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Miguel Sousa Tavares antecipa segunda volta entre os "dois candidatos que arriscaram menos"

15 jan, 22:42

O comentador fez esta noite o balanço da campanha eleitoral para as eleições presidenciais, apontando António José Seguro como presença "certa" na segunda volta e André Ventura como candidato "provável"

Segundo Miguel Sousa Tavares, António José Seguro e André Ventura são, até agora, "os dois candidatos que arriscaram menos" ao longo da campanha. Sobre o líder do Chega, considera que manteve o discurso habitual, sem novidades, sublinhando que existe um eleitorado estável entre os 20% e os 24% que o acompanha "faça ele o que fizer".

Quanto a António José Seguro, o comentador afirma que fez uma campanha marcada pela cautela, evitando compromissos e procurando uma imagem de moderação. Ainda assim, considera que "dormirá seguro" com o candidato do Partido Socialista em Belém, embora não "empolgado", levantando dúvidas sobre a sua atuação em cenários de crise ou conflito institucional com o Governo: "Eu não sei como é que ele agirá."

Já a campanha de Marques Mendes foi para Miguel Sousa Tavares uma "decepção", mas, mais do que isso, foi uma confirmação do perfil político do candidato. Critica a insistência na ideia de independência, apontando a proximidade ao PSD e o apoio explícito de figuras como Cavaco Silva e Luís Montenegro. "Se há coisa que Marques Mendes não é, é independente. Ele próprio acabou a campanha, talvez um bocadinho em desespero, completamente encostado ao partido".

Sobre o almirante Henrique Gouveia e Melo, Miguel Sousa Tavares mostra surpresa com a posição relativamente baixa nas sondagens, considerando que o candidato não fez uma campanha "muito negativa". 

Sobre a polémica em torno de João Cotrim de Figueiredo, relacionada com uma alegada situação de assédio denunciada por uma antiga assessora da Iniciativa Liberal, o comentador defende que acusações desta gravidade devem ser feitas “logo e no lugar certo”, ou seja, junto do Ministério Público.

O comentador alerta para a dificuldade de um acusado provar a sua inocência e para o impacto que uma denúncia, verdadeira ou falsa, pode ter no resultado eleitoral, sobretudo quando surge poucos dias antes da votação. "É muito difícil numa situação destas um inocente fazer prova que está inocente. A acusação fica aí a pairar".

Miguel Sousa Tavares conclui que este caso ilustra "o quão perigoso é este território das redes sociais", voltando a alertar para a influência que podem ter em processos democráticos decisivos.

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