Antigo presidente considera "intolerável" que se tente "reescrever a história de um político de excecional" com o propósito único de atacar Marques Mendes
Cavaco Silva diz que considera “intolerável” que na campanha presidencial alguns dos candidatos a Belém estejam a tentar “reescrever a história de um político de excecional craveira como Francisco Sá Carneiro” com o objetivo de “atacar o candidato Luís Marques Mendes”.
Num artigo de opinião publicado pelo jornal Observador, o ex-presidente lembra que teve “o privilégio de acompanhar de perto” a ação de Sá Carneiro como primeiro-ministro e que, tendo sido ministro das Finanças e do Plano do então governo, sente-se “chocado com a tentativa de apropriação do seu nome por parte de pelo menos três candidatos presidenciais, André Ventura, João Cotrim de Figueiredo e Henrique Gouveia e Melo”. Relativamente a estes mesmos três nomes, Cavaco Silva diz que, “no plano ético, político, social e económico, estão quase nas antípodas daquilo que Francisco Sá Carneiro defendia”.
“Francisco Sá Carneiro era um defensor da social-democracia moderna, um humanista, homem de princípios firmes, distante tanto do socialismo de Estado, como de uma sociedade dominada pela sacralização do mercado em nome da eficácia”, escreve, lembrando que o fundador do PSD tinha “desenvolvimento equilibrado do país e o combate à pobreza” como “dois dos seus grandes propósitos”.
O antigo presidente recorda que, “em virtude da sua trágica morte há 45 anos”, Sá Carneiro apenas governou Portugal durante 11 meses e que, por isso mesmo, não teve tempo para colocar em prática o seu projeto de desenvolvimento social e de reformas para a modernização do país e melhoria das condições de vida dos portugueses.