Empresário norte-americano já declarou apoio à líder da extrema-direita francesa, Marine Le Pen
O confronto entre a candidata ecologista à Presidência de França, Marine Tondelier, e o proprietário da rede social X, Elon Musk, voltou a colocar no centro do debate a questão da desinformação e das ingerências estrangeiras nas eleições presidenciais francesas.
A troca de acusações começou depois de Tondelier defender a proibição de plataformas como o X durante a campanha eleitoral para as presidenciais, marcadas para duas voltas, a 18 de abril e 2 de maio de 2027. Na sua opinião, a postura permissiva destas redes sociais tem um impacto negativo no debate democrático.
Numa entrevista ao jornal de esquerda Libération, publicada na quarta-feira, a líder ecologista considerou que, para além dos ataques digitais capazes de provocar perturbações, a plataforma de Musk tem "um impacto muito mais estrutural, diário, na desinformação".
Por esse motivo, defendeu ser necessário "ameaçar plataformas como o X com uma proibição durante as eleições", bem como "impor o quadro jurídico europeu", nomeadamente a Lei dos Serviços Digitais (DSA, na sigla em inglês), para "sancionar as plataformas de redes sociais que não atuam com rapidez suficiente no combate a estas campanhas, que se recusam a fornecer informações ou a remover conteúdos problemáticos".
Tondelier sublinhou ainda que por detrás da plataforma está "uma pessoa baseada nos Estados Unidos, com uma ideologia supremacista e que quer claramente que a Europa passe para uma situação de total submissão aos Estados Unidos".
Musk pede que seja "reduzida ao silêncio"
O empresário norte-americano, de origem sul-africana, que há apenas três semanas declarou publicamente o seu apoio à líder da extrema-direita francesa, Marine Le Pen, para as presidenciais de 2027, classificando-a como "a última esperança de França", respondeu rapidamente a Tondelier através do X.
Numa publicação feita na quinta-feira, Musk afirmou que a dirigente ecologista "deve ser reduzida ao silêncio por traição à França".
A candidata respondeu igualmente através da mesma plataforma, num texto escrito em inglês, afirmando que "a França não tem de receber lições de patriotismo de um multimilionário estrangeiro que acredita ter o direito de decidir quais os responsáveis políticos europeus que devem ser reduzidos ao silêncio".
"A democracia não está à venda. Nem sequer para o homem mais rico do mundo", acrescentou, dizendo preferir "ser acusada de defender a democracia do que tentar comprá-la".
Mais tarde, Tondelier recebeu também no X o apoio de Jean-Luc Mélenchon, líder da França Insubmissa (LFI) e, por agora, o candidato da esquerda mais bem colocado nas sondagens para as presidenciais.
Mélenchon manifestou indignação pelo facto de "as presidenciais francesas serem uma porta aberta para todos os manipuladores do mundo" e prometeu que, "quando chegar o momento", irá restabelecer "o respeito que o país e a sua democracia merecem".
Suspeitas de operações de desestabilização
A polémica surgiu em paralelo com o anúncio, na quinta-feira, de que a Procuradoria de Paris abriu uma investigação sobre suspeitas de ingerência russa contra o eurodeputado social-democrata Raphaël Glucksmann, próximo do Partido Socialista e também potencial candidato à Presidência.
Glucksmann denunciou, na terça-feira, ter sido alvo de uma operação de "desestabilização" organizada pelo grupo Storm-1516, alegadamente ligado ao serviço de informações militares russo, o GRU.
Segundo o artigo, o mesmo grupo já tinha conduzido, em julho, outra campanha contra Édouard Philippe, também apontado como possível candidato presidencial e antigo primeiro-ministro de Emmanuel Macron, através da divulgação de informações falsas nas redes sociais sobre o seu estado de saúde.
Foi igualmente revelada outra operação de desestabilização política dirigida contra Gabriel Attal, outro potencial candidato à Presidência e também antigo primeiro-ministro do atual chefe de Estado francês, Emmanuel Macron.
