A Tesla vai para a Arábia Saudita
A Tesla vai levar os seus carros eléctricos para a Arábia Saudita, país rico em petróleo, num contexto de queda das vendas a nível mundial
por Anna Cooban, CNN
A Tesla vai começar a vender os seus veículos eléctricos na Arábia Saudita, entrando na maior economia da região do Golfo, numa altura em que as vendas globais da empresa estão a cair e o CEO Elon Musk provoca controvérsia com o seu papel no Governo dos EUA.
O fabricante de automóveis anunciou quarta-feira que vai organizar um evento de lançamento na Arábia Saudita a 10 de abril, onde vai mostrará seus carros. Os participantes vão ter a oportunidade de “experimentar o futuro da condução autónoma com o Cybercab e conhecer o Optimus, o nosso robô humanoide, enquanto mostramos o que está por vir em IA e robótica”, diz a Tesla.
A Tesla pode ter dificuldade em ganhar quota de mercado na Arábia Saudita, rica em petróleo, uma vez que os carros elétricos representam pouco mais de 1% de todas as vendas de automóveis no país, de acordo com um relatório da consultora PwC publicado em setembro.
A entrada da Tesla no novo mercado ocorre numa altura em que a empresa trava batalhas em várias frentes.
No ano passado, registou o primeiro declínio anual nas vendas na sua história como empresa pública, com uma queda de 1%.
A empresa está a enfrentar uma concorrência cada vez mais intensa na China, o maior mercado automóvel do mundo. Na terça-feira, a BYD, um fabricante chinês de automóveis eléctricos e híbridos, anunciou 99,14 mil milhões de euros em vendas anuais para 2024, superando os 90,80 mil milhões de euros registados pela Tesla.
E, na semana passada, a BYD revelou um sistema de carregamento ultrarrápido que diz ser capaz de adicionar 402 km de alcance em apenas cinco minutos, superando facilmente a tecnologia de carregamento da Tesla. Os Superchargers da Tesla demoram 15 minutos a carregar, proporcionando uma autonomia de 322 km.
A Tesla também tem sofrido uma queda nas vendas na Europa. Em fevereiro, o fabricante de automóveis vendeu cerca de 40% menos veículos em comparação com o mesmo mês de 2024, de acordo com a Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis.
Nos Estados Unidos, a terra natal da Tesla, o papel polémico de Musk no Governo - que envolveu o corte de milhares de empregos no sector público como chefe do Departamento de Eficiência Governamental - também afastou muitos potenciais compradores da Tesla. Os preços dos Teslas usados estão a cair a pique, mesmo com o aumento do interesse pelos veículos elétricos usados em geral.
As ações do bilionário no Governo desencadearam uma onda de vandalismo contra showrooms, estações de carregamento e veículos da Tesla nos EUA, de tal forma que o FBI anunciou na segunda-feira que tinha criado um grupo de trabalho para “reprimir os ataques violentos à Tesla”.
Também se registaram protestos pacíficos em muitas instalações da Tesla, com manifestantes a segurar cartazes e a gritar “Elon Musk tem de se ir embora”, em referência ao seu cargo no Governo.
Estas dores de cabeça convenceram muitos investidores a abandonar as ações da Tesla: caíram 40% desde que atingiram um máximo histórico em dezembro.