Um cavalo e uma estrutura da propaganda de Sócrates não chegaram para aquecer a conversa entre Gouveia e Melo e Cotrim

20 nov, 21:59

Confronto morno teve apenas dois momentos de faísca entre um suprapartidário e um independente total

Quando se puxou de uma grande estratégia de grega da mitologia grega logo no início, a sensação foi que João Cotrim de Figueiredo e Henrique Gouveia e Melo, cada um estreante à sua maneira, podiam arrancar para algo picante neste debate transmitido pela RTP.

Só que o primeiro debate presidencial do candidato apoiado pela Iniciativa Liberal e o primeiro debate de sempre do almirante foi, em grande parte, uma conversa. Os dois até fizeram questão de confirmar que concordavam com o outro em alguns pontos.

Por isso mesmo, o cavalo de Troia trazido por Cotrim de Figueiredo no começo do debate foi apenas um oásis na monotonia de um debate pouco acirrado, talvez porque ainda faltem quase dois meses para o dia de todas as decisões.

“Acha que sou um cavalo de Troia?”, questionou o candidato liberal, aparentemente incomodado pelo entendimento de Gouveia e Melo, que vê desvantagens num candidato presidencial que tenha passado partidário.

Por isso mesmo, Cotrim de Figueiredo fez questão de que os portugueses soubessem que, com ele, haveria resistência a “todas e quaisquer pressões”, sempre em nome do “interesse supremo dos portugueses”.

“Acha que não tenho independência?”, voltou a perguntar, com o adversário a preferir não entrar em bate-boca, mas sempre a deixar a entender que ter passado partidário é, claramente, algo mau.

“A independência não se proclama, pratica-se e a minha capacidade de resistir a interesses e influências é patente”, completou.

Pouco interessado em entrar em picardia, Gouveia e Melo começou por dizer que a sua candidatura é a que “melhor responde aos portugueses em termos de segurança, estabilidade e desenvolvimento”. Quase discurso de campanha, portanto, mais do que de debate.

Isto de um candidato “suprapartidário”, como o

No resto do debate, houve vários pontos em que os dois oponentes convergiram, sobretudo quando confrontados com a notícia que houve escutas a abranger o ex-primeiro-ministro António Costa – um caso em que os dois defenderam explicações rápidas da Procuradoria-Geral da República e que os levaram a defender uma reforma do sistema de justiça.

Na reforma da legislação laboral, Cotrim de Figueiredo e Gouveia e Melo concordaram que há necessidade de flexibilizar, embora o ex-chefe de Estado-Maior da Armada tenha advertindo que é preciso salvaguardar o núcleo dos direitos dos trabalhadores. E a privatização da TAP, defendida pelo eurodeputado liberal, foi admitida pelo antigo coordenador do processo de vacinação contra a covid-19, mas desde que salvaguardados os interesses estratégicos nacionais.

próprio faz questão de destacar, numa independência que é “das ideias”, mas também de “ideologias” ou “contactos com os partidos”, o que lhe permite, entende, “ser mais exigente por não ter esses contactos”.

“Parece que estamos nas legislativas e não presidenciais. Temos um candidato para cada partido. Um candidato presidencial tem de ser um candidato mais aberto, que possa apanhar um espectro político melhor. Estamos muito balcanizados e as soluções na Assembleia da República têm de ser encontradas com mais do que um partido. E um candidato não partidário tem mais capacidade de o fazer”, reforçou Gouveia e Melo, que mais à frente até sugeriria outro tipo de entendimentos entre os partidos para alcançar soluções governativas.

Suprapartidário sim, mas não imune ao sistema. Essa foi a ideia que Cotrim de Figueiredo quis colar ao seu opositor no outro fogacho deste debate. Um pastiche que foi bem lá atrás, a José Sócrates. Mais precisamente a um assessor seu, que será Luís Bernardo.

O candidato liberal atirou que as ligações “também se veem pelos que rodeiam” as candidaturas. E isso é válido para líderes do PSD que o apoiam - claramente Rui Rio - ou pelas “estruturas dentro da sua candidatura que foram responsáveis pela máquina de propaganda de José Sócrates”.

A partir daí os dois quase que procuraram sempre encontrar-se a meio caminho, mesmo naquilo que devia ser tema de discórdia. Gouveia e Melo quis sublinhar que não é maçom, mas admitiu apoios vindos da Maçonaria. De resto, "nem Cotrim de Figueiredo é capaz de dizer que não tem um maçom nos apoiantes".

”Também não sou. Uso avental, mas na cozinha. Ficou-me na cabeça: 'Porque é que os maçons tinham interesse em apoiar uma candidatura tão cedo?'", respondeu e questionou Cotrim de Figueiredo.

Convergência mais propositada para a frente, sobretudo quando confrontados com a notícia de que houve escutas a abranger o ex-primeiro-ministro António Costa - um caso em que os dois defenderam explicações rápidas da Procuradoria-Geral da República e que os levaram a defender uma reforma do sistema de justiça.

Na reforma da legislação laboral, Cotrim de Figueiredo e Gouveia e Melo concordaram que há necessidade de flexibilizar, embora o ex-chefe de Estado-Maior da Armada tenha advertido que é preciso salvaguardar o núcleo dos direitos dos trabalhadores. E a privatização da TAP, defendida pelo eurodeputado liberal, foi admitida pelo antigo coordenador do processo de vacinação contra a covid-19, mas desde que salvaguardados os interesses estratégicos nacionais.

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