Futuro Elevador da Glória é "uma solução nova" que garante "toda a segurança"

Agência Lusa , CM
31 ago, 22:42
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Quase um ano depois da tragédia, inspeção aos ascensores da Bica e do Lavra e ao elevador de Santa Justa ainda decorre

O futuro ascensor da Glória, em Lisboa, contará com um “novo sistema” que garantirá “toda a segurança”, prevendo-se um concurso público internacional de conceção até ao final março de 2027 e a inauguração do equipamento em 2029, foi divulgado esta segunda-feira

“Já não podemos ter um equipamento histórico que funcionava sem modificações substantivas até ao dia 1 de janeiro de 1986 e, portanto, estamos perante uma solução nova em termos de processo construtivo”, afirmou o presidente da Carris, Rui Lopo, na apresentação da solução e dos conceitos técnicos subjacentes ao projeto do futuro ascensor da Glória, que decorreu no auditório da Ordem dos Engenheiros, em Lisboa.

Rui Lopo reforçou que o projeto não consiste numa reconstrução do anterior sistema de transporte do elevador - que descarrilou em 3 de setembro de 2025, num incidente com 16 mortos e 24 feridos -, até porque uma das duas cabinas ficou destruída. Ainda assim, apesar do anúncio de um “novo modelo”, o novo equipamento será “semelhante ao anterior”.

“É um equipamento seguro, é um equipamento moderno, uma cabina semelhante à anterior, mas não será em madeira, será em materiais mais resistentes a qualquer embate, a qualquer circunstância", afirmou.

Antes de falar sobre a solução, o presidente da transportadora deixou uma primeira palavra às vítimas, aos sobreviventes e aos seus familiares, indicando que nada do que se possa apresentar “pode, nem quer, apagar a dimensão humana” de um acidente que “marca profundamente a cidade, a Carris e os seus trabalhadores”.

Nesta sessão esteve também o vice-presidente da Câmara Municipal de Lisboa (CML), Gonçalo Reis (PSD), que enalteceu o trabalho do município “depois do trágico acidente”, no apoio às vítimas e aos seus familiares, na “averiguação de todas as causas do acidente”, com auditorias internas e externas, e no desenvolvimento de uma solução futura para o ascensor da Glória e para os equipamentos históricos da Carris.

Relativamente ao futuro ascensor, o vice-presidente da CML realçou a aposta num modelo “tecnicamente robusto”, que garante “toda a eficácia, toda a segurança, e que segue as melhores práticas do mundo”.

“É também um modelo que compatibiliza uma boa solução em termos de mobilidade de transportes com a valorização do espaço público, e é uma solução moderna, é uma solução avançada, mas que respeita a identidade, o caráter e a história deste espaço tão especial”, apontou Gonçalo Reis.

Como acionista única da Carris, a CML validou a solução para o futuro ascensor da Glória e destacou a importância de um concurso público internacional para a sua conceção, “com toda a transparência, para permitir atrair os melhores parceiros tecnológicos”, indicou o vice-presidente da autarquia.

“O concurso vai ser lançado no primeiro trimestre de 2027 e, como a administração da Carris diz, a implementação deste projeto ocorrerá até 2029”, declarou o autarca, sem adiantar o montante do investimento previsto, justificando que o valor “depende da solução técnica definitiva que vier a ser desenvolvida”.

Lembrando que o ascensor da Glória “tem muita procura” – segundo dados antes do descarrilamento mortal -, Gonçalo Reis disse que a CML não terá dificuldade em encontrar soluções financeiramente sustentáveis para o desenvolvimento do projeto.

Presidente da Carris desde janeiro – após a demissão do anterior gestor Pedro de Brito Bogas na sequência do descarrilamento -, Rui Lopo reforçou que o futuro do ascensor da Glória, classificado como Monumento Nacional, passa por “uma instalação nova” de transporte público, com um conjunto de mecanismos de segurança que não estavam anteriormente previstos.

Por exemplo, o novo sistema prevê que, “se alguém se atravessa em frente à cabina, ela trava automaticamente”, referiu o presidente da Carris, acrescentando que a estrutura será antifogo.

Rui Lopo adiantou que o ascensor deverá assegurar a acessibilidade a todos os cidadãos, inclusive pessoas em cadeiras de rodas, sendo esta “uma condição completamente nova” comparativamente ao anterior equipamento.

A solução defende ainda a preservação da Calçada da Glória e do seu património arqueológico.

A apresentação do futuro ascensor contou também com as intervenções do diretor de novos empreendimentos da Carris, Luís Gonçalves, do arquiteto Ricardo Bak Gordon e da arqueóloga Leonor Medeiros.

Inspeção aos ascensores da Bica e do Lavra e ao elevador de Santa Justa ainda decorre

A inspeção aos ascensores da Bica e do Lavra e ao elevador de Santa Junta, equipamentos históricos em Lisboa encerrados há cerca de um ano na sequência do descarrilamento do elevador da Glória, ainda decorre, informou hoje a Carris.

Em declarações aos jornalistas após a apresentação da solução para o futuro ascensor da Glória, o presidente da Carris, Rui Lopo, disse que os ascensores da Bica e do Lavra e o elevador de Santa Junta ainda estão sob “avaliação técnica rigorosa, de grande detalhe, de grande cuidado”, sem previsão de quando voltarão a funcionar, adiantando que no elevador de Santa Justa “a avaliação está mais avançada do que no Lavra, mas ainda vai demorar”.

“A segurança não é negociável e, portanto, estas coisas não podem ter precipitações e tem que ser tudo visto com grande cuidado”, declarou.

Na sequência do descarrilamento do Elevador da Glória, a Câmara Municipal de Lisboa suspendeu “de imediato” o funcionamento dos equipamentos históricos da Carris para serem inspecionados, nomeadamente os ascensores da Bica e do Lavra, o elevador de Santa Junta e o funicular da Graça, que reabriu em 30 de abril.

Passado cerca de um ano, os ascensores da Bica e do Lavra ainda estão a ser avaliados, sendo que “há um conjunto de circunstâncias técnicas que têm que corresponder às questões de segurança”, indicou o presidente da Carris, Rui Lopo, no cargo desde janeiro, após a demissão do anterior gestor Pedro de Brito Bogas na sequência do descarrilamento.

Afirmando que ascensor do Lavra tem o mesmo sistema de funcionamento do ascensor da Glória, porque “a Glória é o irmão gémeo do Lavra”, o presidente da Carris ressalvou que, “independentemente disso, há uma Comissão Técnica Independente que está a trabalhar” quanto à avaliação da segurança do Lavra.

“Ainda é prematuro nós conseguirmos avaliar o que é que efetivamente tem de acontecer” para que o ascensor do Lavra possa voltar a funcionar, expôs Rui Lopo, referindo que “há um enquadramento macro, mas tem que ser analisado, com muito detalhe, com muita responsabilidade”, sublinhando que “são processos demorados”.

O funcionamento destes equipamentos históricos da Carris depende de vários fatores, inclusive a demora no fornecimento de equipamentos e de subsistemas de segurança, o que “tem um tempo demoradíssimo”.

“Portanto, avaliar condições, com grande responsabilidade, ter o tempo que for necessário para, quando for reposto, é reposto em condições de segurança, hipertestadas e hiperverificadas”, defendeu, explicando que “o funcionamento destes equipamentos não é assim tão diferente uns dos outros.

Referindo que todos estes equipamentos históricos da Carris “são património nacional”, Rui Lopo disse que, “se todas as condições de segurança podem ser garantidas, ainda que em equipamentos antigos”, a empresa municipal tem de garantir toda a avaliação técnica, que está a ser feita por “variadíssimas entidades”, inclusive a Comissão Técnica Independente e técnicos internacionais.

Essa avaliação técnica concluirá se os equipamentos podem funcionar tal como estão ou se é preciso introduzir alterações ou se carecem de “uma solução completamente nova”, apontou o presidente da Carris.

A Comissão Técnica Independente, criada por deliberação da Câmara de Lisboa, presidida por Carlos Moedas (PSD), após o acidente com o elevador da Glória, é composta por especialistas indicados pela Ordem dos Engenheiros (OE), pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) e pelo Instituto Superior Técnico (IST), contando ainda com representantes das empresas municipais Carris (transporte público) e da EMEL (estacionamento e mobilidade).

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