A interrupção permitida, um analgésico e um telemóvel para resolver: Seguro e Ventura estiveram frente-a-frente

17 nov, 21:56

Presidente do Chega lembrou o passado do oponente no PS, mas acabou relembrado de uma tese feita em 2013 em que é criticada a "estigmatização de minorias"

Sereno e por vezes irónico, com bicadas à mistura, António José Seguro procurou uma postura calma para tentar combater a ferocidade de André Ventura, que trouxe para a mesa o passado socialista do seu oponente como uma das bandeiras para o primeiro debate das eleições Presidenciais de 2026.

“Não há problema de o senhor me interromper”, disse António José Seguro quando o seu tempo batia os 10 minutos, mostrando uma tentativa clara de manter o mesmo tom.

Para ataque, o candidato apoiado pelo PS trouxe um foco principal: André Ventura “está nas eleições erradas”, já que devia estar focado em legislativas. Por isso mesmo questionou o presidente do Chega sobre uma eventual quebra do contrato de confiança com os eleitores que escolheram o partido em maio deste ano.

“Eu vou-lhe dizer porque é que eu estou na eleição certa. Porque eu sou o Presidente que quer dar um murro na mesa, que quer impedir que a conversa de chacha continue a ser a conversa que leva as pessoas até à Presidência da República”, contrapôs o líder do Chega.

“Tenho orgulho em ser um candidato que se afirmou com coragem e tenho muito orgulho no apoio do PS. Se quiser debater com o PS, dou-lhe o número de telemóvel de José Luís Carneiro”, continuou o socialista, atirando que André Ventura tem mais anos de atividade partidária do que ele neste século.

André Ventura sugeriu então que António José Seguro tem vergonha da herança do PS, enquanto coloca o ónus de vários problemas dos portugueses na governação socialista.

“António José Seguro é como o Melhoral, não faz bem nem faz mal”, acabaria por dizer, ainda a falar sobre a greve geral marcada para 11 de dezembro, para pedir uma tomada de posição do seu oponente em relação ao prejuízo causado aos utentes, ao mesmo tempo que fazia menção a um conhecido analgésico.

“Nunca como no tempo do PS os jovens emigraram tanto”, acrescentou, insistindo que António José Seguro foi líder do PS e esteve no governo de António Guterres. “Há poucos políticos em Portugal com a ligação que António José Seguro tem ao PS”, reiterou, pedindo ao oponente que assuma a responsabilidade “por todo o mal que o PS fez ao país”.

Perante aquilo que considerou serem ataques vindos do outro lado, António José Seguro atirou a bicada: “Não respondo da mesma forma porque sou candidato a Presidente da República”.

André Ventura não gostou, não “achou bem” que o estivessem a “desqualificar” daquela forma, disse, com António José Seguro a garantir: “Tem estado desde o início a fazer essas provocações. Eu não me deixo provocar por si”.

Depois, o candidato apoiado pelo PS foi até ao passado, a um passado que aconteceu quando ele próprio era secretário-geral do PS. António José Seguro puxou de uma tese feita em Dublin, Irlanda. “Eu recomendo-lhe uma tese de doutoramento feita em Dublin. Eu sei que não vai gostar. Que é de 2013, do estudante na altura André Ventura, que chamava a atenção precisamente para essa estigmatização. O senhor chamava a atenção, nessa altura bem, estava do lado certo, que havia uma estigmatização de minorias."

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