Candidato presidencial sublinhou que só teve um patrão durante toda a sua vida profissional, deixando ainda espaço para a estranheza da altura da publicação desta notícia
Henrique Gouveia e Melo garantiu esta segunda-feira que foi através da imprensa que ficou a saber de uma investigação que está em curso a 57 contratos feitos quando o almirante estava na Marinha, e que foi noticiada pela revista Sábado.
Em declarações aos jornalistas a partir dos Açores, o candidato presidencial afirmou que não foi notificado nem ouvido no processo que está a decorrer no Departação de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Almada.
“Quero garantir aos portugueses que toda a minha vida só ganhei os ordenados da Marinha. A minha única entidade patronal foi a Marinha. A minha vida é transparente, não tem nenhuma opacidade. Nunca beneficiei ninguém a não ser o Estado e a Marinha”, referiu.
Falando sobre os contratos que se faziam na Marinha, Gouveia e Melo referiu que, apesar de ser o líder do setor em causa, que era o das operações, nunca lidou diretamente com fornecedores, com quem não falou nem lidou.
“A última palavra não era minha, porque o sistema estava distribuído e as decisões eram tomadas a um nível mais baixo”, acrescentou, sublinhando que tinha a seu cargo todas as operações no terreno, e não tarefas administrativas.
Questionado sobre a situação, voltou a frisar que não sabe do que se trata, mas reiterou que o processo administrativo não passava por si.
Assim, Gouveia e Melo sugeriu a quem quiser que o venha acusar na cara, em vez de insinuar. “Mas alguém já me acusou? Se alguém me acusar, que me acuse na cara. Só ganhei o meu ordenado. Venham acusar-me na cara, não venham é insinuar”, concluiu, deixando no ar uma estranheza pelo facto de esta notícia, que é referente a contratos realizados entre 2017 e 2020, saia a pouco mais de 15 dias das eleições.