Pelo menos 27 migrantes morrem a atravessar o Canal da Mancha

Henrique Magalhães Claudino , Atualizado às 23:24
24 nov, 19:02

Quatro pessoas foram detidas pelas autoridades francesas. Emmanuel Macron já reagiu, afirmando que não quer que o Canal seja um cemitério

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Pelo menos 27 migrantes morreram nesta quarta-feira enquanto tentavam atravessar o Canal da Mancha, entre a França e o Reino Unido, naquele que está a ser apontado como o pior naufrágio de sempre a ocorrer naquele braço de mar.

O número de mortos foi confirmado à agência AFP pelo ministro do Interior, depois de, durante a tarde o governante ter afirmado que o número teria ascendido aos 31.

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A operação de resgate foi lançada após um pescador ter visto um barco insuflável vazio e cadáveres a boiar no oceano. Pelo menos duas pessoas continuam desaparecidas.

Entre as vítimas mortais, estão pelo menos cinco crianças. Ainda é incerto o número de migrantes que estavam no barco, mas o presidente do porto de Calais e de Bolougne avançou à BBC que o número pode ascender à meia centena.

O que sei é que 50 pessoas estavam no barco e que mais de 30 morreram”, disse Jean-Marc Puissesseau.

O presidente francês Emmanuel Macron reagiu, entretanto, ao desastre.

França não vai deixar que o Canal seja transformado num cemitério”, afirmou, pedindo o “reforço imediato dos recursos da agência Frontex nas fronteiras externas da União Europeia

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O Chefe de Estado apela ainda a "uma reunião de emergência dos ministros europeus sobre os desafios das migrações", garantindo que "tudo será feito para encontrar e condenar os responsáveis" por esta tragédia.

Johnson e Macron comprometem-se a unir esforços para travar mais mortos

Horas mais tarde, o porta-voz de 10 Downing Street confirmou uma conversa telefónica com o presidente francês sobre a urgência de unir esforços para prevenir mortes na rota do Canal da Mancha.

Boris Johnson e Macron "sublinharam ainda a importância de manter uma relação estreita com a Bélgica e a Holanda, tal como com todos os parceiros no continente para abordar este problema de forma eficaz, antes das pessoas chegarem à costa francesa", disse o porta-voz.

Até ao momento, as autoridades francesas fizeram quatro detenções na sequência do incidente. 

A partir de Calais, Gerald Dermanin, ministro do Interior francês, disse que o dia de hoje, vendo "todas estas pessoas a morrer por causa de traficantes, marca uma situação angustiante para França, para a Europa e para a humanidade".

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Manifestantes pelos direitos humanos acompanham operações de resgate no Canal da Mancha/ AP

 

As tensões à volta desta rota de migração foram amplificadas após a reunião que Dermanin teve com a sua homóloga britânica, Priti Patel, no dia 15 de novembro. 

Depois de Londres acusar Paris de não fazer esforços suficientes para conter o número de migrantes a atravessar o Canal da Mancha (só este ano, cerca de 22 mil pessoas cruzaram o Canal, três vezes mais do que o valor anual de 2020), Gerald Darmanin disse que o "Reino Unido não está em posição de dar lições". 

"O Reino Unido devia parar de nos usar como um saco de boxe na sua política interna", acrescentou aos jornalistas.

O incidente acontece numa altura de inquietude pós-Brexit entre os dois países que também disputam os direitos de pesca no Canal, perante ameaças do surgimento de uma guerra comercial.

A travessia para o Reino Unido através de Calais é das rotas mais utilizadas por migrantes, muito por causa de o mar ser relativamente calmo. 

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