Está fechada a contagem na cidade que Fernando Ruas governou desde 1989, com breves interrupções pelo meio. O vencedor é, pela primeira vez em democracia, o Partido Socialista. O novo presidente em Viseu chama-se João Azevedo — e, se não o conhece, é o homem que está na fotografia
Foi renhido, renhido, até quase ao último voto. O PSD ia à frente, mas já quase no fim o tabuleiro viraria, o PS deu um sprint final e venceu em Viseu: 42,28% dos votos para os socialistas (quatro mandatos) e 40,88% para os sociais-democratas (quatro mandatos também; o Chega terá um). É a primeira vitória à esquerda em democracia.
É que se o PSD já ali perdeu e perdeu — o concelho foi "CDS" em 1976 (Eduardo Leal Loureiro), 1979 (Manuel Moreira de Amorim) e 1985 (Manuel Engrácia Carrilho) —, é verdade também que não perdia há muito. E muito menos com Fernando Ruas.
Antes de Ruas houve outro social-democrata, António Costa Vidal, que venceu em 1982, mas a partir de 1989 (tomou posse em 1990) Fernando Ruas não conheceu, enquanto quis ou a lei eleitoral permitiu, o sabor à derrota. De 1990 até 2013 venceu sempre, entre 2013 e 2021 deu a vez a Almeida Henriques, e regressou em 2021 — pelo meio foi eurodeputado (2014-2019) e deputado à Assembleia da República (2019-2021) — para vencer e tentar agora em 2025 uma oitava vitória.
Não conseguiu, ficou pelas sete. Mas continuará a prevalecer na história das autárquicas (foi, aliás, ele o presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses de 2002 a 2013) como um “dinossauro”.
Caiu, aos 76 anos, por apenas 799 votos, a figura central do “cavaquistão” político beirão — Viseu tem sido historicamente um bastião da direita, com domínio do PSD nas últimas três décadas e meia — e ascende uma figura de esquerda desconhecida para grande parte dos socialistas: João Azevedo.
João Azevedo nasce com a democracia, em 1974, e é viseense de berço, formado em Educação Física. Fez-se autarca em Mangualde, três mandatos de enfiada: entre 2009 e 2019. Depois foi deputado à Assembleia da República — ainda e sempre no círculo de Viseu, passando por comissões ligadas ao poder local. Desde 2021 é também vereador em Viseu. Mas não é, ou não era, primeira figura nacional socialista. Agora não terá como não sê-lo.