É junto do candidato da Iniciativa Liberal que há mais pessoas sem saberem em quem votar no dia 8 de fevereiro. Também entre eles há vários que já decidiram optar por um voto branco ou até nulo
Quem votou António José Seguro e André Ventura na primeira volta não vai mudar o seu sentido de voto, como já seria de esperar, mas o que vai mesmo decidir quem é o próximo Presidente da República são os quase 50% de eleitores que votaram noutras opções.
Aí, e de acordo com a tracking poll feita pela Pitagórica para a TVI, CNN Portugal, JN e TSF, a balança pende para o lado do candidato apoiado pelo PS, ainda que haja muitos indecisos.
Essas pessoas, que ainda não sabem o que vão fazer no dia 8 de fevereiro, estão sobretudo entre os eleitores que escolheram João Cotrim de Figueiredo ou Luís Marques Mendes na primeira volta.
Ao todo, cerca de 400 mil pessoas ainda não decidiram o seu sentido de voto na segunda volta.
Balança a favor de Seguro, mas com muitos indecisos para convencer
Foi o presidente do PSD que afirmou com clareza, em pleno Parlamento, que o espaço do partido não estava representado nesta segunda volta. De acordo com Luís Montenegro, isso justificava a ausência de um apoio declarado, uma vez que a corrida era entre o “espaço à esquerda” e o “espaço à direita” do partido.
Só que há mesmo muito eleitorado “órfão” da primeira volta que não quer deixar de tomar uma posição dia 8 de fevereiro, sendo que todos esses votos são claramente decisivos para ajudar a desempatar.
De acordo com a tracking poll, aqueles que votaram João Cotrim de Figueiredo, Henrique Gouveia e Melo e Luís Marques Mendes têm uma tendência clara, ainda que uns mais que outros.

É junto dos eleitores do candidato que na primeira volta foi apoiado pela Iniciativa Liberal que há mais indecisão. Apesar de a maioria admitir que vai votar António José Seguro, muitos estão indecisos e alguns admitem mesmo votar em branco ou nulo.
Junto desse espaço, e depois das declarações de voto de nomes como Carlos Guimarães Pinto, Mário Amorim Lopes e até da presidente da Iniciativa Liberal, Mariana Leitão - que deixou claro que o partido não apoia ninguém - a favor de António José Seguro, quase metade dos eleitores não está decidido a votar em nenhum dos candidatos.
Se olharmos apenas ao número de indecisos, que são 19,8%, isso significa, numa conta direta que tem em conta os votantes de João Cotrim de Figueiredo na primeira volta, que cerca de 180 mil pessoas ainda podem balançar o seu voto.
A dúvida é menor nos candidatos abaixo. No caso de Henrique Gouveia e Melo, que teve parte da campanha marcada por várias críticas a André Ventura - e que até teve apoiantes como Isaltino Morais em bate-bocas diretos com o candidato apoiado pelo Chega -, cerca de três quartos dos eleitores devem transferir o voto para António José Seguro.

Curiosamente, este é um eleitorado onde há maior divisão entre candidatos. Se há mais gente a apoiar António José Seguro em relação aos eleitores de João Cotrim de Figueiredo, também há mais pessoas a transferirem o voto para André Ventura.
O que há menos nos eleitores de Henrique Gouveia e Melo são pessoas que vão votar branco ou nulo ou que ainda estão indecisas sobre o que fazer a 8 de fevereiro. Excluindo os próprios António José Seguro e André Ventura, o eleitorado do almirante é mesmo o que parece ter a coisa mais resolvida.
Quanto a Luís Marques Mendes, provavelmente o grande derrotado da noite de 18 de janeiro, espera-se uma grande transferência de voto para António José Seguro. A isso não será indiferente a declaração de voto do candidato, que acabou por pender para o antigo secretário-geral socialista.

Ainda assim, é nos eleitores que votaram Luís Marques Mendes na primeira volta e que estão indecisos que ainda pode haver uma surpresa. Quase 20% dessas pessoas não sabem em quem vão votar a menos de duas semanas da segunda volta.
| Candidato | AJS | AV | B/N | Indecisos | Total |
| Seguro | 99,6% | 0,4% | 0 | 0 | 100% |
| Ventura | 2,6% | 95,3% | 0,5% | 1,6% | 100% |
| Cotrim | 53,7% | 6,6% | 19,9% | 19,8% | 100% |
| Gouveia e Melo | 76% | 11,5% | 4,2% | 8,3% | 100% |
| Marques Mendes | 68,5% | 9% | 4,5% | 18% | 100% |
| Outros | 81,8% | 3% | 9,1% | 6,1% | 100% |
| Total | 60,9% | 26,5% | 5,3% | 7,3% | 100% |
Há no PS quem vote em Ventura (e socialistas no Chega)
A primeira parte não é surpresa. A esmagadora maioria dos eleitores de António José Seguro são pessoas que votaram no PS nas legislativas de 2025 e a também esmagadora maioria dos votos de André Ventura são pessoas que votaram Chega há menos de um ano.
É no resto que está a diferença, claro, com o eleitorado da Aliança Democrática (AD), que venceu essas eleições, a revelar-se decisivo para desempatar a segunda volta. Aí, e de acordo com a tracking poll, grande parte vai pender para o lado de António José Seguro, ainda que 13,1% das pessoas decida votar André Ventura, exatamente a mesma percentagem de indecisos.
A tendência “segurista”, se assim o podemos dizer, acentua-se entre quem votou noutros partidos, em branco ou nulo nas últimas legislativas. Desses eleitores, 71,9% vai mesmo votar António José Seguro e apenas 10% vai por André Ventura, havendo ainda 11,2% de pessoas indecisas.
Nota ainda para uma pequena curiosidade. É que há quem tenha votado PS e Chega nas últimas legislativas e vá mudar o seu sentido de voto. São poucos, mas existem, conforme podemos confirmar no gráfico.
| AJS | AV | B/N | Indecisos | Total | |
| AD | 65,1% | 13,1% | 8,7% | 13,1% | 100% |
| PS | 97,9% | 0,5% | 0% | 1,6% | 100% |
| Chega | 5% | 92,3% | 1,7% | 1% | 100% |
| O+B/N | 71,9% | 6,9% | 10% | 11,2% | 100% |
| Total | 60,9% | 26,5% | 5,3% | 27,3% | 100% |
Ficha técnica
Durante 3 dias (24, 25 e 26 janeiro de 2026) foram recolhidas diariamente pela Pitagórica para a TVI, CNN Portugal, TSF e JN um mínimo de 202 a 203 entrevistas (dependendo dos acertos das quotas amostrais) de forma a garantir uma sub-amostra diária representativa do universo eleitoral português (não probabilístico). Foram tidos como critérios amostrais o Género, 3 cortes etários e 20 cortes geográficos (Distritos + Madeira e Açores). O resultado do apuramento dos 3 últimos dias de trabalho de campo, resultou numa amostra de 608 entrevistas que para um grau de confiança de 95,5% corresponde a uma margem de erro máxima de ±4,06%.
A seleção dos entrevistados foi realizada através de geração aleatória de números de “telemóvel” mantendo a proporção dos 3 principais operadores móveis. Sempre que necessário foram selecionados aleatoriamente números fixos para apoiar o cumprimento do plano amostral. As entrevistas são recolhidas através de entrevista telefónica (CATI–Computer Assisted Telephone Interviewing).
O estudo tem como objetivo avaliar a opinião dos eleitores portugueses, sobre temas relacionados com as eleições Presidenciais, nomeadamente os principais protagonistas, os momentos da campanha bem como a intenção de voto dos vários candidatos. Foram realizadas 1245 tentativas de contacto, para alcançarmos 608 entrevistas efetivas, pelo que a taxa de resposta foi de 48,84%.
A distribuição de indecisos é feita de forma proporcional.
A direção técnica do estudo é da responsabilidade de Rita Marques da Silva. A ficha técnica completa, bem como todos os resultados, foram depositados junto da ERC- Entidade Reguladora da Comunicação Social que os disponibilizará para consulta online.