Troca de acusações entre os dois partidos está a marcar a discussão da proposta
A liderança PSD em Lisboa acusou esta quarta-feira o PS de populismo por votar contra o aumento dos preços do estacionamento, enquanto os socialistas consideraram que se pretende apenas arrecadar mais receita face ao “desequilíbrio nas contas” da EMEL.
Em causa está a proposta para aumentar os preços aplicados pela Empresa Municipal de Mobilidade e Estacionamento de Lisboa (EMEL), pela primeira vez em 15 anos, entre cinco e 10 cêntimos dependendo das zonas, que foi discutida em reunião privada da Câmara Municipal de Lisboa (CML) e aprovada com os votos a favor da liderança maioritária PSD/CDS-PP/IL, a abstenção do Livre e do Chega e os votos contra do PS, BE e PCP.
“O PS em Lisboa está a afastar-se da sua matriz tradicional na política de transportes, aproximando-se de um populismo irresponsável”, acusou o vice-presidente da CML e vereador da Mobilidade, Gonçalo Reis, em declarações enviadas à Lusa.
O autarca considerou que votar contra um “ajuste” no preço do estacionamento de acordo com a inflação, após 15 anos sem ser revisto e que “irá gerar receita para investir na mobilidade, em ciclovias, na rede Gira e na evolução dos salários dos trabalhadores da EMEL, é leviano e contraditório”.
“O PS está numa linha populista de descapitalizar as empresas municipais que têm um papel fundamental e assim atrasar investimentos e inovação”, vincou Gonçalo Reis.
Já a vereação do PS afirmou que “exigir rigor, fundamentação técnica e alternativas de mobilidade não é populismo, é exigir melhores políticas públicas” e justificou o voto contra com a ausência de demonstração de que o aumento do custo do estacionamento terá impacto na redução do trânsito, do descongestionamento ou das emissões poluentes.
“Quando a única medida visível é aumentar os preços, sem reforçar as alternativas de mobilidade nem apresentar uma estratégia ambiental coerente, o objetivo parece limitar-se a arrecadar mais receita”, apontaram os socialistas, em resposta escrita à Lusa, considerando que “o desequilíbrio nas contas da EMEL apresentadas em abril” torna “óbvio que o argumento ambiental serve apenas para justificar uma decisão financeira”.
Segundo o PS, o vereador do Ambiente, Vasco Anjos (IL), “admitiu hoje na reunião de câmara uma motivação de racionalidade económica”.
O BE, que também votou contra a proposta, lembrou que “Carlos Moedas defendeu em tempos a gratuitidade do estacionamento em Lisboa”, tendo um ‘slogan’ de campanha para as eleições autárquicas de 2021: “EMEL mais barata, com o Carlos ponha menos Moedas”.
“Agora o presidente rasga a promessa eleitoral e sobe os custos, sem investir em mobilidade, visto que a Carris nunca foi tão lenta e transporta cada vez menos passageiros e a EMEL continua a não dar prioridade aos residentes”, realçou o BE, convergindo com o PS no que diz respeito ao “argumento ambiental” para a decisão, que “não consegue esconder a simples necessidade de arrecadação de receitas”.
Já o PCP afirmou que não se opõe ao princípio de atualização dos preços, mas opôs-se à subida “nestas condições”, isto é, “sem enquadramento do plano de atividades e orçamento e com a ausência de uma política de mobilidade sustentável”, e acusou o Conselho de Administração da EMEL de ser “lesto no aumento dos tarifários, mas intransigente com as reivindicações justas dos trabalhadores” quanto a atualizações salariais.
