Alexandre Frota não foi eleito, Netinho também não. Mas Brasil elegeu as primeiras deputadas federais transexuais e uma mulher indígena

3 out, 18:00
Sônia Guajajara, primeira mulher indígena eleita deputada federal (Foto: Twitter)

Noite eleitoral brasileira trouxe estreias ao Congresso Nacional, mas também há famosos repetentes e antigos futebolistas que asseguraram cargos políticos

Lula da Silva ficou à frente, mas a votação no atual presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, obrigou a que a decisão final sobre o próximo presidente do Brasil fique adiada até 30 de outubro. No entanto, vários governadores, senadores ou deputados federais já souberam este domingo se conseguiram o lugar ao qual concorriam, e o fecho das urnas trouxe algumas surpresas.

Falamos, nomeadamente, de Erika Hilton, do PSOL, Duda Salabert, do PDT, e Robeyoncé, também do PSOL, as primeiras deputadas federais transexuais eleitas no Brasil para representarem os seus estados em Brasília a partir do próximo ano. 

"Já dá pra dizer: travesti preta eleita! É federal! Pela primeira vez na História".

Foi com esta frase que Erika Hilton celebrou nas redes sociais a sua eleição. Com 26 anos, Hilton entrou na política em 2018 quando fez parte do primeiro mandato coletivo eleito na Assembleia Legislativa de São Paulo (ALESP).

Duda Salabert, de 41 anos, entrou na política também em 2018, procurando a eleição para o Senado Federal, mas não foi eleita. Professora de profissão, Salabert acabou por conseguir em 2020 um lugar na Câmara dos Vereadores de Belo Horizonte, tornando-se simultaneamente a vereadora com maior número de votos na cidade, quase 12% do total. 

Robeyoncé Lima, de 33 anos, é a primeira advogada trans negra de Pernambuco e já foi, segundo o O Globo, codeputada estadual, chegando agora ao Congresso Nacional do Brasil. 

De salientar ainda que Dani Balbi, do PSOL, professora na Universidade Federal do Rio de Janeiro, foi a primeira transexual eleita deputada estadual no Rio de Janeiro. 

Outra estreia nestas eleições foi para Sônia Guajajara (PSOL), primeira mulher indígena eleita deputada federal por São Paulo. A ativista pelos direitos dos povos indígenas foi, na semana passada, nomeada finalista do Prémio Sakharov, ao lado do presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, da jornalista palestiniana Shireen Abu Akleh, morta na Cisjordânia, ou Julian Assange, o fundador da Wikileaks. 

"Vamos aldear mentes e corações, e construir um novo Brasil. Seguimos juntes", escreveu Guajajara no Twitter.

O deputado federal mais votado do Brasil

Nikolas Ferreira, vereador de Belo Horizonte de 26 anos e conhecido apoiante do presidente Jair Bolsonaro, foi o deputado federal mais votado do Brasil, conquistando quase 1,5 milhões de votos. Com mais de três milhões de seguidores no Instagram, descreve-se como "cristão, conservador e defensor da família", coordenando ainda o movimento Direita Minas.

 

Segundo O Globo, Ferreira é bacharel em Direito e cresceu na favela Cabana do Pai Tomás, uma das mais violentas de Belo Horizonte. Celebrizou-se nas redes sociais ao divulgar um vídeo dizendo que fora impedido de visitar o Cristo Redentor por não ter certificado de vacinação contra a covid-19.

Os famosos que conseguiram ser eleitos

Personalidades destacadas de várias áreas também tentaram a sua sorte nas urnas neste ato eleitoral, de atores a cantores ou humoristas. O célebre comediante Tiririca (PL), por exemplo, voltou a ser eleito, pela quarta vez, deputado federal do estado de São Paulo, com quase 72 mil votos. Outra das eleitas foi a cantora Leci Brandão (Partido Comunista do Brasil) que assumirá em 2023 o quarto mandato de deputada estadual pelo estado de São Paulo.

O ator Mário Frias (PL), que foi secretário especial de cultura do governo de Bolsonaro, também foi eleito deputado federal pelo estado de São Paulo. E Thiago Gagliasso (PL), ator e irmão do também ator Bruno Gagliasso, foi eleito deputado estadual pelo Rio de Janeiro.

De fora da Assembleia Legislativa de São Paulo ficou desta vez o ator Alexandre Frota (PSDB), que não conseguiu ser eleito para deputado estadual. Em 2018, tinha sido eleito deputado federal. E o célebre ator porno Kid Bengala (União), que concorria a um lugar como deputado federal pelo estado de São Paulo, também não vai conseguir assento na Câmara dos Deputados; o cantor Netinho (PL), que concorria à Câmara dos Deputados pelo estado da Bahia, também não conseguiu ser eleito. 

Romário (PL), um dos maiores jogadores do futebol brasileiro, conseguiu mais de 2,3 milhões de votos e foi reeleito senador. Candidato pela primeira vez em 2014 à Câmara dos Deputados, logo na altura conseguiu mais de quatro milhões de votos e tornou-se o senador com a maior votação do Rio de Janeiro.

Bandeira de Mello (PSB-RJ), presidente do Flamengo de 2013 a 2018, já tinha tentado uma vez a eleição para deputado federal, sem sucesso, mas desta vez conseguiu ser eleito pelo Rio de Janeiro.

Já dos candidatos às eleições com os nomes mais bizarros, nenhum parece ter conseguido qualquer cargo político: Paulo Bosta, Taxista Samuray, Fátima do Churrasquinho, Policial Skatista ou o Wolverine do Tik Tok falharam os objetivos e ficaram para trás, apesar dos nomes sonantes que usaram em campanha. 
 

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