Embaixadora vai regressar a Kiev e novo cargo depende do seu trabalho em Portugal

29 set, 10:00
Inna Ohnivets, embaixadora da Ucrânia em Portugal (LUSA)

Inna Ohnivets despede-se de Portugal depois de ter chefiado a Embaixada da Ucrânia em Lisboa durante sete anos. A equipa diplomática, contudo, vai ser a mesma quando Zelensky escolher o novo titular do cargo

A embaixadora Inna Ohnivets já tem viagem marcada para Kiev, onde vai começar uma nova etapa da sua vida ao serviço do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, depois de sete anos a representar o seu país em Lisboa. A diplomata vai deixar Portugal no início de outubro e “deverá receber um cargo” no governo de Zelensky, disse à CNN Portugal fonte próxima da embaixadora.

A nova posição da diplomata vai depender, contudo, da forma como Dmitro Kuleba, o chefe da pasta dos Negócios Estrangeiros, avaliar o desempenho da sua missão em Portugal, mas também das marcas que deixou na Eslováquia, onde foi também embaixadora entre 2005 e 2010. “O ministro vai oferecer um cargo que vai depender da sua experiência e o trabalho que ela desenvolveu ao longo dos anos”, assegurou a mesma fonte.

Inna Ohnivets vai regressar, assim, à Praça de São Miguel, em Kiev - que não visitava desde setembro do ano passado - e trabalhar no mesmo ministério onde já assumiu cargos jurídicos e onde começou a sua carreira de diplomata em 1993. 

Mas na embaixada de Lisboa, quando o presidente ucraniano selecionar um novo emissário, a restante equipa será a mesma que trabalhou no último ano com Inna Ohnivets, isto porque cada um dos onze funcionários vai manter as suas funções até pelo menos 2023. “Temos rotação de pessoal quase todos os anos. Agora, por causa da guerra, essa rotação está mais lenta, mas a meio do próximo ano metade da embaixada vai mudar”, garante fonte diplomática à CNN Portugal.

A embaixadora foi destituída das suas funções no dia 24 de junho através de um decreto presidencial. Uma situação que, garante, é um processo normal dentro da estrutura diplomática ucraniana. "Trabalho aqui há sete anos. Para os embaixadores ucranianos, o termo da missão diplomática no estrangeiro é quatro anos", referiu, durante uma iniciativa de solidariedade bracarense com a cidade irmã de Ivano-Frankivsk. 

Inna Ohnivets vai lembrar com saudade os “vários amigos” que fez em Lisboa, mas também os passeios que dava no Parque do Jamor, um lazer que se tornou cada vez menos frequente quando a guerra começou. Situação “traumática” que “nunca imaginou que pudesse vir a acontecer”, como descreveu à CNN Portugal em entrevista em março.

Leva também consigo alguns desenhos que crianças de escolas portuguesas fizeram a apelar à paz na Ucrânia e entregaram à embaixada. Este foi, aliás, um dos maiores exemplos da solidariedade do país a que chamou casa durante sete anos e que a ajudaram a lidar com as agressões cometidas em várias cidades ucranianas, entre elas Irpin, onde viveu durante 10 anos. “Não é possível ver estes vídeos e fotografias das atrocidades cometidas pelas tropas russas sem me emocionar”, conta.

Há também outra paixão que Inna Ohnivets vai carregar até Kiev, a língua. Para além do espanhol, o eslovaco e o inglês, a embaixadora regressa ao país natal fluente no português. “Adoro a língua portuguesa, gosto muito de Portugal. Vou terminar a minha missão com saudade", disse em Braga, numa das suas últimas aparições oficiais.

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