Primeiro presidente de Câmara do Chega quer mais liberdade em São Vicente. “Havia uma ditadura e as pessoas viviam com amarras”

12 out 2025, 22:24
José Carlos Gonçalves

José Carlos Gonçalves disse à CNN Portugal que pretende “ser um exemplo” para todo o país, que vai apostar “no desenvolvimento” e “dar voz à oposição”

Com 58 anos, José Carlos Gonçalves deu ao Chega a primeira presidência de câmara no país, em São Vicente, na Madeira. “É um marco histórico para o Chega e para São Vicente e vamos ser uma autarquia exemplar em Portugal”, diz à CNN Portugal o recém-eleito autarca. Ainda antes dos dados desta freguesia serem oficias, já a sua eleição estava a ser anunciada por elementos do partido que nas televisões sublinhavam ser ele a imagem do primeiro líder de uma autarquia do Chega, uma vez que em 2021, o partido não ganhou qualquer presidência, mas apenas vereações.

José Carlos Gonçalves conseguiu agora, com 49,23% dar três autarcas e a maioria ao Chega, destronando o PSD que nos últimos anos tinha todos os cinco autarcas. Assim que atendeu o telefone à CNN Portugal, e quando confrontado com a sua eleição, as primeiras frases foram de acusação para os agora antecessores. “Como tinham a hegemonia não davam a palavra a ninguém”, acusa José Carlos Gonçalves, garantindo: “Nos últimos anos as pessoas da terra tinham medo de falar”.

“Vamos libertar as pessoas. Aqui em São Vicente as pessoas são oprimidas e chantageadas”, atira, continuando. “Havia uma ditadura e as pessoas viviam com amarras”.

Esta não é a primeira vez que o empresário tenta ser presidente. Em 2021 candidatou-se com o apoio da Iniciativa Liberal, mas obteve pouco mais de 15% e por isso continuou nos últimos anos a dedicar-se à sua empresa de seguros.

Foi nesta área que se especializou como empresário, mas garante que vai passar tudo para as filhas, Melissa, de 27 anos, e Vitória de 24. “Amanhã as quotas da empresa ficam para elas. E a mais nova vai continuar a exercer a administração”, explica o autarca, lembrando que Vitória foi, aliás, a mandatária da sua candidatura a São Vicente.  “Conhecemos São Vicente como a palma das nossas mãos”. Para isso, garante, contribuíram as caminhadas que faz com os amigos todos os domingos pelos trilhos da zona.

Conta que nasceu nesta freguesia, onde estudou até ao 7º ano. “Depois fui para o colégio missionário e terminei o 12º ano na secundária Francisco Franco”.  Não estudou mais, mas ainda deu aulas de Educação Física e de língua e cultura. Passou pelo ramo da restauração, mas acabou por se estabelecer como empresário na área dos seguros.

Quando falou com a CNN Portugal tinha acabado de saber que fora eleito para dirigir a autarquia, para onde, diz, já tem prioridades definidas. Sublinhando mais do que uma vez que pretende “ser um exemplo” para todo o país, José Carlos Gonçalves adianta que vai apostar “no desenvolvimento”, “dar voz à oposição” e apostar em medidas concretas como “a higiene urbana”.

“Outra questão importante é a das grutas de São vicente, que estão fechadas por questões políticas e com prejuízos de milhões”, argumenta, aproveitando para acrescentar mais uma ideia: “Outra área que vai ser importante para nós é a educação, nomeadamente a criação de bolsas para os estudantes”.