ainda o compromisso de “não tomar novas iniciativas militares, o que permite considerar uma desescalada".

A Ucrânia e os seus aliados ocidentais acusam a Rússia de ter concentrado dezenas de milhares de tropas na fronteira ucraniana para invadir novamente o país, depois de lhe ter anexado a península da Crimeia em 2014.

A Rússia nega qualquer intenção bélica, mas condiciona o desanuviamento da crise a exigências que diz serem necessárias para garantir a sua segurança, incluindo garantias de que a Ucrânia nunca fará parte da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO).

Com mais de 41 milhões de habitantes, a Ucrânia é o segundo maior país da Europa em área, depois da Rússia.

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