Onze pessoas foram detidas, incluindo colaboradores de deputado da LFI, e a investigação aponta para um grupo de extrema-esquerda
O presidente francês, Emmanuel Macron, lançou esta quinta-feira um apelo para evitar qualquer escalada de violência em França, uma semana depois da agressão sofrida por um militante da extrema-direita em Lyon, que morreu dois dias depois, gerando uma grande repercussão política em todo o país.
Os primeiros elementos da investigação apontam para um movimento de extrema-esquerda como responsável pelo crime, através de um grupúsculo fundado por um deputado do partido de esquerda La France Insoumise (LFI) de Jean-Luc Mélenchon, que, por sua vez, denunciou ataques às suas sedes e ameaças aos seus militantes.
Neste contexto, Macron, que se encontra em viagem oficial à Índia, enviou uma mensagem à televisão BFMTV, pedindo que “todos demonstrem calma e respeito”.
A residência oficial do presidente sublinhou que o chefe de Estado está a acompanhar de perto a situação no país e admite estar “preocupado”, pelo que apelou ao país para “evitar qualquer escalada de violência”.
Onze pessoas relacionadas com o caso estão detidas, incluindo sete por alegada participação direta na agressão sofrida a 12 de fevereiro por Quentin Deranque, estudante de Matemática de 23 anos, que faleceu dois dias depois devido a traumatismo cranioencefálico.
Entre os detidos estão dois colaboradores diretos do deputado da LFI Raphaël Arnault, colocando o partido no centro das críticas do restante espectro parlamentar.
Família do jovem pede calma
Fabien Rajon, advogado da família de Deranque, garantiu esta quinta-feira à rádio RTL que os pais rejeitam qualquer incitação à violência e apelaram à calma na atual situação.
Assegurou que não participarão na manifestação que grupos de extrema-direita convocaram para sábado em Lyon e pediu aos participantes que o façam “com calma e sem expressões políticas”.
O advogado indicou que dispõe de elementos que provam que Quentin foi vítima de uma perseguição voluntária e planeada com o objetivo de o matar, pelo que apresentaram denúncia por “assassinato em grupo organizado”.
Relatou que o jovem e dois amigos, que tinham participado numa manifestação de um grupo de extrema-direita contra a conferência de uma eurodeputada polémica da LFI, foram perseguidos por várias pessoas antes de serem cercados por um grupo violento e linchados, resultando na morte de Deranque.
Em contraste com essa suposta intenção homicida, Rajon descreveu Deranque como uma pessoa não violenta, de pequena estatura e despreparado para lutar, anunciando ainda ações legais contra quem associe a sua militância radical à agressão.
Entre os detidos está Jacques-Elie Favrot, braço direito do deputado Arnault, cujo advogado, Bernard Sayn, afirmou que confessou estar presente no local do crime, mas negou ter dado os golpes que provocaram a morte de Quentin.
Também rejeitou que se tratasse de uma operação organizada para provocar o assassinato do jovem e disse estar “destroçado” com o sucedido.
Os pedidos à LFI para que Arnault renuncie ao cargo de deputado multiplicaram-se nos últimos dias, mas o porta-voz do partido, Manuel Bompard, rejeitou-os em declarações à rádio France Info, alegando que “o empregador não é responsável pelos atos do seu empregado”.
O Ministério Público prolongou a detenção dos onze detidos, sete dos quais estiveram presentes fisicamente no local do crime, enquanto os restantes são considerados cúmplices da tentativa de fugir à justiça.