O milionário é, curiosamente, fundador da OpenAI — que pode valer 460 mil milhões de euros brevemente e superar, por exemplo, a SpaceX. Elon Musk quis mandar nela, na OpenAI, mas perdeu poder para Sam Altman, talvez o seu maior “rival” (ou irritação) atualmente. Mas se Musk fala em “conspiração”, a OpenAI devolve a acusação: Musk está a “assediar” a empresa
Elon Musk abriu uma nova frente (judicial) na guerra que mantém com Sam Altman. A sua startup xAI processou esta segunda-feira, num tribunal do Texas, a Apple e a OpenAI, esta última de Altman — e parceira da primeira —, acusando-as de terem celebrado uma “conspiração ilegal” para monopolizar em simultâneo o mercado dos smartphones e dos chatbots de inteligência artificial.
No centro da disputa está a parceria anunciada no ano passado, que levou a Apple a integrar o ChatGPT nos sistemas operativos dos seus dispositivos. Para Musk, esse acordo não só “bloqueou os mercados” como reforçou a posição dominante da Apple nos telemóveis e consolidou o poder da OpenAI na IA generativa.
O processo pede a anulação da parceria e exige ainda a recuperação de “milhares de milhões em indemnizações”.
A reação não tardou. Pelo menos de Sam Altman, uma espécie de “nemesis” de Elon Musk. A OpenAI rejeitou de imediato as acusações, descrevendo o processo como parte de uma “campanha de assédio” de Musk contra a empresa — que ele próprio fundou, em 2015. A Apple, pelo contrário, optou pelo silêncio.
Este novo litígio judicial (veremos se com pernas para andar ou não) é apenas mais um capítulo de uma relação que se partiu em 2018, quando Elon Musk tentou, sem sucesso, assumir o controlo da OpenAI e, não conseguindo, acabou por abandonar a organização — que hoje continua nas mãos de Sam Altman. Desde então, o “divórcio” transformou-se em sucessão de ataques pessoais, processos judiciais (maiores ou menores) e, sobretudo, insultos públicos nas redes sociais.
Ainda este mês a tensão voltou a escalar. Musk acusou a Apple de manipular o ranking da App Store para favorecer o ChatGPT e travar qualquer concorrente, incluindo o Grok, o chatbot desenvolvido pela sua xAI. Sem surpresa, Sam Altman respondeu: “É notável ouvir isto de alguém acusado de manipular o X para favorecer as suas próprias empresas e prejudicar quem não gosta”.
Na guerra comercial, e não na das palavras, Altman parece levar vantagem. Pelo menos no que à IA diz respeito. O contraste é visível: a xAI de Musk continua a lutar por relevância num mercado saturado, enquanto a OpenAI se prepara para uma avaliação histórica de cerca de 460 mil milhões de euros — o que a tornaria a empresa privada mais valiosa do mundo. Por comparação: esta avaliação ultrapassaria, por exemplo, a SpaceX, jóia da coroa de Musk, avaliada em 320 mil milhões de euros.