Falhanço da rede elétrica: especialistas pedem auditoria urgente

5 fev, 20:32

Tempestade tornou evidentes erros graves de engenharia, que comprometem a segurança da população

As imagens de torres de alta tensão tombadas, algumas delas com as sapatas de fundação arrancadas do solo, levantam um alarme sério sobre a capacidade de resistência da rede elétrica nacional. Especialistas em Engenharia de Estruturas ouvidos pela CNN Portugal pedem ao Governo uma auditoria urgente, para evitar a repetição, no futuro, de apagões mais demorados em territórios onde vivem e trabalham milhões de portugueses.

As linhas de alta tensão, se respeitarem as normas de construção, teriam resistido à tempestade “Kristin”. O facto de uma torre ter tombado por sucção vertical - e não apenas por esforço horizontal - aponta para falhas graves no dimensionamento das fundações ou na adaptação do projeto ao tipo de solo. “Há garantidamente um erro de engenharia, se é que houve engenharia nisso”, acusa João Appleton, investigador-coordenador jubilado do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC).

“As estruturas das linhas de alta tensão são dimensionadas para resistir ao vento. Supostamente, deveriam ter aguentado este temporal. Agora é preciso investigar para saber o que correu mal”, concorda Mário Lopes, professor do Instituto Superior Técnico (IST).

Os especialistas defendem que o Governo deve ordenar uma auditoria independente à rede elétrica, avaliando fundações, critérios de projeto e práticas de construção ao longo de milhares de estruturas espalhadas pelo país. A preocupação vai além do vento. Um estudo encomendado pelo Estado ao IST, em 1999, sobre a vulnerabilidade sísmica das infraestruturas na Área Metropolitana de Lisboa, concluiu que existiam riscos significativos de apagão prolongado, em particular na Grande Lisboa.

A questão é estratégica. Uma falha prolongada de energia arrasta comunicações, redes de abastecimentos e a resposta de emergência. “Se um temporal já deixa populações semanas sem eletricidade, o que acontecerá num sismo forte?”, perguntam João Appleton e Mário Lopes.

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