PSD teve mais votos e menos deputados. CDS bateu Livre e PAN mas não elegeu. Eis porquê

31 jan, 07:00
Discurso de Rui Rio na noite eleitoral (Mário Cruz/Lusa)

Mais votos e menos deputados? Sim, é o método d'Hondt. Veja quantos votos ganhou e perdeu cada partido, numa eleição que teve mais 297 mil votantes em território nacional

O CDS saiu da Assembleia da República nas eleições legislativas de 2022. Mas teve até mais votos do que o PAN e do que o Livre, que elegeram um deputado cada um. Como? A resposta está na distribuição de votos por círculos eleitorais – ou do célebre método d'Hondt. Que explica também porque é que o PSD teve mais votos do que em 2019 mas perdeu deputados.

Vejamos os dados: faltam ainda apurar os resultados do estrangeiro, pelo que só existe ainda informação relativa aos 9.298.390 (9,3 milhões) de inscritos no território nacional. Destes, votaram 5.389.705 (5,4 milhões), o que resulta numa taxa de abstenção de 42% em território nacional. Esta taxa compara com uma abstenção de 45% em 2019 só em território nacional – que subiu para acima 51% depois de integrados os quase 1,5 milhões de inscritos no estrangeiro.

Daqui se infere que a taxa de abstenção em 2022 deverá subir quando os resultados totais (incluindo estrangeiro) estiverem disponíveis. Mas ficará ainda assim abaixo de 2019.

Quem ganhou e perdeu votos

O PS foi o partido que mais aumentou o número de votos: mais quase 380 mil do que em 2019, para um total superior a 2,2 milhões. Já o Chega ganhou quase 320 mil votos de uma eleição para a outra. A Iniciativa Liberal conquistou mais de 200 mil votos entre 2019 e 2022.

Do lado dos perdedores, o Bloco de Esquerda perdeu 252 mil votos, a CDS quase 130 mil e a CDU mais de 90 mil.

O caso do CDS e do PSD

O CDS teve este ano quase 87 mil votos, que lhe permitiram eleger zero deputados. Perdeu, pois, quase 130 mil votos face a 2019. Mas teve ainda assim mais votos totais do que o PAN (que teve 82 mil votos) e do que o Livre (que recebeu 69 mil votos), que elegeram um deputado cada um. Porquê? Porque teve votos mais dispersos, por mais círculos eleitorais.

O mesmo acontece com o PSD, que teve mais 78 mil votos em território nacional do que em 2019 mas elegeu apenas 76 deputados, quando há pouco mais de dois anos elegeu 77 deputados em território nacional (mais dois pelo estrangeiro). Sim, mais 78 mil votos e menos um deputado. A explicação é a mesma: votos mais dispersos.

O método d’Hondt

O sistema eleitoral português é um sistema de representação proporcional, que utiliza o método D’Hondt para converter o número de votos conquistados pelos partidos em mandatos.

Este modelo matemático consiste na divisão do número total de votos obtidos por cada candidatura por divisores fixos, nomeadamente 1, 2, 3, 4, 5, e assim sucessivamente até se esgotarem todos os mandatos do respetivo círculo eleitoral.

Imaginemos o seguinte cenário (proposto pela própria Comissão Nacional de Eleições): um determinado círculo eleitoral elege sete deputados entre quatro partidos concorrentes, os partidos A, B, C e D. O partido A conquistou um total de 12.000 votos, o partido B 7.500, o partido C 4.500 e o partido D 3.000. A operação ocorre da seguinte forma:

Tal como os restantes métodos de representação proporcional, o método D’Hondt apresenta vantagens e desvantagens. Entre as vantagens, destaca-se o facto de ser considerado um método muito simples de aplicar e que assegura uma boa proporcionalidade entre votos e mandatos. Talvez por isso seja o método mais utilizado no mundo, nomeadamente na Holanda, em Israel, em Espanha, na Argentina, entre outros. Entre as desvantagens destaca-se o facto de, tendencialmente, favorecer os partidos maiores.  

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