Primeiro dia do Twitter de Musk foi caótico e houve quem testasse teorias da conspiração

Agência Lusa , BCE
29 out, 08:08
Twitter

Musk, diretor-executivo da Tesla e da SpaceX, concluiu a compra do Twitter por um valor de 44 mil milhões de dólares (valor semelhante em euros) e demitiu os principais gestores

O primeiro dia de Elon Musk como proprietário do Twitter teve confusão, preocupação, conspirações e celebrações na rede social, com alguns utilizadores a testarem, com teorias da conspiração, se as políticas da empresa sobre desinformação ainda estão em vigor.

Apesar de nenhuma mudança imediata na política da empresa ter sido anunciada até ao final da tarde desta sexta-feira, os utilizadores não deixaram de aplaudir, ou criticar, o que esperam ser uma rápida adoção das promessas do bilionário Elon Musk, que pretende reduzir a moderação, num esforço para promover o discurso livre.

O novo proprietário da rede social anunciou, logo esta sexta-feira, a criação de um “conselho de moderação de conteúdos” que vai ficar incumbido de decidir o restauro de determinados perfis suspensos pela administração anterior daquela plataforma.

Mas personalidades conservadoras começaram a recircular teorias da conspiração há muito desmascaradas, incluindo sobre a covid-19 ou as eleições norte-americanas de 2020, numa tentativa irónica de “testar se as políticas do Twitter sobre desinformação ainda estavam a ser aplicadas".

Especialistas populares de direita publicaram ‘chavões’ como “ivermectina” [medicamento para matar parasitas divulgado por republicanos e outros conservadores durante o início da pandemia] ou “Trump venceu”, para perceber se seriam penalizados pelo conteúdo que sugeriram ter sido sinalizado anteriormente.

“Ok, @elonmusk, is this thing on..?” [Ok, @elonmusk, isto está ligado..?, em português], publicou Steve Cortes, ex-comentador da televisão conservadora Newsmax e conselheiro do ex-presidente Donald Trump, antes de escrever: “Existem dois sexos Trump ganhou Ivermectin rocks”.

Ainda na quinta-feira, numa carta para acalmar os anunciantes, Musk tinha prometido que o Twitter não seria uma plataforma “infernal, livre para todos onde qualquer coisa pode ser dita sem consequências”.

Mas o público ainda não sabe o que será a nova fase da rede social e o que irá tolerar, com analistas a esperarem para saber quem fica, quem sai e quem pode potencialmente voltar, após ter sido banido, com Trump logo à cabeça.

A agência Associated Press (AP) verificou pelo menos uma dúzia de outras contas do Twitter que foram suspensas pela plataforma - incluindo aquelas usadas pelo ativista de direita James O'Keefe e pelo presidente-executivo da MyPillow, Mike Lindell - e cada uma delas apresentava uma mensagem de "conta suspensa" esta sexta-feira.

O antigo presidente elogiou, através da sua rede social, Truth Social, a confirmação do negócio por parte de Elon Musk. “O Twitter está agora em mãos sãs e não será mais administrado por lunáticos e maníacos da esquerda radical que realmente odeiam o nosso país”, sublinhou o republicano.

Logo no início do dia vários órgãos de comunicação social norte-americanos ecoaram a notícia de que o rapper Kanye West – agora Ye – tinha recuperado o acesso à sua conta. O Twitter decidiu suspender o perfil do cantor no início de outubro após a reprodução de comentários antissemitas.

No entanto, ao final do dia de sexta-feira não havia evidências que sugerissem que o estatuto da conta de Ye tivesse mudado.

Musk, diretor-executivo da Tesla e da SpaceX, concluiu a compra do Twitter por um valor de 44 mil milhões de dólares (valor semelhante em euros) e demitiu os principais gestores.

Desta forma, os acionistas da empresa vão receber 54,20 dólares (cerca de 54,4 euros) por cada ação e a rede social passará a ser propriedade do filantropo.

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