O bilionário admite, no entanto, que as notícias da crise na fabricante de automóveis "parecem um armagedão". E talvez sejam? A Casa Branca até apelou "à compra de um Tesla" em plena Fox News
Elon Musk apelou diretamente aos empregados da Tesla para que “mantenham as ações” da empresa por ele fundada, um apelo (em jeito de ordem) que tem o objetivo de os tranquilizar quanto ao futuro da fabricante norte-americana.
Sobre esse futuro, Musk afirmou que vai ser "incrivelmente brilhante" - isto apesar da grande queda nas vendas, recentes "recalls" de segurança (na quinta-feira, mais de 46 mil Cybertrucks foram chamados de volta à fábrica para substituir um inseguro painel exterior) e dos atos de vandalismo (a stands e veículos já adquiridos) em resultado da postura política (não só o apoio a Trump, mas até mais pela aproximação à extrema-direita, por exemplo a AfD na Alemanha) de Musk.
Esta comunicação, pouco comum, de Elon Musk surgiu depois de Howard Lutnick, secretário do Comércio de Donald Trump, ter feito uma igualmente inusitada, ao apelar em plena Fox News à "compra de um Tesla" pelos telespectadores do canal afeto ao Partido Republicano. A posição de Lutnick é só mais um sinal da preocupação na administração Trump quanto ao futuro da Tesla, sobretudo num momento em que as ações da empresa já desabaram (desde o início do ano) 51%.
Musk não quer aparentar preocupação. “Se vocês lerem as notícias, parece... o Armagedão”, disse o CEO da Tesla aos empregados, numa reunião que transmitiu, na noite de quinta-feira, no X - a plataforma da qual também é dono.
Ainda sobre a fabricante do chefe do Departamento de Eficiência Governamental (DOGE) de Trump, o fundo de pensões dinamarquês AkademikerPension fez saber na passada semana que considera meter a Tesla na sua lista de "exclusão" e a razão é a "envolvência" de Elon Musk "na política norte-americana e europeia". Mas também pela postura da empresa sobre direitos laborais e preocupações face à "independência do conselho de administração".
"Ele [Musk] tem apoiado publicamente figuras políticas controversas, espalhado desinformação e criticado governos", atirou, sem peias, o CEO do AkademikerPension, Jens Munch Holst, em comunicado.
Na reunião de quinta-feira com os seus trabalhadores, Musk admitiu que "há momentos difíceis", mas que ele próprio dará a cara, "para vos dizer que o nosso futuro será empolgante". O empolgamento do proprietário é quanto ao investimento da fabricante em condução autónoma, robótica e inteligência artificial, o que a valorizaria até aos cinco biliões de dólares.
Mas, para já, as ações da Tesla ora sobem, ora descem - na semana passada o JPMorgan baixou a sua previsão de preço das ações da Tesla para 120 dólares -, e a empresa tem um valor de mercado fixado em 760 mil milhões. “Acho que, em cinco anos, provavelmente teremos aprovação regulatória global e, portanto, teremos Teslas autónomos em todos os continentes. O que vos estou a dizer é: mantenham as vossas ações", afirmou Elon Musk na reunião de empresa.
Independentemente de Elon Musk acertar nas previsões (quanto à remota da Tesla) ou de falhar com estrondo, o certo é que o impacto das políticas (nacionais, no DOGE, ou além fronteiras) de Musk são os primeiros e principais responsáveis por esta crise. As suas promessas visionárias parecem esbarrar no desinteresse dos compradores - e isso é fatal, ou pode ser.
