Costa define-se como "inimigo principal do Chega" (sê-lo "é um orgulho") e diz que isso o distingue de Rio. Isso e não esconder coisas

25 jan, 23:15

Entrevista CNN Portugal. Secretário-geral do PS assume que falará com todos menos um em caso de vitória minoritária. Diz que as pessoas lhe têm pedido na rua para procurar consensos. Acusa o líder social-democrata de "esconder o programa que tem" para o país

Depois de ter pedido uma maioria absoluta, e de ter insistido bastante nela sobretudo após o debate com Rui Rio, o secretário-geral do PS parece estar mais aberto ao diálogo, depois de se ter disponibilizado para conversações com todo o espectro político, à exceção do Chega. E, agora, o mesmo António Costa que defendeu que uma maioria absoluta era necessária para a estabilidade do país, e que até disse que um Presidente como Marcelo não permitiria abusos de poder, faz questão de sublinhar à CNN Portugal que já tinha dito que "os portugueses não gostavam de maiorias". Agora, espera pelos resultados de domingo, dizendo que vai cumprir o mandato que lhe derem, "quaisquer que sejam as condições".

"Se não houver maioria, aquilo que farei é dialogar com todos", diz, sublinhando que tem sentido na rua que as pessoas querem que construa pontes e mantenha o país unido, antes de voltar a falar numa crise política desnecessária. É por isso que, segundo António Costa, a melhor forma de governar é dar estabilidade a um governo, nomeadamente a um que não fique dependente da extrema-direita, como entende que aconteceria com o PSD.

Sobre os entendimentos que podem existir, diz ter "estima por todos" e deixa o julgamento do que aconteceu para quem vai votar: "Falarei com todos os partidos. Há um com quem não vale a pena falar. Além de bom dia ou boa tarde, não há muito mais a dizer ao Chega", vinca, garantindo que um governo PS não contará com o partido de André Ventura.

"A experiência dos Açores com o PS não será repetida", refere, falando em dependência de "bons humores ou chantagem" do Chega, numa clara indireta a Rui Rio. É assim que António Costa volta a partir para uma ideia anterior: a de que vai deixar o PS caso não vença as eleições, cenário em que partirá "de alma tranquila, em paz e em sossego". No caso de uma vitória com maioria relativa, o secretário-geral do PS garante que um governo socialista será sempre à esquerda, mas nunca deixa de parte um eventual entendimento com os partidos à sua direita, com a tal exceção feita ao Chega.

Falando em medidas, acusa o PSD de querer promover a economia à custa de baixos salários, enquanto o PS tem como bandeira a proposta do IRS jovem. Mas foi na Saúde que veio um maior ataque a Rui Rio, estabelecendo uma diferença nas propostas para o Serviço Nacional de Saúde.

Confrontado com as palavras de Rui Rio, que disse que António Costa podia sair "com dignidade", o candidato socialista rejeitou um pingue pongue, sugerindo que o presidente social-democrata utiliza esse tipo de diálogo - incluindo o gato Zé Albino - para "esconder o programa que tem".

"O que é que propõe efetivamente? Sobre o salário mínimo procura esconder o que o PSD pensa, sobre os impostos deixou de falar porque não consegue esconder o que está escrito e redito: não vai baixar o IRS sobre as classes médias. O que tem a dizer relativamente às alterações climáticas, sobre a transição digital?", questiona António Costa, que entende estes dois últimos pontos como chave para diferenciar as empresas, ao contrário de uma descida de IRC proposta pelos sociais-democratas.

Questionado sobre uma eventual colagem que tem feito do PSD ao Chega, António Costa rejeita e contrapõe dizendo que é o "PSD que se deixa ficar refém do Chega". "Uma coisa garanto: nenhum governo do PS ficará dependente do Chega", reiterou, apelidando-se "inimigo principal do Chega" enquanto, diz, o PSD aceita ficar dependente do partido de André Ventura. "Connosco não passam, nem direta, nem indiretamente. O Chega é o Chega e prisão perpétua é prisão perpétua. Ser o inimigo principal do Chega é um orgulho", acrescentou.

Ainda sobre o diálogo a ocorrer a partir da próxima segunda-feira, António Costa diz que essas conversas serão em torno de uma centralidade do programa do PS, que ficará desde logo baseado na proposta de Orçamento do Estado para 2022, chumbada no fim de 2021, o que motivou as eleições desta semana.

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