"Irritar" os não vacinados, limitando "tanto quanto possível" a sua vida social: a estratégia de Macron

5 jan, 12:32
Emmanuel Macron
Emmanuel Macron

Presidente francês admite estar a fazer "pressão" sobre os não vacinados ao limitar, "tanto quanto possível", o seu acesso a atividades sociais

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O Presidente francês, Emmanuel Macron, assumiu que a sua estratégia para combater a covid-19 passa por “irritar” os franceses que não estão vacinados, limitando “tanto quanto possível” o seu acesso a atividades sociais.

“Eu não gosto de irritar os franceses. Mas em relação aos não-vacinados, sim, quero mesmo irritá-los. E vamos continuar a fazer isso até ao fim. É esta a estratégia”, disse Macron, em entrevista ao jornal Le Parisien, publicada esta terça-feira.

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“Em democracia, os piores inimigos são as mentiras e a estupidez”, apontou Macron, que admite estar a fazer “pressão sobre os não vacinados ao limitar, tanto quanto possível, o seu acesso a atividades sociais”.

No mesmo dia, os partidos da oposição decidiram suspender, pela segunda vez consecutiva, o debate em torno da proposta de lei do Governo que visa condicionar o acesso a espaços fechados, nomeadamente restaurantes, cafés, cinemas, museus, coliseus e estádios desportivos, à apresentação de um certificado de vacinação.

Se o Parlamento avançar com esta proposta de lei, tal significa que apenas os franceses vacinados – e não apenas aqueles que tiverem um teste negativo, como até então – poderão ter acesso a esses locais.

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Assinalando que quase 90% da população francesa elegível para ser vacinada contra a covid-19 já recebeu pelo menos uma dose das vacinas, Macron apontou que “apenas uma pequena minoria está a resistir”.

“Como reduzimos essa minoria? Fazemo-lo – e desculpem-me a expressão – irritando-os ainda mais”, frisou.

O chefe de Estado francês disse que não iria “prender [os não vacinados] ou vaciná-los à força”. A estratégia passa, sim, por “dizer-lhes a verdade: a partir de 15 de janeiro, não poderão entrar nos restaurantes, não poderão ir ao café, ao teatro, nem ao cinema”, acrescentou.

“Quando as minhas liberdades ameaçam as dos outros, eu torno-me num irresponsável. Um indivíduo irresponsável não é um cidadão”, apontou.

Perante estas declarações, os opositores políticos de Macron não demoraram a reagir ao que dizem ser o uso de “linguagem excessiva” e "indigna" do cargo de Presidente francês.

“Nenhuma emergência sanitária justifica tais palavras”, apontou Bruno Retailleau, líder dos republicanos no Senado. “Emmanuel Macron diz que aprendeu a amar os franceses, mas parece que gosta especialmente de desprezá-los”, acrescentou.

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Já Marine Le Pen, da União Nacional, afirmou, numa publicação na rede social Twitter, que um Presidente “não fazer estas declarações”, numa linguagem “que não é digna do cargo”, acusando Macron de estar a “transformar os não vacinados em cidadãos de segunda classe”.

Esta terça-feira, e em plena quarta vaga da pandemia, as autoridades de saúde francesas registaram 271.686 novos casos de covid-19 e 351 mortes.

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