Adeptos de teorias da conspiração e de fraude eleitoral: eleitos quase 200 republicanos que questionaram (ou negaram) a vitória de Biden sobre Trump

CNN Portugal , MJC
9 nov, 09:50
Republicano Greg Abbott, governador do Texas (AP)

Os Estados da Flórida e do Texas estão entre o que escolheram um maior número de políticos apoiantes das teorias da conspiração e fraude eleitoral lançadas por Trump

Quase 200 republicanos que questionaram os resultados das eleições de 2020 – ou negaram a vitória do presidente Biden – serão eleitos para o Congresso ou como governadores nos seus estados. A contagem foi feita pelo New York Times com base nos resultados já apurados e nas expectativas em relação aos resultados finais.

Antes destas eleições, o jornal examinou as declarações feitas por candidatos republicanos em todos os 50 estados para lugares na Câmara dos Representantes e no Senado dos EUA e nas disputas estaduais para governador, secretário de Estado e procurador-geral, e descobriu que mais de 370 tinham colocado em dúvida o resultado das presidenciais de 2020, apesar da falta de provas de que tivesse havido qualquer fraude eleitoral.

Os céticos eleitorais identificados pelo Times variaram entre aqueles que negaram totalmente os resultados de 2020 até aqueles que "apenas" questionaram o processo ou os resultados, muitas vezes sugerindo que teria havido irregularidades, e exigiam uma "investgação mais aprofundada".

Até à ao início da manhã desta quarta-feira, pelo menos 80 desses candidatos tinham já perdido a sua corrida.

Mas mais de 30 candidatos que negaram explicitamente os resultados das eleições de 2020 venceram até agora. A maioria já ocupava o lugar para o qual foi agora reeleito, e todos eram favoritos para vencer.

Os Estados da Flórida e do Texas estão entre o que escolheram um maior número de políticos apoiantes das teorias da conspiração e fraude eleitoral lançadas por Trump. Por exemplo, Greg Abbott foi reeleito governador do Texas depois de ter apoiado uma ação da justiça local que tentava anular os resultados das presidenciais.

No Senado, o deputado Markwayne Mullin, de Oklahoma, preencherá a vaga deixada por Jim Inhofe, um republicano reformado. “Eu realmente sinto que a máquina democrata está a roubar estas eleições”, disse Mullin após a eleição de 2020.

J.D. Vance, o autor republicano do livro “Hillbilly Elegy” (o livro que depois deu origem ao filme "Lamento de uma América em Ruínas", realizado por Ron Howard), derrotou o deputado Tim Ryan para substituir o senador Rob Portman, de Ohio, que se está a reformar. Vance também disse em março de 2022 que achava que em 2020 a vitória tinha sido "roubada" a Donald J. Trump.

Até agora, mais de uma dúzia de republicanos que disseram explicitamente que a eleição de 2020 foi roubada ou fraudada foram eleitos para a Câmara dos Representantes. Eles incluem recém-chegados como Anna Paulina Luna, da Flórida, que disse acreditar que Trump venceu as eleições de 2020. Ela representará o 13º Distrito da Flórida no próximo Congresso.

Russell Fry, que derrubou o deputado Tom Rice da Carolina do Sul nas primárias republicanas, venceu o seu rival democrata. “Está muito claro que houve uma fraude”, disse Fry sobre a eleição de 2020.

Os representantes Marjorie Taylor Greene, da Geórgia, Paul Gosar, do Arizona, e Matt Gaetz, da Flórida – todos eles apoiantes das alegações de Trump – foram reeleitos.

A governadora Kay Ivey do Alabama também foi reeleita para outro mandato. Em abril de 2022, ela disse que “as notícias falsas, a grande tecnologia e os liberais do estado azul roubaram a eleição ao presidente Trump”.

Em 2020, Joe Biden ganhou por sete milhões de votos a mais e 74 votos a mais no Colégio Eleitoral do que Trump. As tentativas de Trump e seus aliados de contestar os resultados foram rejeitadas por juízes de todo o país.

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